Adecisão do Ministério Público de Xangri-lá, no Litoral Norte, de realizar abordagens em locais nos quais adolescentes costumam se reunir para ingerir bebida alcoólica e, inclusive, de acionar seus pais, tem potencial para gerar polêmica pelas sutilezas que envolve. Ainda assim, chama a atenção para um aspecto inconcebível: as facilidades que jovens com menos de 18 anos encontram para beber, tanto em estabelecimentos comerciais quanto em festas familiares, muitas vezes às vistas dos pais. A ação já poderia ser considerada positiva se ajudasse a chamar a atenção para o fato de que, em princípio, caberia à família orientar os jovens sobre as consequências físicas e mentais da ingestão precoce de bebida, que nessa idade podem se mostrar até mesmo irreversíveis.
Especialistas em psicologia infanto-juvenil têm suas razões ao alertar para o fato de que o papel educacional, no caso, cabe prioritariamente aos pais ou responsáveis. Faz sentido também a ressalva de que, se a transgressão é comum nessa idade, de nada adianta a repressão por si só. Mas, se os pais não conseguem transmitir uma mensagem clara sobre os riscos de adquirir o hábito de beber antes do tempo recomendado, a lei precisa se impor, com o devido cuidado de quem a aplica por estar lidando com cidadãos em fase de formação física e psicológica.
No caso específico da ação envolvendo uma parceria do Ministério Público com Brigada Militar, Polícia Civil e Conselho Tutelar, merece destaque a ênfase no aspecto de conscientização, sempre que possível envolvendo familiares. O acerto do modelo deveria fazer com que fosse estendido a outras regiões do Estado.
Um aspecto importante da iniciativa é o de que, ao contrário do que sugerem apelos comumente dirigidos aos jovens, bebida alcoólica tende a deixar sequelas físicas e mentais nessa idade. E, o que pode se mostrar ainda mais grave, o consumo em excesso pode levar adolescentes a atos de efeitos muitas vezes incontornáveis, comprometendo-os por toda a vida adulta.
EDITORIAL ZERO HORA 03/03/2011
COMPROMETIMENTO DOS PODERES
As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.
sábado, 5 de março de 2011
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
SENAD PROMOVE CONCURSOS NACIONAIS CONTRA AS DROGAS.

A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas - SENAD, do Ministério da Justiça, apoiado pelo Conselho Estadual de Políticas Sobre Drogas do RS - CONEN/RS, com o objetivo de incentivar a participação dos diferentes níveis estudantis em atividades culturais de valorização da vida e estimular a mobilização e o engajamento da sociedade nas atividades relacionadas à prevenção do uso de drogas, promovem, anualmente, concursos nacionais sobre o tema.
O sucesso destes concursos mostra a percepção que a sociedade tem sobre a importância das ações de prevenção do uso de drogas, através de ampla participação de crianças, adolescentes, jovens e adultos.
A SENAD está promovendo o XII Concurso Nacional de Cartazes, direcionado a estudantes do 2º ao 5º ano do Ensino Fundamental de 9 anos, o I Concurso Nacional de Vídeo, direcionado a estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental de 9 anos e Ensino Médio, o IX Concurso Nacional de Fotografia e o IX Concurso Nacional de Jingle, dirigidos à população em geral. Este ano os concursos têm como tema "Arte e Cultura na prevenção do uso de crack e outras drogas".
Em parceria com o CONEN/RS e Centro de Integração Empresa/Escola - CIEE, a SENAD está lançando o X Concurso de Monografia para Estudantes Universitários, com o tema A Intersetorialidade como Estratégia de Enfrentamento ao Crack.
No intuito de contar com o apoio de Vossa Senhoria e deste Conselho para a mobilização das escolas e da comunidade, encaminhamos folhetos e cartazes de divulgação dos referidos Concursos, solicitando que sejam distribuídos nas escolas da rede pública e privada de todo o Estado, como incentivo à participação de todos.
Maj QOEM Edison Tabajara Rangel Cardoso, Presidente do CONEN-RS
CONEN-RS Lei nº 11.792 de 22/05/2002
Conselho Estadual de Políticas Sobre Drogas
Av: Borges de Medeiros, 1501 - 5º andar Sala 03
Fones: (51) 3288-5961 e 3288-5962
Fax: (51) 3288-5963



segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
A AMEAÇA DAS DROGAS SINTÉTICAS

Carlos Alberto Di Franco - O Estado de S.Paulo - 21/02/2011
Acabo de regressar da Europa. Uma intensa semana, na Itália e na Espanha, é sempre formidável. Da magia da Piazza Navona ao encantamento da Gran Via, sempre vale a pena. Impressionou-me, na leitura dos jornais e nas conversas com jornalistas e professores, a presença de uma nuvem escura que, aos poucos, vai toldando o horizonte da juventude europeia: o avanço das drogas. Na Europa, e aqui no Brasil, uma nova droga destruidora ameaça a juventude: a cápsula do vento. Trata-se de um pó branco, de aparência comum, mas demolidor. É um derivado da anfetamina e tem propriedades alucinógenas. Seus efeitos podem durar horas. Existem relatos de pessoas que ficaram até uma semana sob efeito alucinógeno dessa substância. O usuário pode ter alterações cardíacas, convulsões, fortes alucinações e chegar à morte.
O uso de drogas ilícitas no mundo vem crescendo, apesar dos esforços mundiais de controle. O aumento no consumo das drogas sintéticas é considerado atualmente pelo Escritório da ONU de Combate ao Crime e às Drogas (Unodc), como "o inimigo público número um". Ao contrário das drogas tradicionais, feitas à base de plantas, as drogas sintéticas são feitas com produtos químicos facilmente obtidos em laboratórios improvisados. O combate é, por isso, muito mais difícil.
O uso das drogas sintéticas hoje é uma questão de moda. Assim como vimos, nos anos 60, o crescimento do uso de LSD e heroína ligado ao movimento hippie, hoje há a cultura da música tecno, que incentiva o uso de drogas como o ecstasy. Essa situação preocupa, porque vai mudar o paradigma do combate às drogas. A prevenção vai ganhar uma importância muito maior do que a repressão.
Nessa década, o maior problema que nós vamos vivenciar é a droga sintética. Principalmente o ecstasy. As prisões de traficantes são um forte indicador da presença das drogas sintéticas e, ao mesmo tempo, revelam um novo perfil do tráfico: jovens universitários, de classe média e alta, compõem o novo mapa do crime. O rosto do usuário também vai sendo perfilado: boa escolaridade, inserido no mercado de trabalho e pertencente às classes sociais mais privilegiadas.
O ecstasy é uma droga estimulante e alucinógena. Segundo o professor Ronaldo Laranjeira, da Universidade Paulista (Unifesp), "ela foi sintetizada para ser um novo moderador de apetite, mas foi descartada pelo laboratório químico que a produziu porque era muito tóxica. Ficou na prateleira por várias décadas e foi redescoberta na década de 70 para ser a droga do amor. Depois se transformou na droga mais usada em discotecas". O ecstasy desencadeia transtornos psiquiátricos como síndrome do pânico e depressão. Costuma vir acompanhado de taquicardia e aumento da temperatura do corpo e tem sido a causa de inúmeras mortes. Segundo Ronaldo Laranjeira, "o grande problema do ecstasy é o dano cerebral que a droga produz, principalmente nos neurônios responsáveis pelo prazer".
O cardápio macabro das baladas, infelizmente, tem sempre novidades. Duas novas drogas foram introduzidas no menu das raves: a ketamina e o GHB. A ketamina, também conhecida por cetamina, ou special K, é um anestésico usado em cirurgias e animais. É um parente químico do ácido lisérgico, o LSD. "O principal efeito que provoca é o desprendimento corporal, o sujeito consegue se dissociar do corpo. O uso frequente da droga pode causar danos na atenção, na memória, no estômago, coração e fígado", alerta o psicólogo Murilo Battisti. O GHB, também chamado de ecstasy líquido, não tem cheiro nem gosto. É perigosíssimo, principalmente quando misturado com álcool. Ambos - GHB e álcool - diminuem muito a atividade do cérebro. Associados, o efeito é ainda maior. O GHB é uma droga fortemente depressora. Pode levar ao coma e induzir ao suicídio.
Como vê, caro leitor, a escalada das drogas é um fato assustador. Enfrentá-la só é possível com informação correta, prevenção e recuperação. Meu objetivo, neste artigo, é ajudá-lo a dar os dois primeiros passos: conhecer o que se passa no ambiente rarefeito de inúmeras discotecas e raves e entender as características devastadoras das novas drogas sintéticas. Só assim, com informação clara e sem eufemismos, você poderá captar eventuais mudanças comportamentais e dar uma orientação segura aos seus filhos. A família, um espaço de carinho, diálogo e firmeza, exige presença do pai e da mãe. Ela é, de fato, o pré-requisito da prevenção. Quando a família fracassa, as políticas antidrogas acabam se transformando no cemitério de boas intenções.
O terceiro passo, a recuperação, é uma indeclinável responsabilidade dos governos. É preciso que os governantes ajudem para valer os serviços especializados e as instituições idôneas que, anonimamente e com grande sacrifício, investem na recuperação de dependentes químicos. Trata-se de um problema de saúde pública. Recuperar é salvar vidas e multiplicar aliados na luta contra as drogas. Um dependente recuperado é o melhor prosélito das campanhas preventivas. Impõe-se que os responsáveis pelo combate às drogas abandonem o conforto de seus gabinetes e entrem em contato com o verdadeiro drama dos adictos. Eu fiz isso. Não considero correto escrever e opinar a respeito de uma realidade distante. Conversei com especialistas, ouvi relatos de dependentes químicos, visitei comunidades terapêuticas que apresentam elevados índices de recuperação, desenvolvi, enfim, um trabalho de reportagem.
Espero que o governo faça a sua parte. Segundo me consta, o Congresso Nacional está decidido a arregaçar as mangas e entrar num autêntico mutirão em prol dos que lutam pela recuperação. A iniciativa, se confirmada, merece os aplausos da sociedade. A dependência química não admite politicagem. Reclama, sim, seriedade e realismo.
CARLOS ALBERTO DI FRANCO, DOUTOR EM COMUNICAÇÃO, É PROFESSOR DE ÉTICA E DIRETOR DO MASTER EM JORNALISMO
E-MAIL: DIFRANCO@IICS.ORG.BR
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
GUERRA À PEDRA - RS TERÁ 5 CENTROS CONTRA CRACK

Presidente detalhou ontem as universidades que treinarão profissionais em programas que devem começar no próximo mês - ZERO HORA, 17/02/2011
Os Centros Regionais de Referência em Crack e Outras Drogas (CRR), que integram um plano do governo federal de combate contra o crack em todo o país, devem começar a funcionar no mês que vem em 23 universidades brasileiras, cinco delas no Rio Grande do Sul. O lançamento do projeto dos CRR foi feito ontem, em Brasília, pela presidente Dilma Rousseff.
– Precisamos formar profissionais. Sabemos que essa é uma droga que tem uma capacidade de propagação muito elevada e que, atrás do eixo da prevenção, pelo qual precisamos impedir que mais pessoas sejam vítimas do crack, são necessárias intervenções visando a tratamentos, clínicas e enfermarias especializadas, além de políticas de reinserção – afirmou Dilma.
Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) participarão do programa no Estado. Cada instituição contará com um centro destinado a treinar profissionais de saúde e de assistência social que já atendem usuários de drogas e suas famílias em seus municípios.
Em maio, outros 26 centros devem começar a operar, informou a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad). Os cursos têm duração de 12 meses e deverão formar seus primeiros participantes no ano que vem. As disciplinas abordarão o gerenciamento de casos, a reinserção social, o aconselhamento motivacional e o aperfeiçoamento de médicos. Cada projeto terá até R$ 300 mil do Fundo Nacional Antidrogas (Funad) para treinamento de 300 pessoas. Serão formados 14,7 mil profissionais, em 844 municípios de 19 Estados do país.
A iniciativa de aperfeiçoar profissionais que lidam com dependentes de crack faz parte do Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas, lançado no ano passado pelo governo federal. O chamado “PAC do Crack” prevê a ampliação do número de leitos de internação de usuários de drogas e a realização de estudos e pesquisas, entre outras medidas. O plano foi anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio passado. Na oportunidade, ele fez referência à campanha do Grupo RBS, Crack, Nem Pensar, citando-a como exemplo de campanha de mídia contra a droga.
CENTROS CONTRA CRACK NO RS: Universidade Federal de Pelotas; Universidade Federal de Santa Maria; Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre; Universidade Federal do Rio Grande e Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
O QUE PREVÊ O PAC DO CRACK:
- Cursos de especialização: são os CRR, lançados ontem;
- Combate ao tráfico: o governo promete ampliar as operações policiais para desmantelar as redes de tráfico que abastecem o Brasil de crack. A ênfase será nas regiões de fronteira. Serão instaladas 11 bases móveis e fixas nas fronteiras com Paraguai, Bolívia, Peru e Colômbia;
- Mais leitos: o plano prevê dinheiro a curto prazo para a ampliação da rede de atendimento aos dependentes, por meio de financiamento às prefeituras. O governo anunciou que financiará projetos municipais de aumento do número de leitos em serviços de urgência e hospitais gerais. O resultado da avaliação e seleção dos projetos foi divulgado em janeiro. Das 145 propostas, foram aprovadas 78, provenientes de 13 Estados;
- Campanha de informação: lançamento de campanha nacional de mobilização, informação e orientação de caráter permanente. O objetivo é mobilizar a sociedade para a gravidade da droga e oferecer conhecimentos que ajudem a prevenir e enfrentar a dependência;
- Projeto Rondon: os estudantes que participam do Projeto Rondon, do Ministério da Defesa, vão lutar contra a droga. Os universitários serão treinados para lidar com usuários e, em vez de serem levados a regiões longínquas do país, passarão a atuar em locais de consumo e comunidades terapêuticas;
- Treinamento de agentes: o plano prevê um exército de combatentes bem treinados. Um dos focos é o treinamento, e inclui quem trabalha com o tratamento e a reinserção social, como profissionais da rede de saúde e da rede de assistência social;
- Disseminação de exemplos: o plano propõe que bons exemplos de tratamento e de reinserção social de usuários sejam multiplicados, para qualificar o atendimento. Um estudo mapeará os tipos de procedimentos e iniciativas que dão melhores resultados;
- Diagnóstico no país: o plano prevê conhecer melhor o crack, para combatê-lo com mais eficácia. Está previsto um amplo diagnóstico sobre o consumo da droga no país e as formas de tratamento da dependência.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
CRACK - CENTROS DE REFERÊNCIAS
Governo lança centros de referências em crack - O GLOBO, 17/02/2011 às 12h37m; Chico de Gois
BRASÍLIA - O governo deu o pontapé inicial, como ele próprio definiu, para a criação de 49 Centros Regionais de Referência (CRR) em crack e outras drogas. Os centros funcionarão em universidades federais e estaduais e oferecerão quatro cursos: aperfeiçoamento em crack e outras drogas para médicos atuantes no Programa de Saúde da Família; atualização em atenção integral aos usuários de crack para profissionais de hospitais em geral; atualização sobre intervenção breve e aconselhamento motivacional em crack para agentes comunitários e atualização em gerenciamento de casos e reinserção social de usuários de drogas. A intenção é formar 14 mil profissionais.
A criação dos centros está prevista no Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, lançado no ano passado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pouco antes de Dilma Rousseff deixar a Casa Civil para se candidatar à Presidência e defender, em
seu programa de governo, como já o fazia José Serra, candidato do PSDB, o combate ao crack e tratamento de usuários.
A imprensa foi impedida de acompanhar o seminário, realizado no Palácio do Planalto. Os jornalistas só foram autorizados a subir quando a presidente Dilma discursou. Ela prometeu combater o tráfico.
- Meu governo vai dar um combate sistemático à questão do crack. Eu também tenho um compromisso com o povo do meu país de levar essa luta sem quartel ao crack - afirmou, ressaltando que as características da juventude brasileira permitem a propagação da droga muito facilmente.
- Fico muito feliz pelo fato de os senhores estarem integrando a linha de frente deste combate - afirmou, dirigindo-se aos médicos, professores e reitores presente no seminário.
- Precisamos formar profissionais. Sabemos que essa é uma droga que apresenta o desafio de não ter, no plano mundial, um acervo de conhecimentos e um acúmulo de metodologias no tratamento e isso faz com que a iniciativa dos Centros Regionais de Referência seja uma iniciativa pioneira - declarou.
A presidente destacou a importância das universidades no combate às drogas e tratamento dos dependentes. Dilma também disse que continuará a valorizar o ensino superior, e, sobretudo, os profissionais.
Governo investe em políticas de redução de danos para conter avanço do crack. O GLOBO, 06/01/2011 - Evandro Éboli
BRASÍLIA - Para diminuir o consumo do crack no país, o Ministério da Saúde investe em ações de redução de danos, como distribuição de insumos aos usuários, a criação de consultórios de rua e casas de acolhimento. A distribuição envolve material de hidratação, como água de coco e outros alimentos para repor a glicose, a protetor labial, disponibilizado em forma de batom e útil para curar e evitar feridas causadas pelo consumo do crack em latas. O ministério não distribui o cachimbo, outra forma de consumo da droga, mas apoia esse tipo de ação, uma iniciativa de entidades não-governamentais.
O compartilhamento de cachimbos, principalmente os improvisados, causa doenças. A adoção da redução de danos enfrenta resistências e gera polêmica. A principal crítica a essa ação é que é estimuladora do consumo. Mas o intuito é diminuir o impacto do consumo na saúde principalmente do usuário que tem dependência grave.
O coordenador de Saúde Mental, Álcool e Drogas do Ministério da Saúde, Pedro Delgado, explica que a atual legislação brasileira sobre drogas, de 2006, reconhece a redução de danos como uma estratégia de ação de saúde pública.
- O Brasil não precisa esconder a política de redução de danos. É uma maneira de se abrir o diálogo e se aproximar do usuário, de estabelecer um vínculo e oferecer tratamento. A distribuição de insumos e material para que o viciado se trate é uma ação de saúde pública. O SUS não distribui o cachimbo, mas acompanhamos essas iniciativas e observamos que é uma experiência que tem dados resultados. No primeiro momento, não se pode exigir do viciado que pare de usar a droga. É um terreno que precisa ser preparado - disse Pedro Delgado, que há anos atua nessa área no ministério.
As ações do Ministério da Saúde para reduzir o consumo do crack envolvem também investimentos em várias outras frentes. O governo está capacitando 2.400 clínicos gerais que atuam na atenção básica para atuarem na abordagem de viciados em álcool e drogas, em especial o crack. O ministério instala no país 60 Casas de Acolhimento, estruturas que oferecem alimentação, higiene e descanso para usuários de álcool e drogas em situação de risco. Nessas instalações, os jovens podem permanecer até 40 dias.
Outra iniciativa é a criação de 73 consultórios de rua, que levam equipes de saúde com assistentes sociais, auxiliares de enfermagem, profissionais de saúde mental e de redução de danos até os locais onde os dependentes se encontram. O ministério também investe em 39 escolas de redutores de danos, que são bolsas destinadas a universitários e profissionais de saúde, que recebem treinamento em ações de rua. Essas abordagens se dão em unidades móveis e geralmente à noite, período em que há maior movimento dos usuários.
Segundo o ministério, o governo ampliou nos últimos anos o tratamento para pessoas com transtornos mentais e para dependentes de crack, álcool e outras drogas. Entre 2002 a 2010, informa o ministério, os investimentos na Política de Saúde Mental aumentaram 142% e saltaram de R$ 619,2 milhões a R$ 1,5 bilhão.
- O uso do crack apresenta desdobramentos clínicos e psiquiátricos e existe um grande número de deferentes demandas apresentadas pelos usuários. Por isso estamos estruturando a uma rede de atenção diversificada. Um mesmo usuário de crack pode, num determinado período, necessitar de um período, ser atendido diariamente num Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e, em outro instante, necessitar de internação num hospital geral por apresentar alguma complicação decorrente do uso de drogas. Mas essa atenção visa a inclusão social e não a estigmatização do usuário - disse Pedro Delgado.
BRASÍLIA - O governo deu o pontapé inicial, como ele próprio definiu, para a criação de 49 Centros Regionais de Referência (CRR) em crack e outras drogas. Os centros funcionarão em universidades federais e estaduais e oferecerão quatro cursos: aperfeiçoamento em crack e outras drogas para médicos atuantes no Programa de Saúde da Família; atualização em atenção integral aos usuários de crack para profissionais de hospitais em geral; atualização sobre intervenção breve e aconselhamento motivacional em crack para agentes comunitários e atualização em gerenciamento de casos e reinserção social de usuários de drogas. A intenção é formar 14 mil profissionais.
A criação dos centros está prevista no Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, lançado no ano passado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pouco antes de Dilma Rousseff deixar a Casa Civil para se candidatar à Presidência e defender, em
seu programa de governo, como já o fazia José Serra, candidato do PSDB, o combate ao crack e tratamento de usuários.
A imprensa foi impedida de acompanhar o seminário, realizado no Palácio do Planalto. Os jornalistas só foram autorizados a subir quando a presidente Dilma discursou. Ela prometeu combater o tráfico.
- Meu governo vai dar um combate sistemático à questão do crack. Eu também tenho um compromisso com o povo do meu país de levar essa luta sem quartel ao crack - afirmou, ressaltando que as características da juventude brasileira permitem a propagação da droga muito facilmente.
- Fico muito feliz pelo fato de os senhores estarem integrando a linha de frente deste combate - afirmou, dirigindo-se aos médicos, professores e reitores presente no seminário.
- Precisamos formar profissionais. Sabemos que essa é uma droga que apresenta o desafio de não ter, no plano mundial, um acervo de conhecimentos e um acúmulo de metodologias no tratamento e isso faz com que a iniciativa dos Centros Regionais de Referência seja uma iniciativa pioneira - declarou.
A presidente destacou a importância das universidades no combate às drogas e tratamento dos dependentes. Dilma também disse que continuará a valorizar o ensino superior, e, sobretudo, os profissionais.
Governo investe em políticas de redução de danos para conter avanço do crack. O GLOBO, 06/01/2011 - Evandro Éboli
BRASÍLIA - Para diminuir o consumo do crack no país, o Ministério da Saúde investe em ações de redução de danos, como distribuição de insumos aos usuários, a criação de consultórios de rua e casas de acolhimento. A distribuição envolve material de hidratação, como água de coco e outros alimentos para repor a glicose, a protetor labial, disponibilizado em forma de batom e útil para curar e evitar feridas causadas pelo consumo do crack em latas. O ministério não distribui o cachimbo, outra forma de consumo da droga, mas apoia esse tipo de ação, uma iniciativa de entidades não-governamentais.
O compartilhamento de cachimbos, principalmente os improvisados, causa doenças. A adoção da redução de danos enfrenta resistências e gera polêmica. A principal crítica a essa ação é que é estimuladora do consumo. Mas o intuito é diminuir o impacto do consumo na saúde principalmente do usuário que tem dependência grave.
O coordenador de Saúde Mental, Álcool e Drogas do Ministério da Saúde, Pedro Delgado, explica que a atual legislação brasileira sobre drogas, de 2006, reconhece a redução de danos como uma estratégia de ação de saúde pública.
- O Brasil não precisa esconder a política de redução de danos. É uma maneira de se abrir o diálogo e se aproximar do usuário, de estabelecer um vínculo e oferecer tratamento. A distribuição de insumos e material para que o viciado se trate é uma ação de saúde pública. O SUS não distribui o cachimbo, mas acompanhamos essas iniciativas e observamos que é uma experiência que tem dados resultados. No primeiro momento, não se pode exigir do viciado que pare de usar a droga. É um terreno que precisa ser preparado - disse Pedro Delgado, que há anos atua nessa área no ministério.
As ações do Ministério da Saúde para reduzir o consumo do crack envolvem também investimentos em várias outras frentes. O governo está capacitando 2.400 clínicos gerais que atuam na atenção básica para atuarem na abordagem de viciados em álcool e drogas, em especial o crack. O ministério instala no país 60 Casas de Acolhimento, estruturas que oferecem alimentação, higiene e descanso para usuários de álcool e drogas em situação de risco. Nessas instalações, os jovens podem permanecer até 40 dias.
Outra iniciativa é a criação de 73 consultórios de rua, que levam equipes de saúde com assistentes sociais, auxiliares de enfermagem, profissionais de saúde mental e de redução de danos até os locais onde os dependentes se encontram. O ministério também investe em 39 escolas de redutores de danos, que são bolsas destinadas a universitários e profissionais de saúde, que recebem treinamento em ações de rua. Essas abordagens se dão em unidades móveis e geralmente à noite, período em que há maior movimento dos usuários.
Segundo o ministério, o governo ampliou nos últimos anos o tratamento para pessoas com transtornos mentais e para dependentes de crack, álcool e outras drogas. Entre 2002 a 2010, informa o ministério, os investimentos na Política de Saúde Mental aumentaram 142% e saltaram de R$ 619,2 milhões a R$ 1,5 bilhão.
- O uso do crack apresenta desdobramentos clínicos e psiquiátricos e existe um grande número de deferentes demandas apresentadas pelos usuários. Por isso estamos estruturando a uma rede de atenção diversificada. Um mesmo usuário de crack pode, num determinado período, necessitar de um período, ser atendido diariamente num Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e, em outro instante, necessitar de internação num hospital geral por apresentar alguma complicação decorrente do uso de drogas. Mas essa atenção visa a inclusão social e não a estigmatização do usuário - disse Pedro Delgado.
SAÍDA DIFÍCIL, MAS POSSÍVEL
O crack é uma droga tão terrível, que, quando surge uma boa notícia sobre a recuperação de dependentes, autoridades e especialistas relutam em divulgá-la, temendo que possa servir de estímulo ao consumo. É o caso, agora, de uma pesquisa feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que acompanhou durante 12 anos 107 usuários da pedra. O resultado do estudo confirma os danos: ao final do período estipulado para a pesquisa, 25% dos viciados estavam mortos, 12% presos e 20% continuavam dependentes. Mas 40% haviam parado de consumir a droga. Todos os vitoriosos passaram por períodos de internação e tratamento, receberam o apoio de suas famílias e lutaram muito até recuperar a autoestima. Na maioria dos casos, envolveram-se com alguma atividade profissional gratificante ou mesmo com alguma religião que lhes despertou valores espirituais.
O importante é que estão longe do vício e livres do rótulo de irrecuperáveis.
Droga de efeito devastador, o crack vicia logo na primeira experiência e em pouco tempo se torna um fator destrutivo não apenas para a saúde do usuário, mas também para sua vida familiar e social. O dependente perde o interesse pelas atividades rotineiras, abandona o emprego ou a escola, gasta tudo o que tem e, na falta de recursos para alimentar o vício, não é raro que comece a furtar objetos de valor até mesmo de sua própria casa. Passa, também, a ter um comportamento antissocial, briga com amigos e familiares, envolve-se com marginais. A pesquisa feita pela Unifesp mostrou que 43% dos usuários tiveram passagens pela polícia. A maioria dos que morreram também foi vitimada pela violência.
Já os que saíram do poço tiveram em comum, além da força de vontade pessoal, a sorte de encontrar tratamento eficiente, profissionais dedicados e familiares compreensivos. O estigma da irrecuperabilidade faz com que até mesmo profissionais da saúde se sintam menos motivados em ajudar dependentes de crack. Neste sentido, o estudo recém divulgado dá uma grande contribuição à luta contra essa droga letal. Evidentemente, a principal e mais eficaz forma de combater o crack continua sendo a não experimentação. Nenhum antídoto é tão poderoso quanto a palavra “não”. Porém, as pessoas que caem na armadilha não devem ser abandonadas. Pelo contrário, por mais difícil que pareça, é preciso fazê-las acreditar que sempre existe uma saída digna para quem persiste.
Também o poder público precisa tirar lições deste estudo criterioso da universidade paulista. A primeira porta de saída, sem qualquer dúvida, é o tratamento médico competente, com internação prolongada e acompanhamento dos efeitos físicos e psicológicos da droga. Sem esta intervenção, feita por clínicas especializadas, não há milagre. Por isso, o Estado tem o dever de investir na ampliação de vagas para dependentes de drogas, especialmente para as vítimas do crack. E a internação é só o início, pois os pacientes costumam ter recaídas frequentes. Mas há salvação.
EDITORIAL ZERO HORA 17/02/2011
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Saudações à Zero Hora pelo editorial "Saída difícil, mas possível", que propõe maior envolvimento, investimentos e determinação política do Estado no tratamento das dependências, pois o abandono destas pessoas e a falta de assistência aos seus familiares facilitam a propagação da doença, a violência e o aliciamento pelo crime.
O importante é que estão longe do vício e livres do rótulo de irrecuperáveis.
Droga de efeito devastador, o crack vicia logo na primeira experiência e em pouco tempo se torna um fator destrutivo não apenas para a saúde do usuário, mas também para sua vida familiar e social. O dependente perde o interesse pelas atividades rotineiras, abandona o emprego ou a escola, gasta tudo o que tem e, na falta de recursos para alimentar o vício, não é raro que comece a furtar objetos de valor até mesmo de sua própria casa. Passa, também, a ter um comportamento antissocial, briga com amigos e familiares, envolve-se com marginais. A pesquisa feita pela Unifesp mostrou que 43% dos usuários tiveram passagens pela polícia. A maioria dos que morreram também foi vitimada pela violência.
Já os que saíram do poço tiveram em comum, além da força de vontade pessoal, a sorte de encontrar tratamento eficiente, profissionais dedicados e familiares compreensivos. O estigma da irrecuperabilidade faz com que até mesmo profissionais da saúde se sintam menos motivados em ajudar dependentes de crack. Neste sentido, o estudo recém divulgado dá uma grande contribuição à luta contra essa droga letal. Evidentemente, a principal e mais eficaz forma de combater o crack continua sendo a não experimentação. Nenhum antídoto é tão poderoso quanto a palavra “não”. Porém, as pessoas que caem na armadilha não devem ser abandonadas. Pelo contrário, por mais difícil que pareça, é preciso fazê-las acreditar que sempre existe uma saída digna para quem persiste.
Também o poder público precisa tirar lições deste estudo criterioso da universidade paulista. A primeira porta de saída, sem qualquer dúvida, é o tratamento médico competente, com internação prolongada e acompanhamento dos efeitos físicos e psicológicos da droga. Sem esta intervenção, feita por clínicas especializadas, não há milagre. Por isso, o Estado tem o dever de investir na ampliação de vagas para dependentes de drogas, especialmente para as vítimas do crack. E a internação é só o início, pois os pacientes costumam ter recaídas frequentes. Mas há salvação.
EDITORIAL ZERO HORA 17/02/2011
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Saudações à Zero Hora pelo editorial "Saída difícil, mas possível", que propõe maior envolvimento, investimentos e determinação política do Estado no tratamento das dependências, pois o abandono destas pessoas e a falta de assistência aos seus familiares facilitam a propagação da doença, a violência e o aliciamento pelo crime.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
TRATAMENTO - SOBRAM VAGAS NO LITORAL
Sobram vagas para o tratamento de dependentes químicos em hospital do Litoral Norte. Unidade de dependência química do Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, tem nove leitos e 11 profissionais especializados. Vanessa Felippe, ZERO HORA ONLINE, RBS TV - 14/02/2011
A unidade de dependência química do Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, está com escassez de pacientes. Enquanto em alguns centros de saúde é uma luta para se conseguir um leito para tratar de viciados em crack, cocaína e álcool pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no Litoral Norte sobram vagas em leitos psiquiátricos para desintoxicar crianças e adolescente.
A unidade tem nove leitos e 11 profissionais especializados. Desde a criação do setor há um ano e nove meses sempre sobram vagas.
— Tentamos manter constante comunicação com os órgãos especializados que podem enviar esses pacientes para cá, mas, mesmo assim, não estamos tendo resultado — afirmou Francieli de Mello, coordenadora da unidade.
Para a equipe, formada por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, a baixa procura pode estar associada a dois fatores: desinformação e resistência da própria família.
Conforme os especialistas, a desintoxicação do dependente químico no Hospital Santa Luzia pode durar até três semanas.
Depois, ele é encaminhado para outros locais para continuar o tratamento. O espaço recebe pacientes que ainda não tenham completado 18 anos, de qualquer cidade do Estado.
A unidade de dependência química do Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, está com escassez de pacientes. Enquanto em alguns centros de saúde é uma luta para se conseguir um leito para tratar de viciados em crack, cocaína e álcool pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no Litoral Norte sobram vagas em leitos psiquiátricos para desintoxicar crianças e adolescente.
A unidade tem nove leitos e 11 profissionais especializados. Desde a criação do setor há um ano e nove meses sempre sobram vagas.
— Tentamos manter constante comunicação com os órgãos especializados que podem enviar esses pacientes para cá, mas, mesmo assim, não estamos tendo resultado — afirmou Francieli de Mello, coordenadora da unidade.
Para a equipe, formada por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, a baixa procura pode estar associada a dois fatores: desinformação e resistência da própria família.
Conforme os especialistas, a desintoxicação do dependente químico no Hospital Santa Luzia pode durar até três semanas.
Depois, ele é encaminhado para outros locais para continuar o tratamento. O espaço recebe pacientes que ainda não tenham completado 18 anos, de qualquer cidade do Estado.
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