ISIS BRUM - JORNAL DA TARDE, 17 de abril de 2011
O lançamento mundial de um medicamento produzido à base de maconha pela farmacêutica britânica GW Pharma, e que será comercializado na América do Norte e na Europa pelo laboratório Novartis, reacendeu as discussões entre os especialistas brasileiros sobre o uso medicinal da droga no País. Por aqui, o princípio ativo do remédio (Sativex), usado para aliviar a dor de pacientes com esclerose múltipla, não é permitido.
O Brasil é signatário de tratados diversos que consideram a substância ilícita, o que dificulta inclusive o desenvolvimento de pesquisas científicas sobre as propriedades terapêuticas da planta e suas reações no cérebro.
Pesquisadores ouvidos pelo JT comparam a importância do estudo da cannabis sativa (nome científico da maconha) com a relevância do ópio para o desenvolvimento da morfina – medicamento essencial para o tratamento da dor aguda. E reforçam o argumento de que a possibilidade de uso medicinal não é sinônimo de liberação ou legalização da droga.
“O medicamento tem estudo clínico, existem proporções corretas das substâncias usadas, imprescindíveis ao seu funcionamento”, defende Hercílio Pereira de Oliveira Júnior, médico psiquiatra do Programa Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (Grea) da Universidade de São Paulo (USP).
De acordo com Oliveira Júnior, ao contrário do remédio, a droga ilícita não tem padrões de equilíbrio entre os substratos terapêuticos e pode causar danos à saúde de quem a consome. “Pode ampliar a ansiedade, causar um estado depressivo e psicótico, com alucinações, e problemas pulmonares provocados pelo ato de fumar.”
Perspectivas
Estudos comprovam que a cannabis reduz os efeitos colaterais da quimioterapia, como náusea e vômito, estimula o apetite em pacientes com aids, pode ser usada para tratar o glaucoma e aliviar a dor crônica. “As perspectivas científicas mostram que vale a pena aprofundar os estudos sobre a planta”, avalia Oliveira Júnior.
O Sativex, por exemplo, não é vendido como cigarro – e sim na forma de um spray. Sua composição reúne apenas dois substratos da maconha: o delta9-tetraidrocanabinol e o canabidiol.
“Não causa mais ou menos dependência do que calmantes e antidepressivos. A dependência não é argumento considerável para proibir até mesmo a pesquisa”, diz Dartiu Xavier da Silveira, professor livre-docente em Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo.
Defensor da criação de uma agência reguladora para o setor, Oliveira critica a legislação restritiva brasileira e afirma que o preconceito trava a pesquisa de medicamentos que poderiam ser desenvolvidos até para tratar a dependência química.
“A questão não é proibir, mas controlar. Não se proíbe a morfina porque algumas pessoas fazem mau uso”, avalia. O psiquiatra lembra que não é necessário o plantio em terras brasileiras da maconha para os estudos. “Para pesquisa, podemos importar.”
Diretor do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Unifesp, o psicofarmacologista Elisaldo Carlini também acredita que o Brasil está atrasado em relação às pesquisas sobre o potencial terapêutico da maconha por puro preconceito.
“No século passado, foi considerada droga diabólica e só nos últimos 30 anos é que se retomaram os estudos terapêuticos”, conta Carlini. De acordo com ele, pesquisas mostraram que o cérebro humano possui ramais de neurotransmissores e receptores sensíveis ao estímulo da cannabis. O sistema foi chamado de endocanabinoide, que, se cientificamente estudado e estimulado, pode levar ao alívio ou à cura de várias doenças.
Legislação
Até o momento, a legislação brasileira proíbe o consumo de qualquer medicamento à base de maconha. Mas uma decisão judicial pode autorizar seu uso em casos específicos.
A comercialização do Sativex ainda não foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Procurada pelo Jornal da Tarde, a agência não se manifestou sobre o assunto.
COMPROMETIMENTO DOS PODERES
As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.
segunda-feira, 18 de abril de 2011
LÍDER PARTIDÁRIO DEFENDE PLANTIO DE MACONHA EM COOPERATIVA
Líder do PT defende plantio de maconha em cooperativa - FILIPE COUTINHO, DE BRASÍLIA - FOLHA ONLINE, 17/04/2011 - 07h33
Na contramão do que prega o governo Dilma Rousseff, o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), defende a liberação do plantio de maconha e a criação de cooperativas formadas por usuários.
Num recente debate sobre o assunto, o deputado disse que a política de "cerco" às drogas é "perversa" e gera mais violência. Dilma assumiu o governo incluindo entre suas prioridades o combater "sem tréguas" ao crime organizado e às drogas.
Em janeiro, a presidente desistiu de nomear o então secretário Nacional de Justiça Pedro Abramovay para a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas depois que ele sugeriu numa entrevista a adoção de penas alternativas para pequenos traficantes.
Assim como Abramovay, o líder do PT na Câmara afirmou que a prisão de pequenos traficantes contribui para engrossar as fileiras das organizações criminosas.
"São mães de família que sozinhas têm que criar os filhos e passam a vender", disse o deputado. "As prisões têm levado a organizar a violência contra a sociedade."
Teixeira falou sobre o assunto num debate organizado pelos grupos "Matilha Cultural" e "Desentorpecendo a Razão" em São Paulo, em 24 de fevereiro, um mês após a queda de Abramovay.
Um vídeo com a íntegra da exposição foi publicado no blog do deputado e no site Hempadão (cujo título faz uma brincadeira com as palavras "hemp", maconha em inglês, e "empadão").
MODELO ESPANHOL
Teixeira disse no debate que o governo deveria autorizar a criação de cooperativas para o plantio e a distribuição da maconha. "O melhor modelo é o da Espanha: cooperativas de usuários, onde se produz para o consumo dos próprios usuários, sem fins lucrativos", afirmou.
O líder do PT disse que, se comer sanduíches do McDonald's, "talvez o maior crime", não é proibido, o governo não poderia impedir também o plantio de maconha.
"Cabe ao Estado dizer que faz mal à saúde. Não existe crime de autolesão. Se eu quero, eu posso usar, tenho direitos como usuário. E isso o Estado não pode te negar."
Segundo ele, a forma como o governo e alguns juízes tratam as drogas é um tiro no pé: não garante a segurança nem a saúde dos usuários.
A Folha fez vários pedidos de entrevista ao deputado desde 16 de março, mas sua assessoria não deu resposta.
No debate de fevereiro, Teixeira fez um apelo aos usuários de maconha: "Só a coragem pública daqueles que vão às ruas discutir fará com que esse tema avance".
Ele disse que irá sugerir ao Ministério da Justiça que o Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas faça um projeto com as "mudanças óbvias". O deputado afirmou ainda que pedirá o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB) --simpatizantes de mudanças na legislação sobre drogas.
Para o líder do PT, a proliferação do crack complicou a discussão sobre a maconha. "Ele não é o todo, ele é uma parte. É o resultado dessa política de cerco. Ele não pode interditar o debate sobre as demais drogas recreativas".
Ao defender a regulamentação do plantio da maconha, Teixeira afirmou que isso não aumentaria a oferta da droga. "Esse cenário que as pessoas têm medo, de que 'no dia em que legalizar, vão oferecer ao meu filho', não é o futuro, é o presente. Hoje liberou geral. É mais fácil adquirir drogas na escola do que comprar antibióticos."
A legislação atual prevê medidas socioeducativas para usuários da droga apanhados em flagrante e prisão para os traficantes.
Na contramão do que prega o governo Dilma Rousseff, o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP), defende a liberação do plantio de maconha e a criação de cooperativas formadas por usuários.
Num recente debate sobre o assunto, o deputado disse que a política de "cerco" às drogas é "perversa" e gera mais violência. Dilma assumiu o governo incluindo entre suas prioridades o combater "sem tréguas" ao crime organizado e às drogas.
Em janeiro, a presidente desistiu de nomear o então secretário Nacional de Justiça Pedro Abramovay para a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas depois que ele sugeriu numa entrevista a adoção de penas alternativas para pequenos traficantes.
Assim como Abramovay, o líder do PT na Câmara afirmou que a prisão de pequenos traficantes contribui para engrossar as fileiras das organizações criminosas.
"São mães de família que sozinhas têm que criar os filhos e passam a vender", disse o deputado. "As prisões têm levado a organizar a violência contra a sociedade."
Teixeira falou sobre o assunto num debate organizado pelos grupos "Matilha Cultural" e "Desentorpecendo a Razão" em São Paulo, em 24 de fevereiro, um mês após a queda de Abramovay.
Um vídeo com a íntegra da exposição foi publicado no blog do deputado e no site Hempadão (cujo título faz uma brincadeira com as palavras "hemp", maconha em inglês, e "empadão").
MODELO ESPANHOL
Teixeira disse no debate que o governo deveria autorizar a criação de cooperativas para o plantio e a distribuição da maconha. "O melhor modelo é o da Espanha: cooperativas de usuários, onde se produz para o consumo dos próprios usuários, sem fins lucrativos", afirmou.
O líder do PT disse que, se comer sanduíches do McDonald's, "talvez o maior crime", não é proibido, o governo não poderia impedir também o plantio de maconha.
"Cabe ao Estado dizer que faz mal à saúde. Não existe crime de autolesão. Se eu quero, eu posso usar, tenho direitos como usuário. E isso o Estado não pode te negar."
Segundo ele, a forma como o governo e alguns juízes tratam as drogas é um tiro no pé: não garante a segurança nem a saúde dos usuários.
A Folha fez vários pedidos de entrevista ao deputado desde 16 de março, mas sua assessoria não deu resposta.
No debate de fevereiro, Teixeira fez um apelo aos usuários de maconha: "Só a coragem pública daqueles que vão às ruas discutir fará com que esse tema avance".
Ele disse que irá sugerir ao Ministério da Justiça que o Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas faça um projeto com as "mudanças óbvias". O deputado afirmou ainda que pedirá o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB) --simpatizantes de mudanças na legislação sobre drogas.
Para o líder do PT, a proliferação do crack complicou a discussão sobre a maconha. "Ele não é o todo, ele é uma parte. É o resultado dessa política de cerco. Ele não pode interditar o debate sobre as demais drogas recreativas".
Ao defender a regulamentação do plantio da maconha, Teixeira afirmou que isso não aumentaria a oferta da droga. "Esse cenário que as pessoas têm medo, de que 'no dia em que legalizar, vão oferecer ao meu filho', não é o futuro, é o presente. Hoje liberou geral. É mais fácil adquirir drogas na escola do que comprar antibióticos."
A legislação atual prevê medidas socioeducativas para usuários da droga apanhados em flagrante e prisão para os traficantes.
domingo, 17 de abril de 2011
OXI - MAIS LETAL QUE O CRACK, DROGA SE ESPALHA PELO BRASIL

VIAGEM AO ABISMO. Derivado de cocaína e mais letal que o crack, oxi destrói jovens e crianças no Acre - O GLOBO, 16/04/2011 às 18h46m. Carolina Benevides, enviada especial
RIO BRANCO - As ruas de Rio Branco são hoje um retrato da degradação provocada por uma nova droga, mais letal do que o crack, que está se espalhando pelo Brasil: o oxi, um subproduto da cocaína. A droga chegou ao país pelo Acre. Na capital, ao redor do Rio Acre, perto de prédios públicos, no Centro da cidade, nas periferias e em bairros de classe média alta, viciados em oxi perambulam pelas ruas e afirmam: "Não tem bairro onde não se encontre a pedra".
O oxi, abreviação de oxidado, é uma mistura de base livre de cocaína, querosene - ou gasolina, diesel e até solução de bateria -, cal e permanganato de potássio. Como o crack, o oxi é uma pedra, só que branca, e é fumado num cachimbo. A diferença é que é mais barato e mata mais rápido.
A pedra tem 80% de cocaína, enquanto o crack não passa de 40%. O oxi veio da Bolívia e do Peru e entrou no país pelo Acre, a partir dos municípios de Brasiléia e Epitaciolândia. Hoje está em todos os estados da Região Norte, em Goiânia e em Mato Grosso do Sul, no Distrito Federal, em alguns estados do Nordeste e acaba de chegar a São Paulo. No Rio, os primeiros relatos de que a pedra pode ser encontrada na capital também já começaram a aparecer. Mas a polícia ainda não registrou apreensões.
Estado que faz fronteira com o Peru e a Bolívia - os maiores produtores de cocaína do mundo - e ainda próximo à Colômbia, o Acre há tempos virou rota do tráfico internacional. De uns anos para cá, a facilidade com que a base livre de cocaína cruza as fronteiras fez com que o oxi tomasse conta da capital e de pequenos municípios. A pedra age rápido: viciados dizem que não leva 20 segundos para sentir um "barato" e que em cinco minutos a pessoa já está com vontade de usar de novo. Fumado, geralmente em latas de bebida ou em cachimbos como os que servem para o crack, o oxi tem potencial para viciar logo na primeira vez e é uma droga barata: é vendida em média por R$ 5 e até R$ 2.
- Quando a Bolívia se tornou produtora, o preço caiu e a cocaína se difundiu no Acre. A realidade é que o oxi é barato, está espalhado por Rio Branco e tem potencial para se espalhar por todo o Brasil, já que a base livre de cocaína está em todos os estados do país e já foi apreendida em todos os lugares. O oxi não precisa de laboratório para ser produzido, e isso facilita a expansão - diz Maurício Moscardi, delegado da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal no Acre, que em 2010 apreendeu no estado quase 300 quilos de base livre de cocaína.
SBT - Conexão Repórter - OXI, Uma Droga que Ameaça - 11/11/10
EM BOCA FECHADA NÃO ENTRA MOSCA

Na semana que passou, o senhor Tarso Genro proferiu uma palestra em uma aula magna da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Nesse evento, foi aplaudido e gerou gargalhadas dos presentes. Pasmem, o assunto que gerou tal reação foi a posição do nosso governador com relação a maior tolerância à maconha.
Na ocasião, o senhor governador “também reconheceu que não foi por falta de vontade que ele não experimentou maconha na juventude”.
Conforme ele, “era porque as condições em que a gente vivia, trabalhando na clandestinidade, não permitiam adicionar mais uma questão de segurança. Apenas por isso. Mas dizem que é muito bom”.
Fazer tal afirmação é um modo sutil de dizer que vivia fora das leis, ou será que os traficantes, atravessadores de produtos roubados, assassinos e outros fora da lei também não vivem na clandestinidade?
Também afirma nosso governador que “a Cannabis sativa (nome científico da planta da maconha) é diferente da heroína. Muitos especialistas dizem fazer menos mal do que o cigarro. Dizem. Eu nunca vi uma pessoa matar por ter fumado um cigarro de maconha”.
Com relação a esta afirmação, eu gostaria que o nosso governador participasse apenas uma vez de um grupo de apoio ou tivesse tempo de ouvir um pai ou uma mãe que tem seu filho dependente dessa droga. Ele veria que o grande mal dessa droga está na destruição das relações familiares, além, é claro, das doenças que essa droga traz, sendo as sequelas mentais as mais graves. Quanto ao fato de ele não saber de alguém que matou por ter fumado um cigarro de maconha, eu também não tenho conhecimento, mas aqueles que fumam o segundo, terceiro, quarto... estes agridem, mentem, roubam e, quando a maconha não tem mais o efeito desejado pelo estado de dependência, partem para outras drogas e muitos chegam ao crack, que hoje é chamado a pedra da morte, que a mídia nos mostra diariamente que esta droga mata o usuário e este mata para ter condições de ter a droga.
Em 2009, o senhor Tarso, falando na CPI da Violência sobre a proposta do Ministério da Justiça de acabar com a prisão para pequenos traficantes, disse: “Não os identifico como pequenos traficantes, mas como jovens que são vítimas dos grupos criminosos. Eles são aparelhados pelo crime e acabam incorporados pela estrutura porque não têm alternativas”.
Com relação a esta posição, quero lembrar o senhor governador de que esses jovens “não têm alternativas” porque nossos governantes, que deveriam prover as oportunidades de estudo e emprego, não o fazem, levando muitos deles, com uma estrutura familiar frágil, ao crime, que é extremamente organizado. Temos que ter a consciência de que as drogas chegam aos dependentes por esses jovens “sem alternativas”, pois os grandes traficantes estão em total proteção na clandestinidade, inclusive nas penitenciárias, gerindo suas “organizações criminosas”.
Eu gostaria muito de ter 30 minutos do precioso tempo do nosso governador não apenas para mostrar a ele os malefícios da maconha e outras drogas. Mas, sim, para levar alguns pais que tenham esse tipo de problema em seus lares para que o senhor governador ouvisse a verdadeira realidade em que vivem essas pessoas.
Pensar todos podem, mas algumas pessoas, pela posição que ocupam perante a sociedade, deveriam medir melhor o resultado e a força que têm suas palavras.
Ser aplaudido por futuros profissionais das mais diversas áreas por defender uma maior tolerância à maconha me assusta, pois faz pensar que teremos que ter no futuro mais tolerância também com heroína, LSD, cocaína, êxtase, crack e tantas outras drogas que temos hoje no mundo.
SILVIO HOLDERBAUM, PUBLICITÁRIO - ZERO HORA 17/04/2011
sexta-feira, 15 de abril de 2011
CRACK LEVA GAROTA A MATAR APOSENTADA
Adolescente foi descoberta após vender macarrão roubado da casa da vítima - MARIELISE FERREIRA, zero hora 15/04/2011
Ainda abalados com a morte da aposentada Nelci Dias da Silva, 92 anos, com golpes de faca e tesoura na quarta-feira, os moradores do bairro Progresso, em Erechim, sofreram ontem um segundo choque. Acompanhada da mãe, uma garota de 13 anos confessou o crime na Delegacia da Polícia Civil, no estopim de uma história de dependência do crack que já dura dois anos.
Vinda de uma família desestruturada e pobre, a garota cresceu em meio a dificuldades com outros dois irmãos mais velhos. Há dois anos um registro policial feito pela própria mãe já acenava com um pedido de socorro. Ela relatou que um dos filhos mais velhos teria ferido o outro acidentalmente ao manusear uma espingarda, dentro de casa.
Com a situação familiar complicada, agravada pela circulação intensa de drogas no bairro onde mora, era difícil que o destino da adolescente fosse outro: passou a envolver-se com o crack.
– Isto é a droga da pedra. O bairro estava bem mais tranquilo, mas ultimamente tem droga por toda a parte e até crianças pequenas, com menos de nove anos, usando – conta uma moradora.
As amigas da garota que até o ano passado frequentava a 4ª série do Ensino Fundamental em uma escola municipal veem na droga o marco que transtornou a vida dela. Aos poucos, começou a cometer pequenos furtos no bairro, vitimando e aterrorizando moradores de Erechim como Nelci.
A situação ficou tão complicada que abandonou a casa da mãe para viver com o namorado e ainda deixou os estudos.
– Ela era uma menina normal, como a gente. Apenas tinha um pouco de dificuldade no colégio – conta uma colega da escola.
A confissão do crime foi feita em meio às lágrimas. Ela contou ao delegado que estava sob o efeito de drogas no momento em que assassinou a idosa. A motivação banal chamou ainda mais atenção: ela estaria desgostosa com Nelci, que teria reclamado entre os vizinhos de um furto de botijão de gás. O seu envolvimento no caso foi descoberto depois que ela tentou vender dois pacotes de macarrão que teria levado da casa após o assassinato.
Infratora foi internada em clínica de reabilitação
O delegado José Roberto Lukaszewigz, titular da 2ª Delegacia de Polícia Civil de Erechim viu a confissão com reservas e disse que é preciso investigar mais para encontrar evidências que confirmem e versão da garota. A investigação também deverá apurar se há outras pessoas envolvidas no caso, ou se ela realmente teria cometido o crime sozinha.
– Apenas a confissão não é suficiente, vamos buscar outras evidências que possam comprovar a participação da adolescente no crime – salientou o delegado.
Depois de confessar o crime, a garota que estava morando com a sogra precisou se mudar para a casa do pai, um porão a seis quadras do local do crime. Mas ainda na tarde de ontem, foi conduzida pelo Conselho Tutelar para uma clínica de recuperação onde foi internada.
A medida, conforme a promotoria de Justiça, é protetiva. A possibilidade de internação em casa correcional só será avaliada pela Justiça após a conclusão do inquérito, se for comprovada a participação da adolescente.
Como teria sido o crime, segundo relato da garota:
- Indignada com os comentários sobre o furto de um botijão de gás na casa da vítima, a adolescente teria batido à porta da residência durante a noite, dizendo que queria visitá-la.
- Quando Nelci abriu a porta, já foi atacada pela garota, que levava consigo uma faca. Ela contou estar sob o efeito do crack no momento em que chegou a casa da idosa.
- Antes de sair ela teria jogado um cobertor sobre a aposentada, que ficou caída ao chão do quarto, já sem vida.
Ainda abalados com a morte da aposentada Nelci Dias da Silva, 92 anos, com golpes de faca e tesoura na quarta-feira, os moradores do bairro Progresso, em Erechim, sofreram ontem um segundo choque. Acompanhada da mãe, uma garota de 13 anos confessou o crime na Delegacia da Polícia Civil, no estopim de uma história de dependência do crack que já dura dois anos.
Vinda de uma família desestruturada e pobre, a garota cresceu em meio a dificuldades com outros dois irmãos mais velhos. Há dois anos um registro policial feito pela própria mãe já acenava com um pedido de socorro. Ela relatou que um dos filhos mais velhos teria ferido o outro acidentalmente ao manusear uma espingarda, dentro de casa.
Com a situação familiar complicada, agravada pela circulação intensa de drogas no bairro onde mora, era difícil que o destino da adolescente fosse outro: passou a envolver-se com o crack.
– Isto é a droga da pedra. O bairro estava bem mais tranquilo, mas ultimamente tem droga por toda a parte e até crianças pequenas, com menos de nove anos, usando – conta uma moradora.
As amigas da garota que até o ano passado frequentava a 4ª série do Ensino Fundamental em uma escola municipal veem na droga o marco que transtornou a vida dela. Aos poucos, começou a cometer pequenos furtos no bairro, vitimando e aterrorizando moradores de Erechim como Nelci.
A situação ficou tão complicada que abandonou a casa da mãe para viver com o namorado e ainda deixou os estudos.
– Ela era uma menina normal, como a gente. Apenas tinha um pouco de dificuldade no colégio – conta uma colega da escola.
A confissão do crime foi feita em meio às lágrimas. Ela contou ao delegado que estava sob o efeito de drogas no momento em que assassinou a idosa. A motivação banal chamou ainda mais atenção: ela estaria desgostosa com Nelci, que teria reclamado entre os vizinhos de um furto de botijão de gás. O seu envolvimento no caso foi descoberto depois que ela tentou vender dois pacotes de macarrão que teria levado da casa após o assassinato.
Infratora foi internada em clínica de reabilitação
O delegado José Roberto Lukaszewigz, titular da 2ª Delegacia de Polícia Civil de Erechim viu a confissão com reservas e disse que é preciso investigar mais para encontrar evidências que confirmem e versão da garota. A investigação também deverá apurar se há outras pessoas envolvidas no caso, ou se ela realmente teria cometido o crime sozinha.
– Apenas a confissão não é suficiente, vamos buscar outras evidências que possam comprovar a participação da adolescente no crime – salientou o delegado.
Depois de confessar o crime, a garota que estava morando com a sogra precisou se mudar para a casa do pai, um porão a seis quadras do local do crime. Mas ainda na tarde de ontem, foi conduzida pelo Conselho Tutelar para uma clínica de recuperação onde foi internada.
A medida, conforme a promotoria de Justiça, é protetiva. A possibilidade de internação em casa correcional só será avaliada pela Justiça após a conclusão do inquérito, se for comprovada a participação da adolescente.
Como teria sido o crime, segundo relato da garota:
- Indignada com os comentários sobre o furto de um botijão de gás na casa da vítima, a adolescente teria batido à porta da residência durante a noite, dizendo que queria visitá-la.
- Quando Nelci abriu a porta, já foi atacada pela garota, que levava consigo uma faca. Ela contou estar sob o efeito do crack no momento em que chegou a casa da idosa.
- Antes de sair ela teria jogado um cobertor sobre a aposentada, que ficou caída ao chão do quarto, já sem vida.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
CUIDADO, COMPANHEIRO
Já havia sido bem demonstrado que o uso de maconha por jovens está associado à queda no desempenho escolar, à evasão escolar, à formação acadêmica inferior e ao aumento do desemprego medido aos 25 anos. Igualmente, está bem demonstrado o aumento da prevalência dos quadros depressivos em usuários de maconha. Agora, a prestigiosa revista British Medical Journal acaba de publicar um estudo bem controlado de seguimento de 10 anos e conduzido em diferentes centros de pesquisa, entre os quais o King’s College of London e o Max Planck Institute de Munique, com jovens usuários de maconha, concluindo o que outros autores tinham suspeitado: que o uso de maconha duplica a chance de alguém ter um quadro psicótico.
Por outro lado, também está bem demonstrado, em nossa cultura, que, na história natural de um dependente químico, a primeira droga de experimentação é o álcool. A segunda, a maconha, que, no Brasil, é a droga ilícita mais consumida e, infelizmente, Porto Alegre, a campeã no seu consumo por jovens que, ensinam-nos os últimos achados das neurociências, apenas aos 22, 23 anos completam seu amadurecimento cerebral. Antes disso, apresentam importantes dificuldades no processo de tomada de decisões razoáveis, posto que sua região cortical responsável por fazer isso, o córtex pré-frontal, encontra-se imatura.
Devido a esta grande imaturidade do cérebro juvenil, é que se impõe que tanto os pais quanto os educadores tomem conta de seus filhos/alunos adolescentes. De fato, pais que sabem onde seu filho está, com quem e fazendo o que, têm 12 vezes menos filhos envolvidos com drogas do que os que não sabem. Igualmente, um Estado que protege seus adolescentes impedindo-os de consumir bebidas alcoólicas e reduzindo a oferta das drogas ilícitas está cumprindo o seu papel.
Portanto, um dos vértices importantes de um programa de prevenção dos problemas decorrentes do consumo de drogas é diminuir o aporte global destas em nossa sociedade. Mecanismos eficazes de controle estão bem delineados. Entre eles a lei seca no trânsito, a proibição de propaganda de álcool e tabaco, bem como o desestímulo geral de consumo de drogas ilícitas.
Quando os jovens que já experimentaram maconha são perguntados por que o fizeram, a resposta universal é por curiosidade e pressão do grupo. Quando os não experimentadores, a maioria, são inquiridos sobre os motivos da não experimentação, a resposta é porque faz mal para a saúde e porque é proibido. Logo, qualquer grau de liberação de seu consumo haverá de elevá-lo, com consequente aumento de todos os problemas acima mencionados.
Conclusão: dependência química é uma doença evitável, sua prevenção se faz através de programas públicos bem orquestrados em que, segundo a Organização Mundial de Saúde, não há qualquer espaço para a liberação do consumo de maconha.
Como os profissionais de saúde que lidam com a questão encontram-se bem preparados para colaborar na elaboração destes programas, colocamo-nos à disposição. A primeira colaboração deverá ir no sentido de proteger as autoridades de expressarem opiniões que colidam com o que a ciência tem nos demonstrado e que, em boa hora, a Organização Mundial de Saúde acaba de defender.
Sérgio de Paula Ramos, Psiquiatra e psicanalista, membro do conselho consultivo da Associação Brasileira de Estudos sobre o Álcool e outras Drogas - ZERO HORA 08/04/2011
Por outro lado, também está bem demonstrado, em nossa cultura, que, na história natural de um dependente químico, a primeira droga de experimentação é o álcool. A segunda, a maconha, que, no Brasil, é a droga ilícita mais consumida e, infelizmente, Porto Alegre, a campeã no seu consumo por jovens que, ensinam-nos os últimos achados das neurociências, apenas aos 22, 23 anos completam seu amadurecimento cerebral. Antes disso, apresentam importantes dificuldades no processo de tomada de decisões razoáveis, posto que sua região cortical responsável por fazer isso, o córtex pré-frontal, encontra-se imatura.
Devido a esta grande imaturidade do cérebro juvenil, é que se impõe que tanto os pais quanto os educadores tomem conta de seus filhos/alunos adolescentes. De fato, pais que sabem onde seu filho está, com quem e fazendo o que, têm 12 vezes menos filhos envolvidos com drogas do que os que não sabem. Igualmente, um Estado que protege seus adolescentes impedindo-os de consumir bebidas alcoólicas e reduzindo a oferta das drogas ilícitas está cumprindo o seu papel.
Portanto, um dos vértices importantes de um programa de prevenção dos problemas decorrentes do consumo de drogas é diminuir o aporte global destas em nossa sociedade. Mecanismos eficazes de controle estão bem delineados. Entre eles a lei seca no trânsito, a proibição de propaganda de álcool e tabaco, bem como o desestímulo geral de consumo de drogas ilícitas.
Quando os jovens que já experimentaram maconha são perguntados por que o fizeram, a resposta universal é por curiosidade e pressão do grupo. Quando os não experimentadores, a maioria, são inquiridos sobre os motivos da não experimentação, a resposta é porque faz mal para a saúde e porque é proibido. Logo, qualquer grau de liberação de seu consumo haverá de elevá-lo, com consequente aumento de todos os problemas acima mencionados.
Conclusão: dependência química é uma doença evitável, sua prevenção se faz através de programas públicos bem orquestrados em que, segundo a Organização Mundial de Saúde, não há qualquer espaço para a liberação do consumo de maconha.
Como os profissionais de saúde que lidam com a questão encontram-se bem preparados para colaborar na elaboração destes programas, colocamo-nos à disposição. A primeira colaboração deverá ir no sentido de proteger as autoridades de expressarem opiniões que colidam com o que a ciência tem nos demonstrado e que, em boa hora, a Organização Mundial de Saúde acaba de defender.
Sérgio de Paula Ramos, Psiquiatra e psicanalista, membro do conselho consultivo da Associação Brasileira de Estudos sobre o Álcool e outras Drogas - ZERO HORA 08/04/2011
quinta-feira, 7 de abril de 2011
MACONHA - GOVERNADOR DO RS DEFENDE MAIOR TOLERÂNCIA

AULA MAGNA. Tarso defende maior tolerância à maconha. Governador ponderou que seriam necessários estudos antes de liberação - ZERO HORA 07/04/2011
Diante de um Salão de Atos lotado de alunos e professores, o governador Tarso Genro defendeu ontem, em aula magna na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), uma maior tolerância em relação ao uso da maconha, mas afirmou que uma eventual liberação deve ser precedida de estudos científicos. Também reconheceu que não foi por “falta de vontade” que ele não experimentou maconha na juventude.
– Na minha época, a gente não fumava não porque não tivesse vontade. Era porque as condições que a gente vivia, trabalhando na clandestinidade, não permitiam adicionar mais uma questão de segurança. Apenas por isso. Mas dizem que é muito saboroso – afirmou Tarso.
Surpresa, a plateia, que incluía o reitor, Carlos Alexandre Netto, e o vice-reitor, Rui Vicente Oppermann, respondeu com gargalhadas e aplausos. No final, o governador foi novamente aplaudido quando, emocionado, chorou ao lembrar de Nelson Mandela, o líder da luta contra o apartheid na África do Sul que disse que, além de libertar os negros da opressão, queria também libertar os brancos do medo.
– Desculpem, sempre que eu falo no Mandela, faço fiasco – justificou.
O choro e as declarações sobre drogas acabaram sendo o ponto alto da palestra A Universidade e Futuro da República, em que não faltaram citações e referências a pensadores como Karl Marx, Immanuel Kant e Martin Heidegger. Respondendo a uma pergunta sobre o tráfico, Tarso primeiro explicou que o dinheiro da droga se imiscui em todas as esferas da sociedade, transformando-se em capital industrial, financeiro e até obras de benemerência.
– Se não fosse o componente econômico, eu não veria problema para liberar as drogas em circunstâncias muito específicas. Agora, na situação atual, a legalização não ajudaria a combater essa transformação da droga em dinheiro, de dinheiro em poder, do poder em política e assim por diante. É um elemento de crise civilizatória, não sei sinceramente qual é a melhor saída – afirmou.
Tarso reforça diferenças entre maconha e as outras drogas
O governador disse também que uma regulação do uso de drogas deve ser precedida de estudos científicos que avaliem os riscos para a saúde.
– A Cannabis sativa (nome científico da planta da maconha) é diferente da heroína. Muitos especialistas dizem fazer menos mal do que o cigarro. Dizem. Eu nunca vi uma pessoa matar por ter fumado um cigarro de maconha.
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