Crise de abstinência do crack assusta médicos. Crianças internadas no Rio têm três surtos de 40 minutos por dia. Jornal do Brasil - Caio de Menezes - 15/06/2011
Um acordo entre o Ministério Público, a Vara da Infância da Juventude do Rio de Janeiro e a Secretaria Municipal da Assistência Social determinou que crianças e adolescentes apreendidos enquanto consomem crack, se comprovado o vício, serão internados de forma compulsória para tratamento da dependência.
O Jornal do Brasil visitou a Casa Viva, espaço em Laranjeiras (Zona Sul do Rio), para onde são levados os meninos e meninas abordados nas cracolândias da cidade. Funcionando desde o último dia 25, o abrigo, que tem capacidade para 25 pessoas, conta hoje com oito internos.
Ex-viciado ajuda a salvar garotos dependentes de crack. Jornal do Brasil - Caio de Menezes
No abrigo onde estão internados compulsoriamente oito meninos e meninas dependentes de crack encontrados nas ruas do Rio, merece destaque um homem robusto e com cara de mau. Além do tamanho, chama a atenção em Sávio Fernandes, de 38 anos, um dos nove educadores que trabalham na Casa Viva, em Laranjeiras (Zona Sul do Rio) o fato de ser ele um ex-dependente químico. Há dez anos livre das drogas, Sávio viu nesse trabalho a oportunidade de ajudar alguém da forma como também lhe estenderam a mão.
“O meu grande trabalho é poder proporcionar a esses meninos e meninas o entendimento. Eu sei o que estão passando, me vejo neles”, disse ele, que usava cocaína, maconha e álcool. “Tenho a noção de que, quando são agressivos, eles não o fazem por maldade. É pura inconsciência. Sei que não posso responder da mesma forma, eles não têm medo de nada. A resposta que dou é amor e respeito”.
COMPROMETIMENTO DOS PODERES
As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
segunda-feira, 13 de junho de 2011
HERÓI DO COMBATE ÀS DROGAS
Paul Johnson é um dos grandes historiadores e intelectuais da atualidade. Autor do monumental Tempos Modernos, seus textos são provocadores. Dono de cultura invejável e sinceridade afiada, Johnson não sucumbe aos clichês vazios. Em seu livro Os Heróis, destaca a importância decisiva das lideranças morais.
"Os heróis inspiram, motivam. (...) Eles nos ajudam a distinguir o certo do errado e a compreender os méritos morais da nossa causa." Os comentários de Johnson me trazem à memória a vida de um autêntico herói, cuja morte ocorreu na madrugada de 29 de maio, em Taquaritinga, no interior do Estado de São Paulo: Leo de Oliveira, diretor da Comunidade Terapêutica Horto de Deus (www.hortodedeus.org.br).
Leo lutou bravamente contra um câncer devastador. Fragilizado, com as defesas na última lona, sucumbiu ao ataque oportunista de uma pneumonia. Nunca se queixou. Nenhuma revolta. Nenhum ressentimento. Tinha uma fé inquebrantável, raiz de seu otimismo contagiante. Após uma consulta ao seu oncologista, e na iminência de uma nova cirurgia, enviou-me uma mensagem bem característica de sua maneira de enfrentar as contradições: "Não existe outra alternativa. Cirurgia. O novo tumor está atrás do coração. Nada que Deus não possa resolver". Assim era o Leo.
Não pensava em si mesmo. Não tinha tempo. Sua vida foi uma dedicação total aos seus "meninos", aos dependentes de drogas que, ao longo de três décadas, encontraram nele um braço de pai e um coração de mãe. Mais de mil jovens recuperaram a dignidade e a esperança na entidade fundada por Leo de Oliveira. Seu sepultamento, na tarde ensolarada do último domingo de maio, foi impressionante. Centenas de jovens recuperados, vindos dos quatro cantos do Brasil, desembarcaram na pequena Taquaritinga. As lágrimas não eram somente um frêmito de dor. Eram um grito de agradecimento, uma sentida despedida daquele que lhes devolveu a vida.
A comunidade terapêutica fundada por Leo de Oliveira e por sua esposa e fiel seguidora, Suzana Lemos de Oliveira, tem um clima mágico. Trata-se de um pequeno sítio, sem muros e sem grades. Os internos estão lá voluntariamente. Aliás, o desejo explícito de deixar as drogas é um pré-requisito para ingressar na comunidade. As internações compulsórias, em clínicas caras e sofisticadas, frequentemente acabam na amargura da recaída. Falta o essencial: querer. Os pavilhões são simples, limpos, arejados. Sente-se no ar uma alegria que contrasta com a história pregressa dos seus moradores. Lá, depois de terem descido todos os degraus da miséria material e moral, reencontram a chispa da esperança. Vida saudável, laborterapia, disciplina, resgate dos valores e terapia individual e de grupo compõem a receita da instituição.
Em contraste com o trabalho dessa entidade, com notáveis índices de recuperação, vejo, com preocupação, renovadas tentativas de liberação das drogas, algumas capitaneadas por lideranças respeitáveis. É o caso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Reconheço a boa intenção que pode estar movendo a iniciativa, mas só posso creditá-la a uma dose de ingenuidade e de desconhecimento real da dependência química.
Todos, menos os ingênuos, sabem que, assim como não existe meia gravidez, também não há meia dependência. É raro encontrar um consumidor ocasional. Existe, sim, usuário iniciante, mas que muito cedo se transforma em dependente crônico. Afinal, a compulsão é a principal característica do adicto. Um cigarro da "inofensiva" maconha preconizada pelos arautos da liberação pode ser o passaporte para uma overdose de cocaína. Não estou falando de teorias, mas da realidade cotidiana e dramática de muitos dependentes.
Além disso, a maconha, droga glamourizada pelos defensores da descriminação, tem, comprovadamente, efeitos bastante danosos. Ela pode bloquear receptores neurais muito importantes. Pode, efetivamente, causar ansiedade, perda de memória, depressão e surtos psicóticos.
Segundo o respeitado especialista Ronaldo Laranjeira, professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo e coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad), os defensores da liberação preconizam uma solução teórica, mas completamente irreal. "Acha-se no Brasil que se tivermos maior liberdade para usarmos drogas, ou afrouxarmos os controles sociais, acabaremos com o crime, com o tráfico e com o consumo de drogas. Somente uma visão desconectada do mundo das drogas poderia sustentar esse castelo de areia conceitual. Um dos aspectos importantes é que ao afrouxarmos os controles sociais aumentaremos o consumo das drogas. Quem pagará essa conta será a população com menor poder aquisitivo, e não aquela que participa de passeatas em favor da maconha. Um a cada dez adolescentes que consomem maconha terão um surto psicótico. O custo social e humano desse fenômeno será pago por quem menos consegue arcar com a saúde. Os grandes desafios em relação às drogas no Brasil é criarmos experiências de prevenção que efetivamente funcionem e desenvolvermos um sistema de tratamento para os que ficam dependentes químicos".
As drogas estão matando a juventude. A dependência química não admite discursos ingênuos, mas ações firmes e investimentos na prevenção e recuperação de dependentes. Leo de Oliveira morreu pobre. Nunca ocupou as manchetes dos jornais. Mas foi um autêntico herói. Os dependentes de drogas recuperados pela eficácia do seu trabalho silencioso encontraram nele um exemplo e um modelo de dedicação e carinho. Sua existência foi fecunda. E sua presença se perpetuará no brilho dos olhos de centenas de jovens.
CARLOS ALBERTO DI FRANCO - DOUTOR EM COMUNICAÇÃO, É PROFESSOR DE ÉTICA E DIRETOR DO MASTER EM JORNALISMO E-MAIL: DIFRANCO@IICS.ORG.BR - O Estado de S.Paulo - 13/06/2011
"Os heróis inspiram, motivam. (...) Eles nos ajudam a distinguir o certo do errado e a compreender os méritos morais da nossa causa." Os comentários de Johnson me trazem à memória a vida de um autêntico herói, cuja morte ocorreu na madrugada de 29 de maio, em Taquaritinga, no interior do Estado de São Paulo: Leo de Oliveira, diretor da Comunidade Terapêutica Horto de Deus (www.hortodedeus.org.br).
Leo lutou bravamente contra um câncer devastador. Fragilizado, com as defesas na última lona, sucumbiu ao ataque oportunista de uma pneumonia. Nunca se queixou. Nenhuma revolta. Nenhum ressentimento. Tinha uma fé inquebrantável, raiz de seu otimismo contagiante. Após uma consulta ao seu oncologista, e na iminência de uma nova cirurgia, enviou-me uma mensagem bem característica de sua maneira de enfrentar as contradições: "Não existe outra alternativa. Cirurgia. O novo tumor está atrás do coração. Nada que Deus não possa resolver". Assim era o Leo.
Não pensava em si mesmo. Não tinha tempo. Sua vida foi uma dedicação total aos seus "meninos", aos dependentes de drogas que, ao longo de três décadas, encontraram nele um braço de pai e um coração de mãe. Mais de mil jovens recuperaram a dignidade e a esperança na entidade fundada por Leo de Oliveira. Seu sepultamento, na tarde ensolarada do último domingo de maio, foi impressionante. Centenas de jovens recuperados, vindos dos quatro cantos do Brasil, desembarcaram na pequena Taquaritinga. As lágrimas não eram somente um frêmito de dor. Eram um grito de agradecimento, uma sentida despedida daquele que lhes devolveu a vida.
A comunidade terapêutica fundada por Leo de Oliveira e por sua esposa e fiel seguidora, Suzana Lemos de Oliveira, tem um clima mágico. Trata-se de um pequeno sítio, sem muros e sem grades. Os internos estão lá voluntariamente. Aliás, o desejo explícito de deixar as drogas é um pré-requisito para ingressar na comunidade. As internações compulsórias, em clínicas caras e sofisticadas, frequentemente acabam na amargura da recaída. Falta o essencial: querer. Os pavilhões são simples, limpos, arejados. Sente-se no ar uma alegria que contrasta com a história pregressa dos seus moradores. Lá, depois de terem descido todos os degraus da miséria material e moral, reencontram a chispa da esperança. Vida saudável, laborterapia, disciplina, resgate dos valores e terapia individual e de grupo compõem a receita da instituição.
Em contraste com o trabalho dessa entidade, com notáveis índices de recuperação, vejo, com preocupação, renovadas tentativas de liberação das drogas, algumas capitaneadas por lideranças respeitáveis. É o caso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Reconheço a boa intenção que pode estar movendo a iniciativa, mas só posso creditá-la a uma dose de ingenuidade e de desconhecimento real da dependência química.
Todos, menos os ingênuos, sabem que, assim como não existe meia gravidez, também não há meia dependência. É raro encontrar um consumidor ocasional. Existe, sim, usuário iniciante, mas que muito cedo se transforma em dependente crônico. Afinal, a compulsão é a principal característica do adicto. Um cigarro da "inofensiva" maconha preconizada pelos arautos da liberação pode ser o passaporte para uma overdose de cocaína. Não estou falando de teorias, mas da realidade cotidiana e dramática de muitos dependentes.
Além disso, a maconha, droga glamourizada pelos defensores da descriminação, tem, comprovadamente, efeitos bastante danosos. Ela pode bloquear receptores neurais muito importantes. Pode, efetivamente, causar ansiedade, perda de memória, depressão e surtos psicóticos.
Segundo o respeitado especialista Ronaldo Laranjeira, professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo e coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad), os defensores da liberação preconizam uma solução teórica, mas completamente irreal. "Acha-se no Brasil que se tivermos maior liberdade para usarmos drogas, ou afrouxarmos os controles sociais, acabaremos com o crime, com o tráfico e com o consumo de drogas. Somente uma visão desconectada do mundo das drogas poderia sustentar esse castelo de areia conceitual. Um dos aspectos importantes é que ao afrouxarmos os controles sociais aumentaremos o consumo das drogas. Quem pagará essa conta será a população com menor poder aquisitivo, e não aquela que participa de passeatas em favor da maconha. Um a cada dez adolescentes que consomem maconha terão um surto psicótico. O custo social e humano desse fenômeno será pago por quem menos consegue arcar com a saúde. Os grandes desafios em relação às drogas no Brasil é criarmos experiências de prevenção que efetivamente funcionem e desenvolvermos um sistema de tratamento para os que ficam dependentes químicos".
As drogas estão matando a juventude. A dependência química não admite discursos ingênuos, mas ações firmes e investimentos na prevenção e recuperação de dependentes. Leo de Oliveira morreu pobre. Nunca ocupou as manchetes dos jornais. Mas foi um autêntico herói. Os dependentes de drogas recuperados pela eficácia do seu trabalho silencioso encontraram nele um exemplo e um modelo de dedicação e carinho. Sua existência foi fecunda. E sua presença se perpetuará no brilho dos olhos de centenas de jovens.
CARLOS ALBERTO DI FRANCO - DOUTOR EM COMUNICAÇÃO, É PROFESSOR DE ÉTICA E DIRETOR DO MASTER EM JORNALISMO E-MAIL: DIFRANCO@IICS.ORG.BR - O Estado de S.Paulo - 13/06/2011
domingo, 12 de junho de 2011
O PERIGO DA FALÁCIA
FHC segue na luta para liberar a maconha para uso pessoal. Em uma das reuniões da Comissão Global Sobre Políticas de Drogas, em Genebra, foi destaque nos debates para a sua descriminalização. A partir do argumento de que a “guerra às drogas” falhou, considerando que milhares de pessoas perderam suas vidas na violência associada às drogas, nosso ex-presidente vem a público, mais uma vez, sugerir a prática de um debate sério que possa conduzir à adoção de outras estratégias para tratar do aludido problema.
O fato de estarmos à ponta sul do mapa de nosso país talvez não lhe tenha permitido fazer ver que, cá entre nós, tais debates se proliferam. Em maio de 2009, a RBS lançou campanha institucional visando combater este grande propulsor de dramas familiares com o slogan Crack, Nem Pensar. Em julho de 2010, tais questões foram detalhadas durante o 1º Congresso Internacional Crack e Outras Drogas, promovido pela Associação do Ministério Público do RS em parceria com a UFRGS, em Porto Alegre, do qual participaram conferencistas da Argentina, México e Colômbia, além do Brasil.
Em paralelo, a senadora Ana Amélia acaba de participar de audiência pública que discutiu políticas de tratamento e combate ao consumo de drogas no Brasil, quando foi assinado um termo de cooperação entre Estado, União, Tribunal de Justiça e Ministério Público. Por sua vez, o psiquiatra Sérgio de Paula Ramos, coordenador da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus, vem afirmando – de forma exaustiva – que o brasileiro dá o pontapé inicial rumo às drogas através do álcool, observando que quem evolui para as drogas ilícitas passa primeiro pela maconha e depois pela cocaína. Seu discurso anuncia, também, que em 40 anos de atividades na área, nunca tratou um usuário de co- caína e de crack que não tivesse começado pelo álcool e pela maconha, grifando que, para os menos proficientes na temática, já de algum tempo nossa sociedade pode auferir conhecimento a respeito do assunto através de uma biblioteca inteira de trabalhos científicos brasileiros e internacionais, os quais identificam com clarividência os males produzidos pela maconha à saúde daqueles que a aspiram.
Certamente a questão relativa ao consumo da Cannabis sativa não será alterada simplesmente pela repressão ao tráfico, mas sim pelo combate às causas que levam ao seu consumo, encaminhado por procedimentos educacionais preventivos que eliminem tal manifestação controversa. Faz-se necessária, portanto, a continuidade da veiculação de noticiário incisivo, permitindo evitar que nossos adolescentes – influenciados pela perigosa falácia – venham a se tornar potenciais consumidores da marijuana e, por via de consequência, potenciais dependentes de drogas de muito maior contundência.
JULIO CRUZ, DIRETOR (VOLUNTÁRIO) DA PACTO – PASTORAL DE AUXÍLIO COMUNITÁRIO AO TOXICÔMANO - ZERO HORA 12/06/2011
O fato de estarmos à ponta sul do mapa de nosso país talvez não lhe tenha permitido fazer ver que, cá entre nós, tais debates se proliferam. Em maio de 2009, a RBS lançou campanha institucional visando combater este grande propulsor de dramas familiares com o slogan Crack, Nem Pensar. Em julho de 2010, tais questões foram detalhadas durante o 1º Congresso Internacional Crack e Outras Drogas, promovido pela Associação do Ministério Público do RS em parceria com a UFRGS, em Porto Alegre, do qual participaram conferencistas da Argentina, México e Colômbia, além do Brasil.
Em paralelo, a senadora Ana Amélia acaba de participar de audiência pública que discutiu políticas de tratamento e combate ao consumo de drogas no Brasil, quando foi assinado um termo de cooperação entre Estado, União, Tribunal de Justiça e Ministério Público. Por sua vez, o psiquiatra Sérgio de Paula Ramos, coordenador da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus, vem afirmando – de forma exaustiva – que o brasileiro dá o pontapé inicial rumo às drogas através do álcool, observando que quem evolui para as drogas ilícitas passa primeiro pela maconha e depois pela cocaína. Seu discurso anuncia, também, que em 40 anos de atividades na área, nunca tratou um usuário de co- caína e de crack que não tivesse começado pelo álcool e pela maconha, grifando que, para os menos proficientes na temática, já de algum tempo nossa sociedade pode auferir conhecimento a respeito do assunto através de uma biblioteca inteira de trabalhos científicos brasileiros e internacionais, os quais identificam com clarividência os males produzidos pela maconha à saúde daqueles que a aspiram.
Certamente a questão relativa ao consumo da Cannabis sativa não será alterada simplesmente pela repressão ao tráfico, mas sim pelo combate às causas que levam ao seu consumo, encaminhado por procedimentos educacionais preventivos que eliminem tal manifestação controversa. Faz-se necessária, portanto, a continuidade da veiculação de noticiário incisivo, permitindo evitar que nossos adolescentes – influenciados pela perigosa falácia – venham a se tornar potenciais consumidores da marijuana e, por via de consequência, potenciais dependentes de drogas de muito maior contundência.
JULIO CRUZ, DIRETOR (VOLUNTÁRIO) DA PACTO – PASTORAL DE AUXÍLIO COMUNITÁRIO AO TOXICÔMANO - ZERO HORA 12/06/2011
segunda-feira, 6 de junho de 2011
QUEBRANDO O TABU - COMENTÁRIO DE HUMBERTO TREZZI

O polêmico documentário "Quebrando o Tabu", com FHC - Segurança - H.Trezzi, Zero Hora, clicRBSvídeos - 06/06/11 -
O repórter especial de Zero Hora, Humberto Trezzi, assistiu ao filme que levanta o debate acerca da descriminalização das drogas, "Quebrando o Tabu", protagonizado pelo ex-presidente da república Fernando Henrique Cardoso. Trezzi comenta detalhes do documentário, que não considerou panfletário. Mas muito polêmico.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Preste atenção ao que Trezzi disse na sua conclusão. Para onde levar a massa de drogados que se formará diante da redução da repressão, se não há estrutura oficial para impedir o aliciamento pelo crime e prestar o atendimento e a assistência às dependências?
É muito fácil criticar a repressão sem organizar uma estrutura oficial para tratar a dependências, assistir os familiares e impedir que os drogados sejam aliciados como vapozeiros, mulas, soldados e traficantes do crime ou cometam assaltos, furtos, roubos e homicídios para sobreviver no vício. O que FNC fez durante seus oito anos de governo para tratar as dependências e impedir o consumo e venda de drogas no Brasil?
A mesma posição eu cobro do Governador Tarso - o que ele fará no seu governo para reduzir o consumo de drogas? Não dá mais para tolerar medidas paliativas. É preciso construir unidades na capital e nos municípios sede de micro-regiões especialmente para o tratamento público das dependências e assistência aos familiares?
sábado, 4 de junho de 2011
TRÊS FRENTES PARA O COMBATE AO ÓXI

Três frentes para o combate ao óxi. Autoridades debateram como impedir que nova droga se torne epidemia - FRANCISCO AMORIM, zero hora 04/06/2011
O receio de que o óxi se alastre pelo Estado de forma ainda mais devastadora do que o crack levou autoridades do Estado a organizar um ofensiva contra a nova droga. Em um encontro organizado ontem pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos ficou acertado que o combate deverá se dar em três frentes: prevenção, repressão e tratamento.
Integrar ações policiais, conscientizar a população sobre o efeito do entorpecente no organismo e ainda fazer rápidos diagnósticos e encaminhamentos médicos adequados é o desafio que assumiram representantes de polícias e entidades de Saúde que participaram da reunião.
– Temos de agir rápido antes que o óxi se dissemine. A ação tem de ser integrada e bem organizada. Acho que com os termos de cooperação são um passo concreto para isso – disse o secretário de Justiça, Fabiano Pereira.
O braço forte desse combate deve ser o Grupo de Inteligência formado por representantes das polícias Civil, Militar e Federal, além do Instituto-geral de Perícias (IGP). Caberá a eles, o planejamento de ações específicas de repressão à difusão do Óxi.
Para o delegado federal Roger Soares Cardoso, titular da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado, a integração do trabalho policial pode trazer também resultado no combate a outras drogas. Isso, porque, o óxi deve entrar no Estado pelas mãos dos mesmos traficantes que vendem cocaína e crack. Segundo ele, novas reuniões devem ser feitas nos próximos dias entre representantes das quatro instituições para definir ações conjuntas.
– Já tivemos operações bem sucedidas em trabalhos de investigação conjunta. Basta disposição –apontou o policial.
Projeto prevê protocolo de diagnóstico e tratamento
Além da análise química rápida das drogas apreendidas no Estado, o mapeamento do ingresso da droga, feito pelas polícias com ajuda do IGP, poderá contar com apoio de outras instituições. Um protocolo de diagnóstico e tratamento a usuários do óxi, somado a uma campanha a ser veiculada nos próximos meses, pode ajudar a combater a droga tanto em postos de Saúde quanto em salas de aula.
– Com isso queremos monitorar os casos, saber quantos e onde aparecem, para evitar que isso se torne uma epidemia, como o crack – argumenta o secretário.
Assim como o crack, o princípio ativo do óxi é a pasta base da folha de coca. Mas enquanto o crack é obtido a partir da mistura e queima com bicarbonato de sódio e amoníaco, no óxi são utilizados cal virgem e algum combustível, como querosene ou gasolina. O efeito é mais rápido e mais nocivo ao organismo.
A estratégia
REPRESSÃO - Criação de um Grupo de Inteligência - Espécie de força-tarefa de combate à nova droga envolvendo as polícias Civil, Militar e Federal, além do Instituto-geral de Perícias (IGP). Mais do que a troca de informações, o grupo tem como meta planejar ações conjuntas desde barreiras até investigações integradas.
PREVENÇÃO - Lançamento de campanha educativa - A Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos pretende lançar campanha de esclarecimento sobre a droga. Deve ser definido nos próximos dias se a ação será voltada à população, por meio de publicidade em veículos de comunicação, ou se será voltada a servidores da área de Educação e Saúde, em forma de cartilha, para quem poderá ter de lidar diretamente com o problema.
TRATAMENTO - Protocolo de diagnóstico e ação - O Conselho Estadual de Políticas Públicas sobre Drogas se comprometeu em elaborar uma espécie de protocolo para diagnóstico da dependência e procedimentos de encaminhamento médico na rede pública de Saúde.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Parabenizo a todos que estão trabalhando e se engajaram nesta campanha, em especial ao secretário de Justiça, Fabiano Pereira, pelo plano fracionado em três objetivos estratégicos.
Sempre defendi nos Conselhos Municipais de Entorpecentes a criação de três departamentos autônomos - repressão, prevenção e tratamento. E este estão perfeitamente definidos na campanha da Secretaria da Justiça.
Entretanto, como toda boa idéia no Brasil se torna infrutífera e de resultados pífios na medida que sobram teorias e faltam estrutura e a qualidade na prática.
A repressão até que está satisfatória apesar das leis benevolentes e da desmotivação dos policiais, a prevenção ainda é superficial e tímida, e o principal, que é o tratamento e a assistência dos dependentes e familiares de dependentes vem sofrendo um descaso do Estado e praticamente inexiste. E aí está o calcanhar de Aquiles quando se tenta conter o consumo de drogas no Brasil. Não existem centros públicos em quantidade suficiente para atender a crescente demanda de dependentes de drogas e prestação de assistência e orientação das famílias destes dependentes para ajudar no tratamento, educar e tirar do ambiente nocivo onde o tráfico impera potencial aliciador e disciplina rigorosa.
É importante ressaltar que a dependência não está só na droga consumida, mas nas mãos e no aliciamento do traficante, do vapozeiro, que está de plantão, atento aos negócios e aplicando leis e justiça rigorosas contra quem ousar descumprir as normas de conduta e de negócio. O Estado não pode atuar numa só frente, mas nas três, respeitando a independência de cada uma, mas focando o objetivo principal. Também não pode cair na falácia da tolerância, das leis alternativas, das benevolências e das punições sem a contrapartida do tratamento obrigatório do vício em conjunto com a família.
sexta-feira, 3 de junho de 2011
GUERRA CONTRA O OXI NO RS

Governo prepara guerra contra oxi no Rio Grande do Sul. Ação priorizará inteligência e mobilizará setores de segurança e Forças Armadas- Luciamem Winck / Correio do Povo, 03/06/211
A Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos (SJDH) travará uma guerra contra o oxi - nova droga derivada da cocaína - no Rio Grande do Sul. A ação mobilizará a Brigada Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Ministério Público, Exército, Marinha e Aeronáutica, além da Secretaria Estadual da Saúde e de entidades ligadas ao tema. “Vamos priorizar as ações de inteligência e, para isso, realizaremos reuniões semanais para mapear os pontos de tráfico e regiões de maior incidência de consumo”, salientou nesta sexta-feira o titular da SJDH, Fabiano Pereira, em evento realizado no Centro Administrativo Fernando Ferrari com o objetivo de articular as forças que passarão a agir contra a disseminação do oxi.
“Já tivemos uma experiência avassaladora quando o crack se tornou uma epidemia no Estado, estando presente em 90% dos municípios gaúchos, destruindo vidas e famílias”, enfatizou. O secretário ressaltou que as estimativas apontam para a existência de 60 mil dependentes efetivos do crack no Estado.
A intenção do secretário é evitar que o oxi, aos moldes do que ocorreu com o crack, se popularize. “O vício do crack está presentes em todas as faixas etárias, raças e classes sociais”, frisou. De acordo com a Polícia Civil, o oxi foi apreendido pelo primeira vez no Rio Grande do Sul em 25 de abril, no bairro Rubem Berta, na zona Norte de Porto Alegre. Em maio, foi registrado em Caxias do Sul o primeiro caso suspeito de overdose de oxi, com a intoxicação de uma jovem de 17 anos. Mais barato que o crack, cuja pedra é vendida por R$ 5,00, o oxi estaria sendo comercializado no Estado por R$ 2,00 a unidade. “Trata-se de um entorpecentes mais letal e nocivo à saúde do que o crack”, disse.
O secretário destacou que o oxi é resultante da mistura da pasta base da cocaína com outras substâncias, incluindo querosene, gasolina, cal virgem e solvente. “Substâncias infinitamente mais tóxicas do que o bicarbonato de sódio, o amoníaco e a acetona utilizados na fabricação do crack”, comparou. Lembrou que a droga entrou no Brasil pelo Acre e que, atualmente, representa 80% das apreensões de entorpecentes realizadas no Pará.
O psiquiatra Manoel Garcia Junior, professor da Ulbra e membro da Cruz Vermelha, advertiu que se nada for feito, “nós todos pagaremos um preço incalculável”. Segundo ele, não basta apenas reprimir, considerando que a droga “é democrática” e não é usada apenas por jovens. Defende a necessidade de campanhas de conscientização com ênfase para o argumento da rejeição ao oxi e de ações que congreguem prevenção, repressão e tratamento.
MÃE PERDE FILHOS CRIANÇAS PARA O TRÁFICO
ASSASSINATO EM GRAVATAÍ. Mãe perde filhos para o crime - EDUARDO TORRES | ESPECIAL - ZERO HORA 03/06/2011
O barulho provocou um arrepio estranho em Andréia Fátima da Silva, 34 anos. Pareciam tiros. Ela ouviu dois claramente. Temeu uma cena trágica. Naquele momento, pouco depois das 22h de quarta-feira, seus dois filhos – Deivid, 13 anos, e Robert Silva da Cruz, 15 anos – foram executados na Rua Estrela, entrada da Vila Arinos, algumas quadras longe do casebre da família, em Gravataí.
– Eles não queriam ter regras. Lutei muito para eles não seguirem esse caminho, mas acabaram do jeito que eu mais temia – admitiu a mãe.
Na memória dela não estava mais a infância de Deivid como coroinha, ativo na igreja. Nem o Robert que vislumbrava uma chance como modelo. Estava a cena dos dois meninos caídos no chão de terra. O mais velho levou quatro tiros – pelo menos um na cabeça. O menor, que aparentemente tentou fugir do executor, levou sete tiros pelas costas. Poucas horas depois, enquanto os peritos ainda estavam no local, Elivelton Simões Mendes, conhecido como Buiu, 18 anos, voltou ao local e foi apontado por testemunhas.
Interrogado, confessou o crime. Alegou ter sofrido ameaças quando foi comprar drogas. Teria voltado à cena para buscar a pistola. A arma não foi encontrada, mas a audácia do jovem continuou. No DML, Buiu ironizou o pai das vítimas, que tentou agredi-lo:
– Tu é bem valentão, né...
Para a polícia, a execução foi um acerto de contas do tráfico. Há alguns meses, a Brigada monitorava Buiu como suspeito de comandar a venda de drogas entre as vilas Arinos e Tom Jobim. Os dois adolescentes, que estariam traficando, teriam dívidas.
Garotos preocupavam os pais e haviam largado os estudos
Os dois preocupavam a mãe, que é voluntária na Pastoral da Criança, e o pai, lavador de carros. Há quatro meses, Deivid passou alguns dias na Fundação de Atendimento Sócio-educativo (Fase) ao ser flagrado com drogas. Em seguida, Andréia procurou a polícia e o Ministério Público e pediu que os dois fossem encaminhados à Fase.
– Se estivessem lá, não estariam mortos agora – lamenta.
Os dois garotos têm um arquivo extenso no Conselho Tutelar. No ano passado, abandonaram os estudos.
– Em geral esses casos se dão em famílias desestruturadas. Não é o caso. Essa mãe é realmente dedicada. Correu atrás de todas as soluções para os filho. Infelizmente, o final foi este – diz a conselheira tutelar Lorena Brandini.
“Fiz de tudo para impedir” - Andréia da Silva, mãe dos garotos mortos
Diário Gaúcho – Como isso aconteceu?
Andréia da Silva – Fiz de tudo para impedir que os meus filhos fossem influenciados pelas más companhias. Antes do que aconteceu eu ainda vi o Deivid e falei para ele: “Não anda assim, sem ter hora para voltar para casa”. Ele respondeu: “Mãe, eu já vou”. Só fui ver os meus filhos sangrando.
DG – Você tentou impedir?
Andréia – Faz quase um ano eu senti que tinha perdido eles. Já não voltavam para casa. Eu sabia que estavam vendendo essa porcaria. Eu procurei a polícia, a promotora, falei com a juíza e disse que iriam matá-los se continuassem. Pedi para colocarem eles na Fase, mas disseram que não encontraram nada com eles.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - E lá vão nossas autoridades criando leis benevolentes e penas alternativas para os criminosos aliciadores, viciantes e executores de crianças. E a sociedade só assiste.
O barulho provocou um arrepio estranho em Andréia Fátima da Silva, 34 anos. Pareciam tiros. Ela ouviu dois claramente. Temeu uma cena trágica. Naquele momento, pouco depois das 22h de quarta-feira, seus dois filhos – Deivid, 13 anos, e Robert Silva da Cruz, 15 anos – foram executados na Rua Estrela, entrada da Vila Arinos, algumas quadras longe do casebre da família, em Gravataí.
– Eles não queriam ter regras. Lutei muito para eles não seguirem esse caminho, mas acabaram do jeito que eu mais temia – admitiu a mãe.
Na memória dela não estava mais a infância de Deivid como coroinha, ativo na igreja. Nem o Robert que vislumbrava uma chance como modelo. Estava a cena dos dois meninos caídos no chão de terra. O mais velho levou quatro tiros – pelo menos um na cabeça. O menor, que aparentemente tentou fugir do executor, levou sete tiros pelas costas. Poucas horas depois, enquanto os peritos ainda estavam no local, Elivelton Simões Mendes, conhecido como Buiu, 18 anos, voltou ao local e foi apontado por testemunhas.
Interrogado, confessou o crime. Alegou ter sofrido ameaças quando foi comprar drogas. Teria voltado à cena para buscar a pistola. A arma não foi encontrada, mas a audácia do jovem continuou. No DML, Buiu ironizou o pai das vítimas, que tentou agredi-lo:
– Tu é bem valentão, né...
Para a polícia, a execução foi um acerto de contas do tráfico. Há alguns meses, a Brigada monitorava Buiu como suspeito de comandar a venda de drogas entre as vilas Arinos e Tom Jobim. Os dois adolescentes, que estariam traficando, teriam dívidas.
Garotos preocupavam os pais e haviam largado os estudos
Os dois preocupavam a mãe, que é voluntária na Pastoral da Criança, e o pai, lavador de carros. Há quatro meses, Deivid passou alguns dias na Fundação de Atendimento Sócio-educativo (Fase) ao ser flagrado com drogas. Em seguida, Andréia procurou a polícia e o Ministério Público e pediu que os dois fossem encaminhados à Fase.
– Se estivessem lá, não estariam mortos agora – lamenta.
Os dois garotos têm um arquivo extenso no Conselho Tutelar. No ano passado, abandonaram os estudos.
– Em geral esses casos se dão em famílias desestruturadas. Não é o caso. Essa mãe é realmente dedicada. Correu atrás de todas as soluções para os filho. Infelizmente, o final foi este – diz a conselheira tutelar Lorena Brandini.
“Fiz de tudo para impedir” - Andréia da Silva, mãe dos garotos mortos
Diário Gaúcho – Como isso aconteceu?
Andréia da Silva – Fiz de tudo para impedir que os meus filhos fossem influenciados pelas más companhias. Antes do que aconteceu eu ainda vi o Deivid e falei para ele: “Não anda assim, sem ter hora para voltar para casa”. Ele respondeu: “Mãe, eu já vou”. Só fui ver os meus filhos sangrando.
DG – Você tentou impedir?
Andréia – Faz quase um ano eu senti que tinha perdido eles. Já não voltavam para casa. Eu sabia que estavam vendendo essa porcaria. Eu procurei a polícia, a promotora, falei com a juíza e disse que iriam matá-los se continuassem. Pedi para colocarem eles na Fase, mas disseram que não encontraram nada com eles.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - E lá vão nossas autoridades criando leis benevolentes e penas alternativas para os criminosos aliciadores, viciantes e executores de crianças. E a sociedade só assiste.
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