COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A DROGA TIROU A PESSOA QUE EU MAIS AMAVA

TV GLOBO, FANTÁSTICO, Edição do dia 18/01/2015


'A droga tirou a pessoa que eu mais amava', diz irmão de morto no México. Morte do brasileiro Dealberto Júnior foi o desfecho trágico de uma maratona de excessos. O irmão dele estava lá e falou com o Fantástico.





O que era pra ser uma viagem de festa, praia e curtição, num paraíso à beira-mar, virou um pesadelo. Surtos de paranoia, confusão mental e o fim súbito - a queda acidental do terceiro andar de um prédio. A morte do brasileiro Dealberto Jorge da Silva Júnior, no México, foi o desfecho trágico de uma maratona de excessos. O irmão do Dealberto estava junto nessas noitadas sem limites. Ele falou com exclusividade ao Fantástico. Um desabafo sobre os sentimentos que o acompanharam na triste volta ao Brasil: a dor e o arrependimento.

“A droga acabou com a minha vida, a droga tirou a pessoa que eu mais amava no mundo, que é o meu irmão”, diz Fernando.

Fernando Luís da Silva, irmão do empresário encontrado morto no México, só voltou para o Brasil na última quinta-feira (15). Ele aceitou dar uma entrevista exclusiva para o Fantástico na casa do advogado da família, em Jaraguá do Sul. Pela primeira vez, Fernando falou sobre a morte trágica do irmão Dealberto, que tinha 36 anos.

“A pessoa que eu mais amei na minha vida. A droga acabou com tudo. Sempre foi meu melhor amigo, meu parceiro, meu sócio. Tudo pra mim. Eu tenho um pai e uma mãe que não mereciam estar passando por isso”, lamenta.

Dealberto morreu na noite do sábado, dia 10, em Playa del Carmen, um balneário mexicano. O corpo foi encontrado na escadaria de um prédio de três andares.

Primeiro, veio a dúvida sobre as circunstâncias da morte: Dealberto caiu, se jogou ou foi empurrado? Depois, seguiram-se versões que davam conta de uma perseguição: traficantes internacionais querendo se vingar dos irmãos.

Hoje, Fernando admite que tudo não passou de alucinação causada pelo consumo de drogas.

Fantástico: Você acredita que sofreu algum tipo de perseguição?
Fernando: Não, de forma alguma. De forma alguma. A queda do meu irmão, com certeza, foi acidental, com certeza, acidental. Consumi alguma coisa que eu acreditava que seria o ecstasy. Eu posso contar nos dedos quantas vezes eu usei este tipo de coisa.
Fantástico: Quantas vezes?
Fernando: Eu acredito que cinco, seis, no máximo. Nunca fui uma pessoa de estar envolvida com drogas. Eu senti medo, eu senti pavor, eu senti que tudo que eu fazia as pessoas estavam me olhando, as pessoas estavam tentando me ferir de alguma coisa.

O ano de 2015 deveria ter começado muito bem para os irmãos. Tinham ido para o México para uma festa de casamento de amigos brasileiros, em outro balneário, Cancun.

Depois da festa, Fernando e Dealberto foram para Playa del Carmen, curtir mais uns dias de férias com outros amigos. No hotel, conheceram a russa Ekaterina Vasileva, que chegou a ser apontada como o suposto elo entre os irmãos e mafiosos e traficantes internacionais.

“Tudo aquilo que a gente estava vivendo não era real. Era uma paranoia, uma loucura, era um momento de euforia, de transtorno”, conta Fernando.

Vinte e quatro horas antes da morte de Dealberto, o grupo saiu para uma noitada de bebida e drogas em pelo menos duas boates.

Segundo o depoimento de Fernando à polícia mexicana, ele e o irmão passaram a sentir que estavam sendo perseguidos. Se separaram do grupo e perambularam desesperadamente pelas ruas de Playa del Carmen.

Fernando conta à repórter Kiria Meurer a versão dele dos últimos instantes vividos com Dealberto.

Fernando: A gente entrou em um condomínio e começou a correr, correr, correr, pulamos cercas, pulamos grades, pulamos um monte de obstáculos que a gente imaginava que precisava passar por aquilo ali. Chegou um ponto que eu não aguentava mais, eu estava muito cansado e eu não sabia mais o que fazer.
Fantástico: Por quanto tempo vocês correram e fugiram?
Fernando: Horas, horas e horas. E aí eu cheguei para ele e falei: ‘irmão, eu não aguento mais, eu não consigo mais, eu não tenho mais força. Eu vou ficar aqui onde eu estou e eu vou rezar e pedir a Deus para que isso acabe e me tire daqui’.

Fernando ficou por ali, atordoado na rua, enquanto Dealberto subia no prédio. “Foi onde então passou alguns instantes e ouvi muito barulho, sirene, polícia, e aí eu pensei que poderia ter acontecido alguma coisa com ele”, ele lembra.

Assustado, em vez de ir até o irmão, Fernando acabou fugindo.

Fantástico: Depois da morte do seu irmão, você passou dois dias sem se comunicar com a sua família. Por quê?
Fernando: Porque eu ainda estava fugindo. Eu estava desesperado. Não sabia o que fazer. Não sabia para onde ir. Foram os piores momentos da minha vida. Foram os piores dias da minha vida.

Passado o desespero, ele retomou o contato com a família. Queria ajuda para voltar ao Brasil.

“Eu só peço perdão a todos e, principalmente, a Deus. Porque eu jamais queria que isso acontecesse com o meu irmão, jamais”, diz Fernando.

Em Playa del Carmen, o Fantástico foi a uma das boates em que os irmãos estiveram e consumiram o que Fernando diz ter sido ecstasy, uma droga normalmente associada a excitação. Em janeiro, a cidade sedia um festival de música eletrônica, que atrai jovens do mundo inteiro. Alguns convidados cheiram cocaína e consomem outras drogas na frente de todo mundo.

Às 3h25 da madrugada, em um espaço não tão grande, traficantes oferecem drogas livremente no festival. Na porta do banheiro, um homem afirma que tem ecstasy e cocaína para vender. Outro diz que dá um desconto para quem paga em pesos, de 300, o ecstasy sai por 250 a unidade.

Os seguranças fazem vista grossa. É como se o tráfico fizesse parte da festa. Alterada, uma turista canadense diz que na cidade tem muita droga e que experimentou há pouco tempo. Ela conta que já esteve no local quatro vezes. E que com certeza vai voltar.

Para Armando García Torres, procurador que investigou a morte de Dealberto, o que aconteceu com o brasileiro foi uma tragédia que não reflete a realidade da região. Ele diz que a polícia monta o que ele chama de "cinturões de segurança" para que esse tipo de evento seja controlado.

Como se viu na festa e até nos bonés que fazem apologia ao consumo e são vendidos na rua, o perigo depende do comportamento de cada um.

“A gente imaginou que seria a festa mais legal das nossas vidas e foi a festa que tirou a vida do meu irmão. Eu gostaria de dizer a todas as pessoas que estão assistindo neste momento: cuidem de seus filhos, repreendam, se necessário, vejam quem são as amizades que estão em volta deles e, por favor, não deixe isso acontecer com a família de vocês”, diz Fernando.

domingo, 18 de janeiro de 2015

INDONÉSIA APLICA PENA DE MORTE A BRASILEIRO CONDENADO POR TRÁFICO DE DROGAS

ZERO HORA  17/01/2015 | 17h45

Brasileiro condenado à morte por tráfico de drogas é executado na Indonésia. Marco Archer Cardoso Moreira, 53 anos, foi condenado em 2004, um ano depois de ter tentado entrar no país com 13,4 quilos de cocaína



Moreira (D) foi executado ao lado de outras cinco pessoas Foto: Divulgação


O brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, 53 anos, foi executado por volta das 15h30min deste sábado (horário de Brasília) — madrugada de domingo na Indonésia. A informação foi publicada pela agência AFP. A agência citou um porta-voz do governo indonésio, que confirmou a execução do brasileiro por tráfico, ao lado de outros cinco condenados. Ele foi o primeiro brasileiro executado por crime no Exterior.


Os seis condenados à morte foram fuzilados na Ilha Nusakambangan, e já teriam "aceitado sua sina", de acordo com o diretor do Conselho Indonésio de Ulemás (MUI), Hasan Makarim. Os ulemás são considerados sábios da religião muçulmana e atuam como árbitros da sharia, a lei religiosa islâmica. Makarim estaria provendo os detentos de aconselhamento religioso antes da execução.

— Todos estão prontos e nenhum deles pediu revisão da sentença antes da execução. Eles disseram ter aceitado a decisão legal indonésia — afirmou.

A família do brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, 53 anos, fez a última visita ao parente neste sábado, na Indonésia. A tia e parente mais próxima de Marco, Maria de Lourdes Archer Pinto, 61 anos, deve ser a última a vê-lo antes do fuzilamento. Em declaração ao jornal Folha de S. Paulo, ela afirmou não acreditar mais na desistência da ação, embora a presidente Dilma Rousseff tenha ligado para o chefe de Estado indonésio, na sexta-feira, e pedido clemência a Moreira e a Rodrigo Muxfeldt Gularte, brasileiro cuja execução está marcada para fevereiro:

— Eu ainda tinha esperança de que a coisa pudesse mudar. Agora, só Deus.

Maria de Lourdes prometeu levar doce de leite para o sobrinho antes da execução, que estava programada para ser feita por um grupo de 12 policiais. O condenado poderia estar acompanhado pelo advogado e por algum líder espiritual, oferecido com base em suas crenças.


O brasileiro, que era instrutor de voo livre, foi condenado à pena de morte por tráfico de drogas em 2004, um ano depois de ter tentado entrar no país asiático com 13,4 quilos de cocaína.

Como funciona a execução na Indonésia

Da prisão, a polícia conduz o detento até o local de execução. Ele pode escolher estar acompanhado por um líder espiritual de sua religião e de seu advogado.

Depois disso, o preso é encapuzado ou vendado, e tem os pés e as mãos amarrados a um tronco. Ele escolhe entre ficar em pé, sentado ou ajoelhado.

Um grupo de 12 atiradores de elite forma um semicírculo a uma distância entre cinco e 10 metros do detento. Um comandante dá a ordem para que os tiros sejam disparados. Entretanto, dos 12 atiradores, apenas três têm armas carregadas para que não se tenha como saber quem deu o tiro fatal.

Quem são os condenados executados:
Ang Kiem Soel, 62 anos, holandês
Daniel Enemuo, 38 anos, nigeriano
Namona Denis, 48 anos, malauiano
Marco Archer Cardoso Moreira, 53 anos, brasileiro
Rani Andriani, 39, indonésia
Tran Thi Bich Hanh, 27 anos, vietnamita


ZERO HORA  16/01/2015 | 13h49


Indonésia nega pedido de Dilma e mantém execução de brasileiro. Presidente Joko Widodo considerou que processos foram conduzidos seguindo a legislação do país



Marco Archer transportava cocaína em tubos de asa-delta Foto: Bay Ismoyo / AFP


Após mais de uma semana de espera, a presidente Dilma Rousseff conseguiu conversar por telefone com o presidente da Indonésia, Joko Widodo, na manhã desta sexta. Foi mais uma tentativa do governo brasileiro de interceder pela condenação à pena de morte de Marco Archer Cardoso Moreira, 53 anos, preso em 2004, após ser pego com mais de 13 kg de cocaína escondidos em tubos de asa-delta.

O pedido de clemência, no entanto, não foi considerado por Widodo, que manteve a condenação, com fuzilamento previsto para a meia-noite de domingo, horário da capital Jacarta, o que corresponde às 15h de sábado no Brasil.

Conforme informou a nota divulgada pelo Planalto, Dilma ressaltou ao presidente da Indonésia que respeita a soberania do país e seu sistema judiciário, "mas como chefe de Estado e como mãe, fazia esse apelo por razões eminentemente humanitárias". No telefonema, o governo também pediu clemência por Rodrigo Muxfeldt Gularte, paranaense também preso por tráfico de cocaína no país.


Segundo o Planalto, o presidente Widodo teria dito compreender a preocupação de Dilma, mas ressaltado que, no caso de Moreira, não poderia reverter a sentença porque todos os processos foram seguidos conforme a lei da Indonésia.

De acordo com o que informou o assessoria especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, a presidente discordou de Widodo. Ela teria dito que "não houve sensibilidade por parte do governo da Indonésia para o pedido de clemência do governo brasileiro". Conforme o assessor, o governo brasileiro esgotou todas as possibilidades existentes de reverter esse cenário e que a atitude tomada pelo país asiático “cria uma mancha, uma sombra, na relação bilateral”.

Garcia mencionou que nos últimos 10 anos, entre as medidas tomadas, houve o envio de duas cartas pelo ex-presidente Lula, durante seus dois mandatos, e quatro pela presidenta Dilma Rousseff. Além disso, o governo brasileiro também solicitou que o Papa Francisco intercedesse no caso pela clemência do brasileiro.

Leia a nota na íntegra:

"Nota à Imprensa – Telefonema da Presidenta Dilma Rousseff ao Presidente da Indonésia

A Presidenta Dilma Rousseff falou ao telefonou, na manhã de hoje, 16 de janeiro, com Presidente da Indonésia, Joko Widodo, para transmitir apelo pessoal em favor dos cidadãos brasileiros Marco Archer Cardoso Moreira e Rodrigo Muxfeldt Gularte, condenados à morte pela Justiça da Indonésia e na iminência de serem executados.

A Presidenta ressaltou ter consciência da gravidade dos crimes cometidos pelos brasileiros. Disse respeitar a soberania da Indonésia e do seu sistema judiciário, mas como Chefe de Estado e como mãe, fazia esse apelo por razões eminentemente humanitárias. A Presidenta recordou que o ordenamento jurídico brasileiro não comporta a pena de morte e que seu enfático apelo pessoal expressava o sentimento da sociedade brasileira.

O Presidente Widodo disse compreender a preocupação da Presidenta com os dois cidadãos brasileiros, mas ressalvou que não poderia comutar a sentença de Marco Archer, pois todos os trâmites jurídicos foram seguidos conforme a lei indonésia e aos brasileiros foi garantido o devido processo legal.

A Presidenta Dilma reiterou lamentar profundamente a decisão do Presidente Widodo de levar adiante a execução do brasileiro Marcos Archer, que vai gerar comoção no Brasil e terá repercussão negativa para a relação bilateral.

Secretaria de Imprensa
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República"

* Zero Hora



sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

INDONÉSIA NEGA CLEMÊNCIA E VAI EXECUTAR BRASILEIRO POR TRÁFICO DE DROGAS

FOLHA.COM 09/01/2015 02h00


Indonésia nega pedido de clemência e afirma que vai executar brasileiro


RICARDO GALLO
DE SÃO PAULO





O governo da Indonésia negou definitivamente clemência ao brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, 53, condenado à pena de morte no país asiático por tráfico de drogas, e disse que ele será executado "muito em breve".

O pedido foi negado em 31 de dezembro pelo presidente Joko Widodo. Foi a segunda vez que Marco solicitou perdão presidencial –a primeira negativa foi em 2006.

Pelas leis indonésias, sentenciados à morte só podem fazer dois pedidos de clemência, depois de esgotadas as chances de recurso à Justiça.

Assim, do ponto de vista legal, não há mais o que fazer para evitar a execução.

Beawiharta - 8.jun.04/Reuters

Marco Archer Cardoso Moreira em cela na Indonésia após condenação por tráfico de droga


"Já cumprimos todos os requisitos legais para executá-lo", disse à Folha nesta quinta (8) Tony Spontana, porta-voz da Procuradoria-Geral, órgão responsável, entre outras tarefas, por levar adiante as execuções no país.

"Ele está na lista de próximos executados –e posso assegurar que o plano é executá-lo muito em breve."

A data ainda não foi definida, afirma Spontana, mas pode ser até o final de janeiro. Além de Marco, o governo pretende executar cinco pessoas, de uma única vez.

Pelo menos até ontem, Marco, que se diz arrependido, não sabia da nova rejeição. Em dezembro, Widodo anunciou que pretendia executar condenados à morte por tráfico, o que o deixou aflito –ele tem acesso a jornais na prisão.

O Itamaraty afirma não ter recebido comunicação "oficial" a respeito. Em dezembro, antes da rejeição da clemência, a presidente Dilma Rousseff mandou carta a Widodo pedindo a não execução.

Segundo a Folha apurou, o gabinete de Dilma avalia se há algo mais que possa ser feito para interceder pelo brasileiro. O círculo mais próximo à presidente estaria trabalhando com urgência para encontrar uma nova opção.

PRESSÃO POLÍTICA

O único meio de pressão para evitar fuzilamento agora é político. A população da Indonésia, maior país muçulmano do mundo, é em sua maioria favorável à pena capital.

Se a pena for cumprida, Marco será o primeiro ocidental executado na Indonésia. De 2000 a 2014, 27 pessoas foram fuziladas, a maioria cidadãos indonésios.

O brasileiro foi preso em 2003, depois de tentar entrar no aeroporto de Jacarta com 13,4 kg de cocaína escondidos em tubos de asa delta.

Marco é um dos dois únicos brasileiros no mundo condenados à morte.

O outro é o paranaense Rodrigo Gularte, que está na mesma prisão que Marco, no interior do país. O segundo pedido de clemência de Rodrigo ainda não foi respondido.

sábado, 3 de janeiro de 2015

PROGRAMA DE COMBATE AO CRACK, OS MESMOS DESAFIOS

CBN Sábado, 03/01/2015, 06:00


Programa de combate ao crack em SP completa um ano com mesmos desafios de 2014. Entre eles, está o aglomerado de barracas onde traficantes agem livremente. Gestão Fernando Haddad admite dificuldades em expandir projeto 'De braços abertos' e prevê para 2015 a capacitação técnica de funcionários.

por Eliezer dos Santos e Talis Mauricio


Considerado uma das vitrines da Prefeitura de São Paulo, o programa "De braços abertos" vai completar um ano sem conseguir retirar da ‘cracolândia’, no Centro, o amontoado de barracas onde usuários de drogas e traficantes atuam livremente. A medida consiste em oferecer aos dependentes químicos emprego remunerado, moradia em hotéis, refeições e acompanhamento médico. Em janeiro de 2014, quando teve início, o próprio prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, assegurou:

“Essas pessoas terão apoio para encontrar nem que seja um quarto digno para poder se acomodar e sair da rua. A cidade não quer mais conviver com aquilo.”

Mas, um ano depois, pouco mudou, de acordo com relatos de moradores e comerciantes da região.

“Isso aqui continua cada vez pior. Eu queria ver quem é que vai tomar atitude pra melhorar isso aqui. Até agora não vi ninguém tomar a atitude necessária. O tráfico continua e cada dia pior... Melhorou nada. Mudou de um quarteirão para o outro. Aqui tem gente que ainda mora porque tem seu próprio apartamento. Quem mora de aluguel já foi embora, porque aqui não tem tendência a melhorar.”

O chamado "fluxo", ou favelinha móvel da cracolândia, apenas trocou de endereço. O aglomerado está agora a cerca de cem metros de onde estava, ao lado de uma base da Guarda Civil Metropolitana e aos olhos das polícias Civil e Militar. A reportagem da CBN circulou pelos atuais barracos e presenciou o uso e a venda escancarada de drogas. Até mesmo os participantes do programa já começam a questionar a medida. Daniel acredita que não vai se livrar do vício morando em uma área infestada por drogas.

“Minha vontade mesmo era sair daqui. Ter outro canto pra morar. Tem muitos aí que não querem nem usar, mas aí está perto do crack e acaba usando.”

O programa "De Braços Abertos" ainda gera muita polêmica entre especialistas e a população. Um dos argumentos mais usados é o de que, ao invés da redução de danos, o poder público está bancando o vício de pessoas que não conseguem responder pelos próprios atos.

Devido à recusa de proprietários de hotéis da região, o programa encontra também dificuldades de expansão. Atualmente, apenas seis dos oito hotéis inicialmente credenciados participam do programa. Jurandir Lopes, dono de uma das unidades, disse que as confusões são constantes e que é difícil até mesmo contratar empregados.

“Hoje pra arrumar uma pessoa pra trabalhar tem de ser daqui. Gente de fora não vem nenhuma. Eles têm medo. Os hotéis que eles alugaram, participantes do programa, estão todos quebrados, roubaram coisas.”

Outra dificuldade tem sido formar profissionais capacitados para lidar com problemas de saúde tão complexos. De acordo com integrantes do programa que não quiseram se identificar, falta treinamento aos funcionários. Caroline Ribeiro tem 19 anos e participa do programa na varrição de ruas. Há dois meses ela descobriu que está grávida.

“Eu estou gestante há 2 meses e não estou tendo uma atenção na minha gestação. Se eu não vou atrás, ninguém se preocupa. Está faltando um atendimento não só pra mim como pra muita gente.”

O prefeito Fernando Haddad afirmou que para 2015 um novo convênio foi firmado para prestar capacitação técnica aos profissionais da área da saúde. A verba para este ano não foi informada. Em 2014 foram cerca de R$ 15 milhões. Sobre a remoção da favela móvel, o prefeito disse se tratar de obrigação das polícias. Já sobre as moradias, admitiu que há dificuldades.

“A nossa limitação para a expansão do programa são os alojamentos. O número de vagas em alojamentos é limitador da expansão do programa. Tão logo a gente encontre novos hotéis que possam ser locados pela prefeitura, nós podemos ampliar o programa.”

A Prefeitura de São Paulo afirmou ainda que, atualmente, 513 pessoas participam do programa, quase o dobro do início de 2014. Desses, 23 receberam atestado médico de aptidão ao mercado de trabalho e 122 estão em tratamento voluntário contra a dependência química. Em toda a região da cracolândia, a prefeitura afirma que o número de usuários de drogas caiu de 1,5 mil para 300 pessoas.








Leia mais: http://cbn.globoradio.globo.com/sao-paulo/2015/01/03/PROGRAMA-DE-COMBATE-AO-CRACK-EM-SP-COMPLETA-UM-ANO-COM-MESMOS-DESAFIOS-DE-2014.htm#ixzz3Nljuwf7D

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

APREENSÃO DE 220 KG DE MACONHA NO RS



DIÁRIO GAÚCHO 05/12/2014 | 05h59


Polícia Civil apreende 220kg de maconha em Novo Hamburgo. Quadrilha era investigada há cinco meses



Foto: Denarc, divulgação


Pedro Quintana, Rádio Gaúcha


O Departamento Estadual do Narcotráfico (Denarc) apreendeu 220kg de maconha no final da noite desta quinta-feira, em Novo Hamburgo. A droga estava em uma residência no bairro Santo Afonso, no limite com São Leopoldo, conforme informações da Rádio Gaúcha.

Dois homens e mulher foram presos e um adolescente de 15 anos foi apreendido. As investigações do Denarc se iniciaram há cinco meses. Segundo o delegado Adriano Nonnenmacher, a quadrilha fazia a rota do interior do Estado, especialmente de Bagé até Novo Hamburgo e era responsável por abastecer traficantes de toda a Grande Porto Alegre.


A origem da droga era o Paraguai. Foram presos dois homens, de 39 e 27 anos, uma mulher de 19 anos e apreendido um adolescente de 15 anos. Um dos detidos estava foragido acusado de latrocínio.


Foto: Denarc, divulgação


RÁDIO GAÚCHA

terça-feira, 25 de novembro de 2014

BELEZA ESCONDIDA



ZERO HORA 25 de novembro de 2014 | N° 17994


CRACOLÂNDIA. Viciada, ex-modelo vive nas ruas de SP



LOEMY, 24 ANOS, saiu de Mato Grosso em 2012 em busca de trabalho e foi vencida pela drogaUma ex-modelo de Mato Grosso, que foi a São Paulo em busca de oportunidades para a carreira, encontrou um outro caminho quando chegou à maior cidade do país: o crack. Loemy, 24 anos, 1m79cm de altura e olhos verdes, chama atenção em meio à sujeira do local conhecido como cracolândia, no centro da capital paulista. A revista Veja São Paulo conversou com a jovem na semana passada. A reportagem destaca que, quando ela não está sob o efeito de drogas, é lúcida e articulada, consciente de sua situação.

– Quando me mudei para São Paulo e descobri que existia um lugar como a cracolândia, fiquei horrorizada com aquelas pessoas na rua. Hoje, eu é que estou nessa situação – disse à revista.

Loemy consome cerca de cinco pedras de crack por dia, a um valor de R$ 10 cada. Para conseguir o dinheiro, ela se prostitui. A ex-modelo contou à Veja que se sente humilhada ao pedir esmola e que, uma vez, tentou roubar uma senhora. No entanto, ao empurrá-la para pegar a bolsa, sentiu-se mal ao vê-la cair no chão e prometeu nunca mais fazer isso.

Ela lembra o dia e horário em que fumou crack pela primeira vez: 15 de setembro de 2012, às 4h da manhã. Loemy disse que estava em um táxi e, em vez de ir direto para a casa onde morava com outras duas jovens, desviou o caminho e desceu perto da Praça Júlio Prestes para comprar maconha. Contudo, foi assaltada, e o desespero por ter perdido o pouco dinheiro que tinha tomou conta.

– Até que colocaram um cachimbo na minha boca. Foi como uma tomada para carregar – compara.

A ex-modelo nasceu em um município de aproximadamente 50 mil habitantes, no interior do Mato Grosso. É a filha mais nova de uma empregada doméstica e um garimpeiro. A mãe, Elizabeth, conversou com a revista e contou que foi a São Paulo em junho de 2013 para tentar convencer Loemy a voltar para a cidade onde nasceu, para se tratar, mas não obteve sucesso. Agora, apela às orações.

– Já tentei interná-la, mas não deu certo. Toda noite fico de joelhos e oro por duas horas, pensando em quantas noites ela dorme com fome. A única solução é conseguir um tratamento em São Paulo – falou à reportagem Elizabeth, que é fiel da igreja evangélica Congregação Cristã no Brasil.

SONHO DE VOLTAR A ESTUDAR SOBREVIVE

Além da mãe, outras pessoas também tentaram tirar Loemy das ruas. Ofereceram-lhe casa e tratamento, mas o vício sempre a leva de volta à cracolândia. Em 2013, passou por um centro de tratamento na capital paulista, mas se negou a ser internada e não quis passar por atendimento psicossocial.

Na infância, foi abusada sexualmente pelo padrasto. Nas ruas, também já foi violentada. A vaidade dos tempos de modelo não existe mais. Apesar da situação em que vive e do passado do qual lembra alternando dores e alegrias, deseja sair dessa e voltar a estudar.

– Quero ser engenheira, acho que estou velha demais para ser modelo – diz esperançosa.

domingo, 16 de novembro de 2014

DENTISTA ENVOLVIDA COM TRÁFICO DE ARMAS E DROGAS


Dentista é presa por suspeita de tráfico em Curitiba. Marina Stresser de Oliveira diz desconhecer a existência das armas encontradas em seu consultório


ZERO HORA 15/11/2014 | 22h05




Dentista foi presa enquanto recebia uma espingarda calibre 12 e uma pistola 9 mm Foto: Cícero Back / Estadão Conteúdo


Presa em flagrante na terça-feira, 11 de novembro, quando recebia uma espingarda calibre 12 e uma pistola 9mm, a dentista paranaense Marina Stresser de Oliveira diz desconhecer a existência das armas e drogas apreendidas em sua casa e consultório.

No clínica onde atendia os pacientes, na região sul de Curitiba, foram encontrados 30 projéteis de fuzil. Já na casa de Oliveira, havia uma submetralhadora, uma pistola, 15 quilos de maconha e 1,3kg de crack.


A delegada que está cuidando do caso, Camila Ceconello, acredita que a dentista estivesse dando continuidade ao "trabalho" do marido, que foi preso a cerca de um ano e meio sob suspeita de tráfico de drogas. O nome dele não foi divulgado.

Segundo as investigações, a dentista, que tem 26 anos, usava o consultório para distribuir drogas e armas.

Quando foi apresentada à imprensa, Marina foi irônica: "Agenda só no ano que vem".