FLAGELO MATERNO. Viciado troca carro por dívidas do crack. Mãe de usuário foi ameaçada de morte para passar Corsa a um traficante - RENATO GAVA,
A apreensão de um veículo e de instrumentos musicais, feita ontem pela Polícia Civil, revelou mais um flagelo do crack. Um usuário de 36 anos, depois de dar a traficantes praticamente todos os seus pertences pessoais, entregou também o Corsa da mãe. A mulher, uma auxiliar de enfermagem de 59 anos, negou-se a fornecer os documentos de transferência aos criminosos. Passou a ser ameaçada.
– Realmente ela passou por um inferno. Tanto que está com medo até de vir à delegacia para buscar o automóvel – contou o titular da 16ª DP, delegado Leandro Coelho.
O drama ocorreu na Restinga, na zona sul da Capital. Em 11 de março, a auxiliar deu queixa de desaparecimento do filho viciado. Um mês depois, ele foi pego na rua, em uma abordagem de rotina da Brigada Militar. Como seu nome constava na lista de desaparecidos, o rapaz foi apresentado na 16ª DP. O depoimento dele impressionou os policiais.
Músico profissional, o viciado contou que, três anos atrás, foi apresentado ao crack. Desde então, passou por clínicas, mas jamais conseguiu se recuperar. Admitiu que passou a trocar tudo que tinha em uma boca de fumo no bairro para conseguir pedras.
Ficou devendo a traficantes, que passaram a cobrar juros e, poucos dias depois, exigiram dele R$ 4 mil. Sem dinheiro, o homem entregou o carro da mãe, um Corsa 1999.
– Ele deu a eles um documento de doação do carro, mas os traficantes não aceitaram, exigiram o documento de transferência, assinado pela mãe. Como ele não conseguia, passaram a ligar para ela também, ameaçando-a. Ela ficou tão apavorada que nem sequer deu queixa de roubo do carro e nos procurou – afirmou o delegado.
Os agentes passaram a monitorar o local apontado pelo jovem. Na terça-feira, localizaram o carro na Estrada João Antônio da Silveira com o pai do traficante, um mecânico de 46 anos.
Na casa do filho dele, na Alameda F, Restinga Nova, policiais encontraram uma tuba, um pedestal, o cartão do Banrisul e outros objetos pertencentes ao viciado extorquido. O criminoso não foi localizado. Segundo o delegado, ele será indiciado por crimes de extorsão e tráfico.
“Ele tinha emprego, boa condição”. ENTREVISTA Mãe de viciado em crack - DIÁRIO GAÚCHO, 29/04/2011
Diário Gaúcho – Como começou o problema?
Mãe – Eu passei o verão no litoral, deixei a chave da minha casa, para ele regar as plantas, e a do carro. Quando voltei, no final de fevereiro, já vi que ele estava estranho. No dia 3 de março, ele sumiu. Desde então, minha vida não foi mais a mesma.
Diário Gaúcho – A senhora sabia do envolvimento dele com o crack?
Mãe – Com o crack, não. Já vi muita gente enfrentando este problema, e não pensei que aconteceria comigo. Essas coisas, a gente não sabe como começa. Ainda não sei o que vou fazer com o meu filho, não tenho condições psicológicas. Minhas irmãs que estão encaminhando ele para tratamento.
Diário Gaúcho – O que a senhora tem feito nos últimos dias?
Mãe – Depois que os traficantes passaram a me ligar, não tive mais sossego. Eles sabiam onde eu morava, me ameaçaram. Passei as últimas 10 noites dormindo em um hotel no Centro, pagando R$ 75 a diária. Fiquei sem forças até para ir ao mercado, estou consultando médicos. Um deles me disse que estou com crise do pânico. Agora, estou um pouco melhor.
Diário Gaúcho – O que a senhora pretende fazer?
Mãe – Não posso mais voltar para minha casa, nunca mais. Vou ter de diminuir meus turnos, ganhar menos, mudar toda a minha vida. Sempre trabalhei, tenho um filho formado em Administração de Empresas, e esse outro (usuário) faltava apenas um semestre para se formar em Música. Ele tinha emprego, boa condição.
COMPROMETIMENTO DOS PODERES
As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.
sábado, 30 de abril de 2011
quinta-feira, 28 de abril de 2011
QUADRILHA USAVA VICIADOS PARA VENDER DROGAS EM RAVES
Desarticulada quadrilha que usava viciados para vender drogas em raves no Litoral Norte. Brigada Militar e Ministério Público prenderam dez pessoas hoje - Cid Martins - RÁDIO GAÚCHA, ZERO HORA ONLINE, 28/04/2011
Foi desarticulada nesta manhã uma quadrilha de traficantes que utilizava jovens dependentes químicos para vender drogas em festas raves no Litoral Norte. Na chamada Operação Quimera, a Brigada Militar (BM) e o Ministério Público (MP), com o auxílio da Polícia Civil, prenderam dez pessoas — sete por mandados de prisão e três em flagrante.
Também são cumpridos nove mandados de busca e apreensão e já foram recolhidos uma moto, um carro Pegeout, drogas e armas.
A investigação começou há três meses e descobriu que esta quadrilha era responsável pelo tráfico de drogas nas cidades de Osório, Tramandaí e Santo Antônio da Patrulha. Neste período, outras oito pessoas foram presas.
A principal característica deste grupo criminoso é o uso de jovens da cidade de Osório, usuários de drogas e frequentadores de festas rave, para realizar a tele-entrega dos entorpecentes.
Os jovens faziam a intermediação entre outros usuários e os traficantes, para que, caso fossem flagrados em abordagens da BM, fossem enquadrados como usuários e não como traficantes, assinando um termo circunstanciado por posse de entorpecente, que é um crime de menor potencial ofensivo.
Um dos espaços preferidos pelos traficantes para comércio da droga ilícita era a Praça das Carretas, no centro da cidade de Osório.
Durante o monitoramento dos integrantes dessa organização criminosa, foi constatado que um detento da Penitenciária Modulada Estadual de Osório havia determinado a execução de três pessoas de sua relação — um homem e duas mulheres. Em razão dessa constatação, a BM realizou operação de polícia ostensiva, e agindo preventivamente, efetuou a prisão da pessoa encarregada de cometer o crime, evitando o triplo-homicídio.
A operação foi batizada de Quimera (produto da imaginação, um sonho ou fantasia), cujo nome está associado ao efeito produzido pela droga ilícita, consumida por jovens na festas raves.
Foi desarticulada nesta manhã uma quadrilha de traficantes que utilizava jovens dependentes químicos para vender drogas em festas raves no Litoral Norte. Na chamada Operação Quimera, a Brigada Militar (BM) e o Ministério Público (MP), com o auxílio da Polícia Civil, prenderam dez pessoas — sete por mandados de prisão e três em flagrante.
Também são cumpridos nove mandados de busca e apreensão e já foram recolhidos uma moto, um carro Pegeout, drogas e armas.
A investigação começou há três meses e descobriu que esta quadrilha era responsável pelo tráfico de drogas nas cidades de Osório, Tramandaí e Santo Antônio da Patrulha. Neste período, outras oito pessoas foram presas.
A principal característica deste grupo criminoso é o uso de jovens da cidade de Osório, usuários de drogas e frequentadores de festas rave, para realizar a tele-entrega dos entorpecentes.
Os jovens faziam a intermediação entre outros usuários e os traficantes, para que, caso fossem flagrados em abordagens da BM, fossem enquadrados como usuários e não como traficantes, assinando um termo circunstanciado por posse de entorpecente, que é um crime de menor potencial ofensivo.
Um dos espaços preferidos pelos traficantes para comércio da droga ilícita era a Praça das Carretas, no centro da cidade de Osório.
Durante o monitoramento dos integrantes dessa organização criminosa, foi constatado que um detento da Penitenciária Modulada Estadual de Osório havia determinado a execução de três pessoas de sua relação — um homem e duas mulheres. Em razão dessa constatação, a BM realizou operação de polícia ostensiva, e agindo preventivamente, efetuou a prisão da pessoa encarregada de cometer o crime, evitando o triplo-homicídio.
A operação foi batizada de Quimera (produto da imaginação, um sonho ou fantasia), cujo nome está associado ao efeito produzido pela droga ilícita, consumida por jovens na festas raves.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
ESTADO TEÓRICO
“O Estado teoriza demais” - Luiz Vicente da Cunha Pires, prefeito de Cachoeirinha - ZERO HORA 27/04/12/2011
Citada como referência pela CNM, a Comunidade Terapêutica Pública Reviver, de Cachoeirinha, é um antigo sonho do atual prefeito Luiz Vicente da Cunha Pires. Dependente químico durante 16 dos seus 49 anos, Pires experimentou o despreparo do Estado para lidar com viciados em crack, droga que usou por três anos. Confira sua entrevista:
Zero Hora – Como o senhor conseguiu abandonar a dependência?
Luiz Vicente da Cunha Pires – Havia a possibilidade de me internar no hospital Espírita, em Porto Alegre, ou numa comunidade terapêutica, em Montenegro. Fui para o hospital, mas três dias depois decidi sair. Não era o que eu buscava. Então, procurei a comunidade terapêutica. Nove meses depois, em 1996, saí desintoxicado.
ZH – Qual a deficiência do poder público para recuperar drogados?
Pires – Não ofertar para o usuário de crack leitos suficientes para tratar a dependência. O Estado teoriza demais e oferece poucos leitos.
ZH – Como nasceu a Comunidade Terapêutica Pública Reviver?
Pires – Eu era responsável pelo “Projeto de Cara Limpa”, criado em 2002, que tratava da internação pelo município em comunidades terapêuticas por meio da compra de vagas. Enquanto fazíamos esse atendimento, nos organizávamos para criar uma comunidade pública, bancada pelo município.
ZH – Como funciona a comunidade?
Pires – Por meio de grupos de mútua ajuda espalhados no município, os usuários são encaminhados para a rede de atendimento que, por fim, encaminha para a comunidade terapêutica. Há 30 vagas para homens (jovens e adultos) que podem ficar até nove meses internados.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Venho defendendo a criação de Centros Públicos de Tratamento de Dependências e Distúrbios mentais em municípios sede de micro-regiões com investimentos pesados do poder público. O Estado não ser omisso e negligente deixando as ONGs tratarem sozinhas assuntos tão sérios como são as questões das drogas e dos distúrbios mentais que podem levar uma pessoa se aliciada pelo crime, cometer crimes hediondos ou realizar ações terroristas.
Citada como referência pela CNM, a Comunidade Terapêutica Pública Reviver, de Cachoeirinha, é um antigo sonho do atual prefeito Luiz Vicente da Cunha Pires. Dependente químico durante 16 dos seus 49 anos, Pires experimentou o despreparo do Estado para lidar com viciados em crack, droga que usou por três anos. Confira sua entrevista:
Zero Hora – Como o senhor conseguiu abandonar a dependência?
Luiz Vicente da Cunha Pires – Havia a possibilidade de me internar no hospital Espírita, em Porto Alegre, ou numa comunidade terapêutica, em Montenegro. Fui para o hospital, mas três dias depois decidi sair. Não era o que eu buscava. Então, procurei a comunidade terapêutica. Nove meses depois, em 1996, saí desintoxicado.
ZH – Qual a deficiência do poder público para recuperar drogados?
Pires – Não ofertar para o usuário de crack leitos suficientes para tratar a dependência. O Estado teoriza demais e oferece poucos leitos.
ZH – Como nasceu a Comunidade Terapêutica Pública Reviver?
Pires – Eu era responsável pelo “Projeto de Cara Limpa”, criado em 2002, que tratava da internação pelo município em comunidades terapêuticas por meio da compra de vagas. Enquanto fazíamos esse atendimento, nos organizávamos para criar uma comunidade pública, bancada pelo município.
ZH – Como funciona a comunidade?
Pires – Por meio de grupos de mútua ajuda espalhados no município, os usuários são encaminhados para a rede de atendimento que, por fim, encaminha para a comunidade terapêutica. Há 30 vagas para homens (jovens e adultos) que podem ficar até nove meses internados.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Venho defendendo a criação de Centros Públicos de Tratamento de Dependências e Distúrbios mentais em municípios sede de micro-regiões com investimentos pesados do poder público. O Estado não ser omisso e negligente deixando as ONGs tratarem sozinhas assuntos tão sérios como são as questões das drogas e dos distúrbios mentais que podem levar uma pessoa se aliciada pelo crime, cometer crimes hediondos ou realizar ações terroristas.
OBSERVATÓRIO DO CRACK
Observatório do Crack entra em ação. Site funcionará como banco de dados público para difundir experiências - ZERO HORA 27/04/2011
Os municípios têm, a partir de hoje, um espaço para trocar informações e boas práticas de enfrentamento ao crack. Lançado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), o Observatório do Crack – uma iniciativa inédita no país – servirá como banco de dados, alimentado pela sociedade e por órgãos públicos e privados.
O ponto de partida para o lançamento do observatório foi a pesquisa sobre a situação da droga nos municípios brasileiros, realizada em novembro de 2010, que constatou o alcance nacional do problema, disseminado em todas as regiões.
A investigação aferiu o consumo ou a circulação do crack em 98% das cidades do país.
O Observatório do Crack busca acompanhar a evolução nos municípios, as ações desenvolvidas, os investimentos realizados e os resultados alcançados pelos gestores.
Observatório do Crack pode ser acessado pelo site: http://www.cnm.org.br/crack/
Os municípios têm, a partir de hoje, um espaço para trocar informações e boas práticas de enfrentamento ao crack. Lançado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), o Observatório do Crack – uma iniciativa inédita no país – servirá como banco de dados, alimentado pela sociedade e por órgãos públicos e privados.
O ponto de partida para o lançamento do observatório foi a pesquisa sobre a situação da droga nos municípios brasileiros, realizada em novembro de 2010, que constatou o alcance nacional do problema, disseminado em todas as regiões.
A investigação aferiu o consumo ou a circulação do crack em 98% das cidades do país.
O Observatório do Crack busca acompanhar a evolução nos municípios, as ações desenvolvidas, os investimentos realizados e os resultados alcançados pelos gestores.
Observatório do Crack pode ser acessado pelo site: http://www.cnm.org.br/crack/
domingo, 24 de abril de 2011
SEM LIMITES
Sem Limites (Limitless) é um filme muito ruim. A história envolve um escritor fracassado que passa a se drogar com uma “pílula” ilegal, adquirindo condições excepcionais de inteligência e capacidade física. O sujeito, então, sem esforço, se transforma em um “vencedor”. Fica milionário, seduz as mulheres e entra, triunfalmente, na política. O argumento sustenta o mito de que “usamos apenas 20% das capacidades de nosso cérebro”. A nova droga permitiria o uso de 100% da capacidade cerebral (a propósito: cientistas como James Kakalios afirmam que usamos 100% de nosso cérebro em diferentes momentos e que se 100% de nossos neurônios fossem “ligados” simultaneamente todo o oxigênio disponível seria consumido e o indivíduo provavelmente morreria).
Bobagens à parte, Sem Limites é um filme de inspiração fascista que renova a noção de “seres superiores” – capazes de derrotar impiedosamente a todos em um mundo avesso à solidariedade – e que vincula a promessa de uma “super-humanidade” à indústria farmacêutica. Claro, a droga é perigosa e pode matar; mas o protagonista sabe o que faz e termina encontrando a “dose certa”, garantindo suprimento para o resto da vida. Em síntese: se o tráfico de drogas estivesse na bolsa, suas ações teriam aumentado muito depois desse filme.
Uma rápida menção em uma palestra na UFRGS, sugerindo política mais tolerante com relação à maconha, rendeu ao governador Tarso Genro críticas contundentes. Reinaldo Azevedo (da Veja, claro) chegou a sugerir sua cassação. Silvio Holderbaum escreveu em ZH artigo com o criativo título (especialmente para um publicitário) “Em boca fechada não entra mosca”, criticando o governador, entre outras coisas, por ter se referido ao seu tempo de luta clandestina. Para o articulista, isto seria “um modo sutil de dizer que vivia fora da lei”, concluindo: “ou será que traficantes, assassinos e outros fora da lei também não vivem na clandestinidade?”. Uau! Tarso Genro se referiu à luta clandestina contra a ditadura militar. Uma época em que a “legalidade” era ilegal, fonte de usurpação perpetrada por golpe de Estado. Uma “legalidade” contra as eleições diretas, contra a liberdade de expressão e contra as garantias individuais. Bem, é claro que as pessoas têm o direito de usar apenas 20% de sua capacidade cerebral, mas chama a atenção o que há de desproporcional nas críticas.
Observe-se: o governador não defendeu a legalização da maconha. Afirmou que uma política de drogas não deve tratar a maconha da mesma forma como a heroína ou o crack. Posição que, aliás, é política pública em quase toda a Europa Ocidental e, mais recentemente, mesmo em alguns países sul-americanos. Detalhe: quem defende a descriminalização da maconha é o ex-presidente Fernando Henrique. Ao lado dos também ex-presidentes César Gaviria (Colômbia) e Ernesto Zedillo (México), FHC tem afirmado que, para além dos eventuais malefícios à saúde, é preciso repensar a política criminal por conta dos efeitos muito mais perversos do proibicionismo. A começar pelo tráfico, claro. Posição com a qual estou de pleno acordo. Mas Fernando Henrique não foi, não é e não será criticado por conta desta posição. Todos sabemos a razão. A escolha de Tarso pelos críticos, assim, diz muito mais sobre eles do que sobre o governador.
*MARCOS ROLIM, JORNALISTA
Bobagens à parte, Sem Limites é um filme de inspiração fascista que renova a noção de “seres superiores” – capazes de derrotar impiedosamente a todos em um mundo avesso à solidariedade – e que vincula a promessa de uma “super-humanidade” à indústria farmacêutica. Claro, a droga é perigosa e pode matar; mas o protagonista sabe o que faz e termina encontrando a “dose certa”, garantindo suprimento para o resto da vida. Em síntese: se o tráfico de drogas estivesse na bolsa, suas ações teriam aumentado muito depois desse filme.
Uma rápida menção em uma palestra na UFRGS, sugerindo política mais tolerante com relação à maconha, rendeu ao governador Tarso Genro críticas contundentes. Reinaldo Azevedo (da Veja, claro) chegou a sugerir sua cassação. Silvio Holderbaum escreveu em ZH artigo com o criativo título (especialmente para um publicitário) “Em boca fechada não entra mosca”, criticando o governador, entre outras coisas, por ter se referido ao seu tempo de luta clandestina. Para o articulista, isto seria “um modo sutil de dizer que vivia fora da lei”, concluindo: “ou será que traficantes, assassinos e outros fora da lei também não vivem na clandestinidade?”. Uau! Tarso Genro se referiu à luta clandestina contra a ditadura militar. Uma época em que a “legalidade” era ilegal, fonte de usurpação perpetrada por golpe de Estado. Uma “legalidade” contra as eleições diretas, contra a liberdade de expressão e contra as garantias individuais. Bem, é claro que as pessoas têm o direito de usar apenas 20% de sua capacidade cerebral, mas chama a atenção o que há de desproporcional nas críticas.
Observe-se: o governador não defendeu a legalização da maconha. Afirmou que uma política de drogas não deve tratar a maconha da mesma forma como a heroína ou o crack. Posição que, aliás, é política pública em quase toda a Europa Ocidental e, mais recentemente, mesmo em alguns países sul-americanos. Detalhe: quem defende a descriminalização da maconha é o ex-presidente Fernando Henrique. Ao lado dos também ex-presidentes César Gaviria (Colômbia) e Ernesto Zedillo (México), FHC tem afirmado que, para além dos eventuais malefícios à saúde, é preciso repensar a política criminal por conta dos efeitos muito mais perversos do proibicionismo. A começar pelo tráfico, claro. Posição com a qual estou de pleno acordo. Mas Fernando Henrique não foi, não é e não será criticado por conta desta posição. Todos sabemos a razão. A escolha de Tarso pelos críticos, assim, diz muito mais sobre eles do que sobre o governador.
*MARCOS ROLIM, JORNALISTA
A MACONHA NO PODER
A medíocre constelação de políticos que nos governa só não é pior nem se exaure nas trevas porque nela despontam algumas estrelas com luz própria, em condições de apontar caminhos. Entre nós, por exemplo, Tarso Genro foi sempre uma dessas escassas figuras lúcidas e sóbrias, capazes de entender o futuro a partir das lições do passado para interpretar o cotidiano. Por isto, foi visto como aglutinador e elegeu-se por folgada maioria absoluta.
Mas, o que dizer quando o governador Tarso Genro, ao proferir a aula magna da UFRGS, faz a defesa (quase apologia) do uso da maconha e, entre risos e aplausos, tece uma frase digna da antologia da tolice: “Nunca vi uma pessoa matar por ter fumado um cigarro de maconha!”.
E quem fuma cigarro de tabaco, mata? Por isso se restringe o tabaco ou se proíbe a propaganda na TV e rádio?
Se fosse conversa em roda de bar em fim da tarde, nada a objetar. Pode-se dizer que nunca vimos ninguém matar por beber cerveja e que o alcoolismo do “happy hour” não oferece perigo letal. No entanto, aula magna de Universidade é outra coisa: busca transmitir e amalgamar conhecimento. Ali, não se opina por opinar, nem se está num comício em busca de votos, mas tentando aprofundar teses num nível científico e inteligível.
***
Os “bixos” (ansiosos em conhecer o saber novo da Universidade) o que assimilarão para o futuro ao ouvirem o governador dizer que, na mocidade, só não usou maconha por questão de segurança, pois eram tempos de clandestinidade na ditadura, mas que sabe que a Cannabis “é muito saborosa”??
O uso das drogas é tema candente e é perverso não apenas por seu “componente econômico”, que chega ao poder e à política, como sustenta o governador. A perversão vai muito além e é inumana porque a droga afeta e degrada o sistema cerebral, em maior ou menor grau. A droga é a única doença que se semeia, que se vende e se compra. Sua maldade intrínseca é ser o oposto à beleza da vida. Ao viciar, subjuga e escraviza e, assim, se opõe aos princípios da liberdade humana, da iniciativa pessoal e do livre-arbítrio.
Não entendo como o lúcido Tarso Genro escorregou nessa casca de banana e sustentou a falácia trôpega (típica de “happy hour”) de que “muitos especialistas dizem que a Cannabis sativa faz menos mal do que o cigarro”. Estes “especialistas” em nada se especializaram e ignoram que a maconha entorpece o raciocínio, torna tudo lerdo, retarda a volição e a libido.
E, pior ainda, é porta de entrada ou caminho de passagem para “subir” às drogas pesadas, como heroína ou cocaína. Ou para “descer” à crueldade do “crack”.
***
O cidadão Tarso Genro tem suficiente formação intelectual para pensar e agir como queira, consultando apenas suas inclinações. Proferiu a aula magna, porém, na condição de governador estadual e, como tal, deve ser intérprete da coletividade que governa e à qual está subordinado. Pretender o contrário (que os governados se subordinem ao governante) seria voltar à carcomida ditadura. E ele (que, como muitos de nós, se opôs aos tempos ditatoriais) sequer imagina esse absurdo.
Para marcar o fim dos preconceitos e dos absurdos, foi elucidativo que tenha citado Marx e Heidegger para falar de democracia e República. Mas foi penoso ouvi-lo dizer que não tem “nenhum preconceito” com as drogas.
Brutal é ter preconceito ou discriminar o usuário da droga, vítima num processo escabroso. Mas entre a perversão e a vida, não há escolha. A não ser que se dê todo o poder à maconha...
*FLÁVIO TAVARES, JORNALISTA E ESCRITOR
Mas, o que dizer quando o governador Tarso Genro, ao proferir a aula magna da UFRGS, faz a defesa (quase apologia) do uso da maconha e, entre risos e aplausos, tece uma frase digna da antologia da tolice: “Nunca vi uma pessoa matar por ter fumado um cigarro de maconha!”.
E quem fuma cigarro de tabaco, mata? Por isso se restringe o tabaco ou se proíbe a propaganda na TV e rádio?
Se fosse conversa em roda de bar em fim da tarde, nada a objetar. Pode-se dizer que nunca vimos ninguém matar por beber cerveja e que o alcoolismo do “happy hour” não oferece perigo letal. No entanto, aula magna de Universidade é outra coisa: busca transmitir e amalgamar conhecimento. Ali, não se opina por opinar, nem se está num comício em busca de votos, mas tentando aprofundar teses num nível científico e inteligível.
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Os “bixos” (ansiosos em conhecer o saber novo da Universidade) o que assimilarão para o futuro ao ouvirem o governador dizer que, na mocidade, só não usou maconha por questão de segurança, pois eram tempos de clandestinidade na ditadura, mas que sabe que a Cannabis “é muito saborosa”??
O uso das drogas é tema candente e é perverso não apenas por seu “componente econômico”, que chega ao poder e à política, como sustenta o governador. A perversão vai muito além e é inumana porque a droga afeta e degrada o sistema cerebral, em maior ou menor grau. A droga é a única doença que se semeia, que se vende e se compra. Sua maldade intrínseca é ser o oposto à beleza da vida. Ao viciar, subjuga e escraviza e, assim, se opõe aos princípios da liberdade humana, da iniciativa pessoal e do livre-arbítrio.
Não entendo como o lúcido Tarso Genro escorregou nessa casca de banana e sustentou a falácia trôpega (típica de “happy hour”) de que “muitos especialistas dizem que a Cannabis sativa faz menos mal do que o cigarro”. Estes “especialistas” em nada se especializaram e ignoram que a maconha entorpece o raciocínio, torna tudo lerdo, retarda a volição e a libido.
E, pior ainda, é porta de entrada ou caminho de passagem para “subir” às drogas pesadas, como heroína ou cocaína. Ou para “descer” à crueldade do “crack”.
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O cidadão Tarso Genro tem suficiente formação intelectual para pensar e agir como queira, consultando apenas suas inclinações. Proferiu a aula magna, porém, na condição de governador estadual e, como tal, deve ser intérprete da coletividade que governa e à qual está subordinado. Pretender o contrário (que os governados se subordinem ao governante) seria voltar à carcomida ditadura. E ele (que, como muitos de nós, se opôs aos tempos ditatoriais) sequer imagina esse absurdo.
Para marcar o fim dos preconceitos e dos absurdos, foi elucidativo que tenha citado Marx e Heidegger para falar de democracia e República. Mas foi penoso ouvi-lo dizer que não tem “nenhum preconceito” com as drogas.
Brutal é ter preconceito ou discriminar o usuário da droga, vítima num processo escabroso. Mas entre a perversão e a vida, não há escolha. A não ser que se dê todo o poder à maconha...
*FLÁVIO TAVARES, JORNALISTA E ESCRITOR
sexta-feira, 22 de abril de 2011
UNIVERSITÁRIO TRAFICAVA LSD E ECSTASY EM SHOPPING
FESTA FRUSTRADA. Universitário traficava LSD e ecstasy em shopping - ZERO HORA 22/04/2011
Uma informação impediu, na noite de quarta-feira, que mais uma festa fosse regada a LSD e ecstasy em Porto Alegre. Informados de que a droga seria entregue por um traficante no estacionamento de um shopping na Avenida Assis Brasil, na zona norte da Capital, por volta das 23h, agentes do Denarc chegaram a um homem de 20 anos com o produto em um automóvel Renault C3, preto. O nome do suspeito foi preservado pela polícia.
Com o jovem, um estudante de Análise de Sistemas em uma faculdade de Porto Alegre, os policiais encontraram 50 pontos de LSD e 10 comprimidos de ecstasy. De acordo com o delegado Márcio Moreno, a venda da droga poderia render até R$ 5 mil.
– Tínhamos a informação de que a droga chegaria àquele local e prendemos um dos suspeitos, mas a operação não está encerrada. Estamos apurando o circuito dessas drogas, que são as mais difíceis de se apreender, aqui no Rio Grande do Sul – explica o responsável pela investigação.
O jovem foi abordado quando desceu do carro e autuado em flagrante. A polícia não esclarece para qual festa a droga iria. No ano passado, duas entregas semelhantes foram interceptadas pelo Denarc no mesmo local. Nas duas vezes, porém, foi deixado crack por traficantes em carros estacionados naquele local.
Uma informação impediu, na noite de quarta-feira, que mais uma festa fosse regada a LSD e ecstasy em Porto Alegre. Informados de que a droga seria entregue por um traficante no estacionamento de um shopping na Avenida Assis Brasil, na zona norte da Capital, por volta das 23h, agentes do Denarc chegaram a um homem de 20 anos com o produto em um automóvel Renault C3, preto. O nome do suspeito foi preservado pela polícia.
Com o jovem, um estudante de Análise de Sistemas em uma faculdade de Porto Alegre, os policiais encontraram 50 pontos de LSD e 10 comprimidos de ecstasy. De acordo com o delegado Márcio Moreno, a venda da droga poderia render até R$ 5 mil.
– Tínhamos a informação de que a droga chegaria àquele local e prendemos um dos suspeitos, mas a operação não está encerrada. Estamos apurando o circuito dessas drogas, que são as mais difíceis de se apreender, aqui no Rio Grande do Sul – explica o responsável pela investigação.
O jovem foi abordado quando desceu do carro e autuado em flagrante. A polícia não esclarece para qual festa a droga iria. No ano passado, duas entregas semelhantes foram interceptadas pelo Denarc no mesmo local. Nas duas vezes, porém, foi deixado crack por traficantes em carros estacionados naquele local.
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