COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

CRACK NEM PENSAR - CAMPANHA AJUDA NA REDUÇÃO DA CRIMINALIDADE



Combate ao crack ajuda a diminuir criminalidade no RS. Estatísticas mostram que as campanhas despertaram a sociedade para a necessidade de cobrar soluções - Zero Hora 23/11/2010 - carack Nem Pensar, Notícias, http://zerohora.clicrbs.com.br/especial/rs/cracknempensar/19,0,3118229,Combate-ao-crack-ajuda-a-diminuir-criminalidade-no-RS.html

A mobilização contra a epidemia de crack no Estado, que teve um reforço por meio de campanhas como a Crack, Nem Pensar, já contabiliza benefícios medidos não só em número de apreensões, mas também na queda na criminalidade.

Estatísticas mostram que as campanhas despertaram a sociedade, a qual, por sua vez, aumentou a pressão por soluções junto às autoridades.

A guerra contra o crack se intensificou justamente nos dois últimos anos, quando foi estimado que a droga já ameaça 50 mil famílias gaúchas. Segundo policiais e especialistas, a captura de traficantes, aliada ao desmantelamento de quadrilhas especializadas e de receptadores, reduz furtos e roubos porque tira das ruas os responsáveis por trocar os produtos dos crimes por droga.

— É perceptível para nós. Sem o tráfico, os elos vão enfraquecendo. Isso acaba diminuindo os casos de roubos e furtos praticados por usuários ou por pequenos traficantes — atesta João Bancolini, diretor do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), um dos principais órgãos gaúchos de repressão a entorpecentes.

Para a coordenadora do Departamento de Álcool e Outras Drogas da Associação de Psiquiatria do Estado, Carla Bicca, as mobilizações têm o mérito de induzir os governos a revigorar as políticas de saúde de tratamento. Mas pondera que o crack não é a única vilã, outras drogas também matam.

A receita da Restinga

Os efeitos positivos da mobilização social podem ser medidos no bairro Restinga, na zona sul da Capital. Articulados para combater o tráfico potencializado pelo crack, policiais e moradores começam a perceber um resultado que o Estado ainda não conseguiu atingir: o número de homicídios está caindo em comparação a anos passados.

Por trás da maior parte das mortes, os traficantes sofrem ataques em três fronts distintos. Além da repressão policial e da troca de informações entre agentes e moradores, escolas, instituições comunitárias e Brigada Militar têm investido na conscientização de crianças e adolescentes. Pelo menos 700 estudantes do Ensino Fundamental participam por ano do Programa Educacional de Resistência às Drogas e a Violência (Proerd), da Brigada.

— O que eles aprendem nas palestras é trabalhado durante o resto do ano com os professores — ressalta a diretora da Escola Estadual de Ensino Fundamental Nossa Senhora da Conceição, Sandra Schizzi.

O soldado Júlio César Santos de Souza explica que o trabalho desenvolvido na Restinga é diferente do executado em escolas de outros bairros cobertos pelo 21º BPM.

— Na Restinga, muitas crianças e muitos adolescentes vivem o problema dentro de casa. O assédio dos traficantes é maior. Por isso, temos de reforçar a autoestima desses alunos, para que tenham força de driblar as drogas. Não se trata apenas de dizer que faz mal — avalia o PM.

Fora das salas de aula, a aproximação dos moradores com as polícias se dá nos conselhos comunitários e no Programa Polícia Cidadã da BM.

Os números - Dados de janeiro a setembro na Restinga:

Prisões de traficantes pela BM
2008: 34
2009: 71
2010: 81

Homicídios
2008: 28
2009: 24
2010: 19

Campanha embala dois Estados

Lançada em maio de 2009, a campanha Crack, Nem Pensar mobilizou as comunidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina contra a droga que transforma jovens em mendigos, arrasa famílias e aciona o gatilho da violência. Teve o mérito de unir sociedade, instituições, especialistas e autoridades no enfrentamento ao que já é qualificado como epidemia pelo seu poder devastador.

A campanha serviu para alertar gaúchos e catarinenses para um quadro assustador: o crack vicia de imediato, liquida a saúde, humilha seus dependentes e apresenta um índice de recuperação quase nulo. A conscientização e as ações concretas nortearam a campanha. As peças publicitárias – criadas pela Agência Matriz, de Porto Alegre – expressam, por meio de imagens impactantes, situações de destruição física e moral.

As ações - Calcula-se que mais de 1 milhão de automóveis, caminhões e motos circularam com o adesivo Crack, Nem Pensar. Cerca de 250 mil cartilhas foram distribuídas em escolas. Comunicadores, comentaristas e colunistas do Grupo RBS foram às ruas para divulgar a campanha. Em 2010, na segunda fase, foram distribuídas pulseiras de silicone emborrachado, nas cores cinza, vermelho e preto, com a inscrição Crack, Nem Pensar. Sob coordenação da Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho, o Portal Social contempla 20 instituições com projetos antidrogas.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Acredito nesta campanha, porém acho que seus resultados pouco satisfatórios em função da inércia do Estado:

- O Executivo tem sido omisso nas questões de saúde criando poucas vagas e nenhum centro público de tratamento das dependências e desvios mentais que levam uma pessoa morrer pelas drogas e cometer crimes. As pessoas dependentes ficam sem tratamento e as famílias sem orientação ficam a mercê da doença. A educação de crianças e adolescentes é falha ao não inserir nos curriculos escolares este tema de saúde e ordem pública. Só na área policial se vê resultados positivos. Na repressão, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Civil e a Brigada Militar fazem um grande esforço para identificar, prender traficantes e apreender grandes quantidades de drogas. Na prevenção, Brigada Militar trabalha com o PROERD treinando multiplicadores e formando uma rede de crianças e adolescentes para evitar e mostrar os malefícios das drogas. Um papel preventivo que deveria ser desempenhado também por professores e agentes de saúde.

- Os parlamentares e a justiça estão abrandando as leis de tráfico e consumo de drogas, desmotivando o esforço policial e reduzindo o valor das campanhas contra as drogas. Não há obrigatoriedade para o tratamento e as pessoas envolvidas como vapor e intermediário do tráfico recebem o mesmo tratamento que o traficante chefe. Não é a toa que as drogas são consumidas livremente nas festas, parques e ruas das cidades.

- A campanha da RBS tem a importância de mobilizar a sociedade para reagir e exigir dos Poderes de Estado ação e comprometimento com esta questão que estimula a exclusão, as doenças, as desordens, a criminalidade e a violência no Brasil. Pena que a mídia, apesar de todo esforço e investimento, tem dificuldades sérias para acordar o povo e sensibilizar os governantes.