COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

PRESIDENTE DO URUGUAI CEDE À LEI DA MACONHA

ZERO HORA 09 de agosto de 2013 | N° 17517

EM CAMPANHA. Tabaré cede à lei da maconha. Ex-presidente uruguaio surpreende ao confirmar que voltará à cena eleitoral e defende projeto polêmico de legalização da droga


Fervoroso militante antitabaco, o ex-presidente do Uruguai Tabaré Vázquez se revelou simpatizante da legalização da venda de maconha, em debate no país. O médico oncologista, que comandou o país de 2005 a 2010 e havia anunciado que deixaria a vida política, mudou o tom, confirmando sua candidatura à sucessão de José Mujica e endossando o projeto do aliado para regulamentação da droga.

Tabaré, porém, foi mais longe ao acenar positivamente a, se for eleito, disciplinar também a venda de cocaína. Em entrevista ao Canal 4 da TV uruguaia, Tabaré disse ser favorável ao projeto sobre a Cannabis aprovado na Câmara dos Deputados no dia 31 de julho, mas que não conta com apoio da maioria da população, conforme pesquisas de opinião. Perguntado se estaria disposto a lutar pela legalização da cocaína, respondeu com um surpreendente “sim”. Em seguida, fez ressalvas, sem entrar em detalhes.

– Não se trata de liberalizar o consumo (de cocaína). Temos de educar para que não se consuma. Mais do que liberalizar, temos de regular.

Tabaré já se posicionou contra a legalização, afirmando que não daria apoio à proposta se estivesse no poder.

– Primeiramente, você tem de provar que a legalização do consumo de drogas funciona. Não há razão para consumir maconha. Simplesmente, não deve ser consumida – afirmou para estudantes no ano passado.

A oposição tenta desqualificar a posição do ex-presidente. O senador conservador Jorge Larrañaga, do Partido Nacional, afirmou que a manifestação do médico é uma “surpresa” e se referiu à entrevista como uma “barbaridade” e um “disparate”. Pesquisas apontam a Frente Ampla, de Tabaré e Mujica, como favorita, seguida do Partido Nacional e do Partido Colorado.

Empresas estrangeiras querem plantar no país

No afã pela regulamentação da maconha, que ainda passará por votação no Senado, empresas estrangeiras já manifestam interesse em plantar a erva no Uruguai, diz o presidente da Junta Nacional de Drogas, Julio Calzada. Entre os interessados, estão uruguaios residentes no Exterior e empresas de Holanda, Israel, Inglaterra e Canadá que se dedicam à atividade.

Segundo o projeto, a Cannabis deverá ser cultivada por empresas ou clubes registrados. As empresas irão produzir de 20 a 22 toneladas da droga ao ano – o que seria suficiente para abastecer o mercado.