COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

MACONHA: SIM OU NÃO


ZERO HORA 07 de agosto de 2014 | N° 17883


CÉSAR AUGUSTO TRINTA WEBER


Sabemos que a proibição do consumo de drogas lícitas, como o tabaco e o álcool, a menores é pouco eficaz tanto aqui quanto nos Estados Unidos. Assim, acreditar que a proibição da venda da maconha para essa faixa etária impediria o consumo seria pura candura.

Sem consenso, a favor da legalização da maconha há os argumentos do uso medicinal baseado em estudos científicos que sustentam ser o canabidiol – substância química encontrada na maconha –, em determinados quadros clínicos, de boa resposta terapêutica, sobretudo, para doenças neurológicas. Com indicação precisa, em doses terapêuticas adequadas, com o uso controlado e a devida comprovação dos benefícios frente aos riscos, tudo indica ser justificável a sua utilização para um melhor bem-estar do paciente.

Contra, o fato de que, legalizada, poderia ter um efeito estimulador ao uso deliberado. A circunstância da legalização, associada ao fato de que, em nosso meio, o uso da maconha vem se mostrando culturalmente aceito, pode ter um efeito catalisador para o primeiro uso ou para o uso esporádico.

Amparado por lei, o usuário desfrutaria livremente dessa experiência. Nessa perspectiva, estar-se-iam aumentando as chances de o uso se tornar abuso, podendo ter consequências mais nefastas, entre elas, o caminho para drogas mais pesadas ou ainda a indesejável dependência.

Agora, para aqueles que fazem uso abusivo ou são dependentes químicos, a liberação em nada influenciaria, pois nesses casos o que importa são o preço e a disponibilidade da droga. Fica a questão: legalizar ou não?

Médico