COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

JOVENS ALICIADOS PELO DINHEIRO FÁCIL, VIAGENS À EUROPA E GLAMOUR

Jovens envolvidos na Operação Voyage eram atraídos por possibilidade de ganhar dinheiro fácil - DIÁRIO CATARINENSE, 06/09/2011 | 06h50min

De acordo com MPF, os traficantes lucravam entre oito e 10 vezes mais que na Europa
Os jovens envolvidos na Operação Voyage, da Polícia Federal, eram atraídos pelo lucro fácil. Conforme o procurador do Ministério Público Federal, Marcelo da Mota, os traficantes lucravam entre oito e 10 vezes mais que o preço pago pelas drogas na Europa.

Eles também não tinham dificuldades em ingressar no ramo. Praticamente todos falam inglês e tinham dinheiro para bancar as primeiras remessas. A polícia acredita que durante a operação tirou do mercado cerca de R$ 20 milhões em drogas. As mulas também eram aliciadas com a perspectiva de ganhar dinheiro e conhecer a Europa.

Outro ponto levantado pelas autoridades é o ilusório glamour que envolve os usuários desse tipo de drogas, comumente frequentadores de festas eletrônicas:

— Por estarem muito envolvidas com o glamour das festas eletrônicas, tendemos a achar que essas drogas são mais leves, mas os efeitos psicológicos são profundos, assim como de outros entorpecentes — explica Mota.

Os presos podem ser condenados a até 25 anos de reclusão por tráfico internacional. Devido a um acordo entre a Polícia Federal e o Ministério Público Federal os nomes não foram divulgados. O nome da operação "Voyage" é devido às viagens que eram feitas pelos envolvidos.

Mãe de jovem envolvido em esquema de tráfico de drogas em SC se surpreende com a prisão do filho. Mulher disse à polícia que não sabia da atividade ilícita.

Nesta segunda-feira cerca de cem policiais federais partiram para cumprir os 12 mandados de busca e 10 de prisão na Grande Florianópolis na Operação Voyage, que prendeu jovens envolvidos no tráfico internacional. A estratégia era chegar à casa dos suspeitos antes mesmo que eles tivessem acordado, para inviabilizar qualquer tentativa de fuga.

Em uma das casas, no bairro Procasa, em São José, a polícia encontrou pelo menos cinco televisores de LCD, notebooks e pneus novos no quarto de um dos suspeitos. A investigação acredita serem fruto de receptação.

O jovem de 22 anos, que estava com mandado de prisão em seu nome, foi preso e seu irmão acabou encaminhado à delegacia e assinou um termo circunstanciado, pois guardava uma pequena quantidade de maconha.

A mãe do suspeito estava em casa no momento da abordagem, mas disse que não sabia da atividade ilícita do filho. Na delegacia, uma comadre do suspeito disse que ele nunca havia sido preso e garante que ele não traficava.

A mulher contou que o rapaz, que tem um filho de dois anos, trabalha com a família em uma padaria. Segundo ela, os produtos guardados na casa do suspeito foram comprados por valores muito abaixo do preço de mercado.

Oito foram presos em SC

Busca por lucro fácil, viagens à Europa e até um falso glamour que envolve as festas eletrônicas. Terminou tudo em prisão para jovens de classe média com idades entre entre 19 e 25 anos. Eles traziam drogas sintéticas para baladas em cinco estados brasileiros.

O esquema internacional, do qual eles faziam parte, sofreu mais um revés na segunda-feira. A Operação Voyage, da Polícia Federal (PF), em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), prendeu 28 jovens envolvidos no tráfico internacional no país. Deflagrada em fevereiro, a primeira parte da ação encerrou-se com a prisão de oito pessoas na Grande Florianópolis.

A Capital foi a base da operação. Daqui, saíam as principais remessas de cocaína e chegavam os carregamentos de ecstasy, LSD e skank trazidos da Europa. Depois, as drogas eram distribuídas em todo o Estado e ainda em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Pernambuco.

Ao longo desses meses, quase 70 mil comprimidos de ecstasy, 28 mil pontos de LSD, 12 quilos de cocaína quase pura e dois quilos de skunk foram apreendidos em operações nas rodovias e aeroportos de todo o país.

A organização criminosa, que a polícia acredita ter desmantelado com a operação, era composta por vários grupos que se comunicavam. Por isso, não há um cabeça. Os traficantes contratavam mulas, também jovens de classe média, para levar cocaína à Europa e voltar com as drogas sintéticas.