COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

domingo, 2 de junho de 2013

PARCERIA PF E UFRGS CONTRA O TRÁFICO DE DROGAS

CORREIO DO POVO 01/06/2013 20:58

Parceria entre PF e Ufrgs ajuda a enfrentar o tráfico de drogas. Grupo de pesquisa produz um tipo de cocaína usada como referência em análises



primeiros testes para a produção de SQR foram em 2008
Crédito: PF / Divulgação / CP


Uma parceria da Polícia Federal com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) irá auxiliar no enfrentamento ao problema de dependência química e da criminalidade associada ao tráfico de drogas. Um grupo de pesquisa das duas instituições foi criado para a produção própria da chamada Substância Química de Referência (SQR), usada como padrão de comparação em exames de química ou toxicologia forense.

“Para a elaboração do laudo, são feitos exames em que propriedades específicas do material desconhecido são comparadas com as propriedades de uma substância de referência, com pureza adequada e conhecida com a exatidão e precisão necessárias”, explica o perito criminal federal Marcelo Gatteli Holler.

A SQR resultou em cinco substâncias relacionadas à cocaína: cloridrato de cocaína; benzoilecgonina; cloridrato de ecgonina; cloridrato de anidroecgonina, e éster metílico da anidroecgonina. 'Elas podem ser encontradas em amostras de cocaína apreendidas e em usuários de cocaína e crack, permitindo essa diferenciação do uso', explica o perito da Polícia Federal.

Após mais dois anos de pesquisa foram produzidos 163 frascos com 200 mg de cloridrato de cocaína cada, além das outras quatro substâncias que ainda não foram envasadas. Parte do primeiro lote de cloridrato de cocaína já produzido, totalizando 50 frascos, foi enviado ao Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, que repassou um frasco para cada laboratório da PF em todo o país. “A ideia do projeto é que ele tenha continuidade e seja expandido, de maneira que não apenas os laboratórios da PF possam se beneficiar, mas os outros laboratórios oficiais de perícia, e que outras SQRs sejam produzidas, tais como substâncias relacionadas à maconha”, afirma Holler.

Trabalho feito sob intensa vigilância

A produção de uma SQR obedece a uma série de critérios rígidos e que demandam o uso de equipamentos de valor elevado e trabalho intensivo, tornando o processo caro e demorado.

No caso de substâncias sujeitas a regime especial de controle, como medicamentos controlados e drogas ilegais, existe uma dificuldade de acesso ainda maior, sobretudo para as substâncias proscritas, como cocaína e LSD, entre outras. “Caso a PF comprasse os cerca de 50 frascos já em utilização diretamente nos Estados Unidos pagaria em torno de 180 mil dólares”, calcula o perito criminal federal Marcelo Gateli Holler.

Para a obtenção desse tipo de SQR, até então, o Brasil dependia de tecnologia estrangeira. A Polícia Federal realizou um trabalho experimental em pequena escala, voltado à produção de padrões de drogas ilegais. Em 2008 foi obtida uma pequena quantidade de cloridrato de cocaína, com pureza razoável, comprovando a viabilidade técnica da ideia.

Os peritos criminais federais procuraram, então, os professores da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do RS para propor a criação de um grupo de pesquisa. Um termo de cooperação foi firmado com aprovação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Matéria-prima veio de apreensão

A cocaína produzida por traficantes não tem o mesmo grau de pureza obtido na pesquisa da PF e da Ufrgs, pois quase sempre se encontra adulterada com produtos que podem causar problemas à saúde dos usuários. “Pode-se dizer que os pesquisadores começaram o trabalho a partir de onde os traficantes pararam”, diz o perito Marcelo Gatteli Holler.

A matéria prima utilizada foi oriunda de uma apreensão de 330 kg de cocaína em 2010, no Porto de Rio Grande. Em torno de 3 kg foram guardados para serem empregados na pesquisa, após autorização da Justiça Federal. O fato de a cocaína estar adulterada representou um desafio científico, mas foi possível isolar o cloridrato de cocaína das impurezas.

Até o momento, cerca da metade da amostra recebida foi usada. A maioria dos procedimentos ocorreu na sede da PF. O trabalho é realizado sob esquema de segurança. Para a Ufrgs eram enviadas quantidades mínimas de soluções das substâncias, em baixa concentração, que inviabilizaria qualquer uso indevido.


Fonte: Correio do Povo