COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

terça-feira, 22 de março de 2011

CONSULTÓRIO DE RUA CONTRA AS DROGAS


Consultório de Rua busca reduzir danos à saúde de usuários de crack na Capital. Equipes de saúde percorrem a cidade em projeto do Grupo Hospitalar Conceição. Marcelo Gonzatto - zero hora, 22/03/2011

Desde o ano passado, mais de 300 pessoas que vivem ou trabalham nas ruas da zona norte da Capital receberam a visita de uma equipe de saúde pouco convencional. Dedicados a melhorar as condições de vida e a reduzir os danos provocados pelo uso de crack, álcool e outras drogas, os profissionais vinculados ao projeto Consultório de Rua percorrem há seis meses praças, parques e vilas oferecendo auxílio psicológico, clínico e social à camada mais vulnerável da população.

Colocado em prática em setembro do ano passado pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), o programa conta com uma van e 16 especialistas de áreas como enfermagem, assistência social, psicologia e educação física para rodar pela cidade. Como Zero Hora testemunhou ontem à tarde, ao acompanhar o trabalho de uma equipe, a missão exige paciência.

Ao chegar a uma área verde transformada em moradia, os profissionais são cumprimentados já de longe. Conquistar a confiança da população-alvo foi o primeiro desafio dos integrantes do serviço coordenado por Ana Lúcia Poletto. Os outros não são menos desafiadores, como demonstra o caso de um dos moradores do local — um alcoólatra de 43 anos.

— O pessoal ajudou a me internar duas vezes, mas caí de novo na bebida. Eu acordo, vem aquela vontade e tenho que beber um gole de cachaça. Mas espero que eles me ajudem mais uma vez, quero me internar de novo — desabafou.

Atuação vai além da área de saúde

Trinta pessoas recebem atendimento mais intensivo para se livrar da dependência às drogas ou se reinserir na sociedade. Para isso, algumas vezes o trabalho dos profissionais vai muito além de promover a saúde física ou mental. Um morador de rua de 53 anos revela que graças ao apoio da equipe do consultório itinerante ele conseguiu recuperar sua certidão de nascimento.

– Agora quero fazer minha carteira de identidade, CPF e encaminhar a minha aposentadoria – revelou.

O atendimento inclui ações preventivas, como distribuição de camisinhas e aplicações de injeções de contraceptivo a prostitutas, e atividades culturais como a exibição de filmes. Em uma semana, os moradores visitados ontem assistirão ao documentário Lixo Extraordinário, que mostra a transformação de entulho em obras de arte.