COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

SEXO DROGAS E CADEIA - Quadrilha agenciava viciadas endividadas

SEXO DROGAS E CADEIA - Quadrilha agenciava viciadas endividadas. Mulheres eram obrigadas por traficantes a fazer programas em Alvorada - FRANCISCO AMORIM, ZERO HORA, 17/12/2010

Ao investigar uma quadrilha de tráfico de drogas em Alvorada, agentes da Polícia Civil descobriram o embrião de uma rede de prostituição em que os gerentes das bocas de fumo assumiram também a função de cafetões. Para recuperar dívidas contraídas por viciadas em crack, os traficantes agenciavam programas sexuais por até R$ 150.

Desarticulado ontem com a prisão de nove integrantes durante uma operação que envolveu 50 policiais civis, o bando que vendia cocaína e crack começou a ter os passos monitorados havia dois meses após a execução de um de seus integrantes, que tentava abrir seu próprio ponto de tráfico.

– Começamos a investigar o envolvimento do bando em mortes quando descobrimos que os traficantes agenciavam programas com usuárias de drogas para quitar dívidas com ele – explicou o delegado Leonel Carivali.

O policial ficou surpreso com a estratégia adotada pelos traficantes. Escutas telefônicas revelaram que homens ligavam para os criminosos em busca de garotas, entre elas, possivelmente adolescentes, que estavam devendo dinheiro por drogas adquiridas nas bocas de fumo administradas pelo bando. O valor do programa era acordado por celular e variava de acordo com a idade e a aparência física das jovens, podendo chegar a R$ 150. Alguns clientes buscavam as jovens no ponto de tráfico, outros preferiam encontrá-las em vias públicas movimentadas.

– Foi o jeito encontrado por eles para recuperar o dinheiro que as mulheres deviam na boca de fumo – explicou o delegado.

A intenção inicial da polícia era desbaratar o grupo para reduzir os indicadores criminais da cidade. Atualmente, Alvorada ocupa o terceiro lugar no ranking de homicídios no Estado com 85 mortes, perdendo apenas para Porto Alegre (341) e Caxias do Sul (90). Alvorada passa à primeira colocação em assassinatos a cada 100 mil habitantes.

Conforme a polícia, a quadrilha desarticulada está envolvida em pelo menos duas mortes ocorridas neste ano. Investigações em andamento revelam que o bando pode estar ainda por trás da maior parte dos 18 assassinatos ocorridos na área da 2ª Delegacia da Polícia Civil de Alvorada.

Além da prisão de três pessoas em flagrante por tráfico e porte de armas, outros seis suspeitos foram presos após terem tido a prisão temporária decretada pela Justiça. Na operação foram apreendidos quatro motos, 140 pedras de crack, 22 buchas de cocaína, além de um revólver calibre 38 e uma espingarda.


Escutas telefônicas - As escutas telefônicas dos suspeitos feitas com autorização da Justiça revelam como funcionava o esquema de agenciamento de programas sexuais entre viciadas e outros clientes dos traficantes.

Confira trecho de uma conversa na noite do dia 11, entre o gerente de uma das bocas, uma usuária de drogas e um cliente do esquema:

Cliente – Oh meu, não tem nenhuma guria para fazer um programa comigo?
Traficante – Espera a (dá o nome de uma mulher) chegar.
Cliente – Mas que horas?
Traficante – Oh, tem a (dá o nome de outra mulher)! Onde tu quer pegar ela, lá em casa?
Cliente – Deixa eu falar com ela!
Mulher – Oi. (Em seguida ela começa a conversar com o traficante, que assume o telefone)
Cliente – Oi. Quanto é teu programa?
Traficante – É 150. A guria tem 17 aninhos, o que tu quer mais?
Cliente – 150?
Traficante – 17 aninhos!