COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

DROGAS E O SISTEMA FAMILIAR


ZERO HORA 16 de outubro de 2012 | N° 17224. ARTIGOS


Márcia Pettenon *

A dependência de substâncias psicoativas (lícitas e ilícitas) tem sido tema de debate em vários âmbitos de nossa sociedade. Órgãos públicos e privados vêm discutindo estratégias, realizando estudos e implementando novas formas de intervenções com o objetivo de diminuir a incidência de novos casos.

O uso/abuso de substâncias psicoativas não é um fenômeno atual, no entanto, ficamos impactados, por exemplo, com os índices crescentes de usuários/dependentes de crack em todas as classes sociais. Podemos identificar vários problemas associados à dependência química, como danos físicos e psicológicos aos usuários, gastos públicos com tratamentos, aumento da violência e da criminalidade e graves problemas familiares. Sabe-se que tornar-se ou não dependente químico depende de inúmeros fatores de vulnerabilidade. No entanto, em relação ao ambiente familiar, estudos vêm demonstrando que o tipo de estrutura familiar é considerado tanto um importante fator de risco quanto um poderoso fator de proteção, mesmo que o sujeito tenha alguma predisposição genética.

Existem correntes teóricas que estudam a estrutura familiar de dependentes químicos de drogas ilegais juntamente com seus familiares e apontam que a dependência química é um fenômeno familiar. Isso quer dizer que o uso de drogas estaria sinalizando outros problemas (passados ou atuais) em membros da família. Em relação aos fatores de risco na família, vários estudos com usuários de drogas (legais e ilegais) indicam que existem dificuldades na comunicação entre pais e filhos, conflitos entre os pais (agressões verbais e/ou físicas), ausência de um dos pais ou cuidadores, traumas na infância (abuso sexual e/ou físico) e dificuldades na transmissão de afeto e limites: são frequentes as percepções, por parte dos usuários, de terem recebido afetos rígidos ou negligentes.

Por outro lado, em um ambiente familiar onde os sentimentos são identificados, acolhidos e validados, onde a função/papel de cada membro é desempenhada comedidamente, onde a comunicação é clara (principalmente sobre temas preocupantes como o uso de drogas, a sexualidade etc.) e o sentimento de pertencimento à família é construído de forma que permita a individualização, as estatísticas indicam baixos índices de drogadição.

Quando a família depara com a doença (dependência química), usualmente ainda enfrenta, além de todos os problemas inerentes a esse momento, sentimentos de vergonha e preconceito. A eficiência no tratamento desse problema envolve toda a família, no sentido de resgatar o vínculo familiar, a autoridade dos pais e a autonomia consistente dos filhos. É fundamental ajudar a família a identificar seus pontos fortes e reconhecer as partes vulneráveis que frequentemente têm origem em gerações anteriores e continuam sendo perpetuadas, mesmo que prejudiciais. Neste sentido, a psicoeducação familiar tem sido amplamente identificada como uma das formas mais eficazes no fortalecimento da família e na prevenção de recaídas.


*Psicóloga de família, mestre em Psiquiatria – UFRGS


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - A família tem sim um papel importante através da educação de valores, de comportamento e de defesas preventivas contra as drogas, esclarecendo e acompanhando o familiar pelo amor e não pela obrigação. Porém, estas barreiras não são infalíveis e podem ser  derrubadas no convívio escolar e em sociedade pela pressão dos colegas, namorados(as) e vapozeiros especialistas na sedução de suas vítimas.

São duas as grandes dificuldades dos familiares para enfrentar esta questão: técnicas educacionais para prevenir as drogas na família e o acesso a centros especializados para o tratamento das dependência a tempo de cura. São justamente nestas duas dificuldades que o Estado demonstra seu descaso e jogo de empurra.