COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

USO DE DROGAS EM PLENA LUZ DO DIA

 
ZERO HORA 15 de outubro de 2012 | N° 17223

À MARGEM. Sob efeito do crack e de bebidas alcoólicas, moradores de rua passam o dia sobre taludes do Arroio Dilúvio em Porto Alegre

LETÍCIA COSTA

Entre carros e pedestres que passeiam pela Avenida Ipiranga, na Capital, duas barracas feitas de lonas e tecidos realçam velhos problemas nas margens do Arroio Dilúvio: a presença dos moradores de rua e do consumo de drogas em plena luz do dia. No bairro Santana, pelo menos quatro pessoas despertam de dentro das casas improvisadas quando se aproxima das 11h. Minutos depois, a movimentação se intensifica e, após uma caminhada até uma vila encravada entre prédios residenciais e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o consumo de crack aumenta.

Sob árvores centenárias ou sol escaldante, moradores de rua se reúnem em grupos de dois ou três e cambaleiam em idas e vindas pelo concreto do talude. O cenário testemunhado ontem pela reportagem de Zero Hora pode ser observado diariamente, afirmam moradores da região. Há oito anos residindo em um prédio na Ipiranga, um homem de 61 anos, que pediu para ter o nome preservado, acompanha toda movimentação enquanto varre o meio-fio da avenida. Ele presencia horas de consumo de crack, mas ressalta que os moradores de rua não são violentos.

– Eles fazem as necessidades onde querem e transformam a árvore em uma latrina, deixando um cheiro insuportável – comenta.

Ele considera ser da prefeitura a responsabilidade de agir nestes casos, arrumando um novo local para eles morarem. Opinião semelhante tem a costureira Carmen Therezinha Soares Teixeira, 64 anos. Há duas décadas morando na altura do Planetário, ela afirma ter receio de atravessar a avenida por causa da presença de moradores de rua sob efeito de droga. De casa, Carmen escuta discussões nas margens do Dilúvio e conta que a prefeitura costuma recolher as barracas, mas que logo surgem novos abrigos.




Prefeitura promete novos centros de apoio 24 horas

O ponto onde os moradores de rua se instalam na Avenida Ipiranga fica a poucos metros de onde a droga é vendida, situação que já é velha conhecida da polícia. O diretor da Divisão de Investigação do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), delegado Heliomar Franco, explica que, recentemente, foi identificado o principal traficante do local. Mesmo assim ele reconhece que o problema não foi sanado:

– Sempre vai se estabelecer alguém que vai oferecer drogas para os moradores de rua. É necessária uma nova investida nossa ali, mas é como enxugar gelo. O problema é muito mais social do que propriamente policial.

Na tentativa de abrir opções de tratamento para os dependentes químicos, a Secretaria Municipal de Saúde aposta em quatro novos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD), que devem começar a funcionar até o fim do ano, 24 horas por dia. O secretário adjunto de Saúde, Marcelo Bosio, ressalta que dois consultórios na rua foram abertos – projeto em que profissionais acompanham a saúde de moradores de rua – e que está previsto mais um, além de uma unidade de acolhimento para meninos de rua.

Por meio da assessoria de imprensa, a Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) de Porto Alegre informou que o Centro de Referência de Assistência Social Centro agendou uma visita ao local para hoje.


DETALHE ZH. Mais moradores de rua na Capital

Em abril, levantamento da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc) de Porto Alegre mostrou um aumento no número de moradores de rua. O Censo da População Adulta em Situação de Rua apontou mais moradores de rua adultos na Capital e, principalmente, um crescimento no número de pessoas acima de 60 anos. Os dados foram colhidos entre 13 e 21 de dezembro de 2011, em mais de 60 bairros. Foram encontradas 1.347 pessoas em situação de rua acima de 18 anos, 12% a mais do que em 2007.