COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

ERRO ESTRATÉGICO E CONTRADITÓRIO


ZERO HORA 20 de fevereiro de 2013 | N° 17349. ARTIGOS

Erro estratégico

por Silvio Holderbaum*



A maior empresa de comunicação do sul do país, RBS, apoia a campanha Crack, Nem Pensar, o que é muito louvável. Estarrecedor é que esta mesma empresa contrata para o Planeta Atlântida a banda Planet Hemp. Estarrecedor? Esta pode ser a pergunta de muitos leitores.

Traduzindo Planet Hemp para o português, teremos Planeta Cânhamo ou Planeta da Maconha.

Esta banda tem um explícito posicionamento a favor da legalização da maconha e foi acusada de fazer apologia ao uso da mesma.

Alguém pode estar pensando qual o mal de ser favorável à legalização da maconha. Respondo: nenhum. Afinal de contas, todos temos o direito de defender nossa posição sobre qualquer assunto. O verdadeiro mal é fazer apologia ao uso da maconha.

Mais uma pergunta pode estar passando pela cabeça de alguns leitores: a maconha faz mal mesmo? Para responder a esta pergunta, convido a todos que procurem estudos sobre o uso da maconha, suas vantagens e prejuízos. Os estudos mostram o quanto essa droga é prejudicial a seus usuários, com prejuízos na maioria das vezes irreversíveis. Mas, espera aí, o que têm a ver prejuízos da maconha com a maior empresa de comunicação, com a campanha Crack, Nem Pensar e com tudo por dinheiro?

Respondo.

Os estudos mostram que a grande maioria dos dependentes químicos de crack tiveram como primeira droga o álcool (lícita), mas a maconha é a primeira droga ilícita desses dependentes.

Apoiar uma campanha contra o crack é extremamente louvável e merece aplausos de todos, mas é incoerência contratar uma banda que difunde o uso da maconha, droga esta que leva milhares de seus usuários a procurarem estímulos com drogas mais potentes, como o crack.

Depois, vemos a mídia dizer que o crack mata em um ano, que vicia na primeira vez, e esquecemos que na realidade o usuário de crack chegou a ele após a dependência de outras drogas, principalmente da maconha, pela necessidade de “prazeres” maiores.

Apoiar a campanha contra o crack e ao mesmo tempo colocar em um palco uma banda que prega o uso da maconha é, no mínimo, incoerente, para não dizer de total irresponsabilidade por parte de uma empresa de comunicação que mostra que, na realidade, não tem preocupação com nossos jovens, mas quer apenas ganhar mais e mais dinheiro.

Quem diz que o crack mata jamais deveria colocar em um palco uma banda que incentiva o uso da maconha, que leva milhares de jovens à dependência química, ao alienamento e ao uso de drogas mais “pesadas”.

Acho que a RBS deveria mudar sua postura e lançar uma nova campanha “Crack, nem pensar, outras drogas sim”.


*PUBLICITÁRIO, IDEALIZADOR DO PROJETO CARA LIMPA