COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

UMA NOVA CRACOLÂNDIA EM PORTO ALEGRE

CORREIO DO POVO, 08/10/2013 08:49

Surge em Porto Alegre uma nova cracolândia. Equipe da TV Record RS flagrou consumo da droga no bairro Santa Tereza



Flagrantes de consumo durante o dia são comuns
Crédito: Sandro Faster / Reprodução / TV Record / CP


Uma nova cracolândia está surgindo em Porto Alegre. Durante 12 dias, uma equipe da TV Record RS percorreu as ruas do bairro Santa Tereza, conseguindo flagrantes do consumo de drogas e do medo em que está vivendo a população, inclusive com alguns querendo se mudar para outra região e casas ficando sem inquilinos. A sensação de impotência diante do problema amedronta. Nenhum morador quis falar em frente às câmeras, mesmo de costas. O mais preocupante é que o Santa Tereza é um dos Territórios da Paz.

As cenas impressionam e mostram a ousadia de traficantes e usuários, que circulam pelas ruas em plena luz do dia, sem se importar com crianças, idosos ou trabalhadores. As ruas acabam se transformando em uma nova cracolândia, movimentando um comércio perverso.

Até mesmo aqueles que apenas querem morar sossegados viram prisioneiros em suas próprias residências. É o caso de um morador, que chega de táxi em sua casa, na rua Silveiro. Um usuário se esconde atrás de um poste. Quando o morador está se dirigindo a sua casa, após liberar o táxi, leva uma 'gravata' do usuário, que estava de tocaia. O viciado o arrasta por alguns metros e depois o solta. O morador, que não quis se identificar, revelou que o homem queria dinheiro para comprar droga e a vítima teve de convencê-lo de que tinha somente sacolas do supermercado e nada mais.

Os flagrantes da venda de drogas se repetem. Em outro ponto do bairro, um traficante conta as pedras de crack, enquanto no lado oposto da rua, um usuário oferece a droga a um outro rapaz. A droga é preparada e a venda ocorre de forma discreta. Em outro local, na mesma via, um outro traficante passa a pedra de crack ao usuário enquanto o cumprimenta. Em um outro flagrante da TV, um homem tenta se esconder atrás de uma árvore para fumar crack. Porém, logo depois, um grupo se reúne e, em plena rua, consome a droga sem se importar com nada.

Em um matagal, mais usuários se escondem para fumar a droga. A venda é feita em um lugar de difícil acesso, um dos fatores que prejudica a ação da Polícia. A droga não se importa com formação acadêmica ou posição social. Uma mulher formada em Pedagogia, usuária de crack, acabou abandonando às salas de aula e hoje vive nas ruas, tentando sustentar o seu vício. Ela chegou a conversar com a equipe da TV Record. No meio da entrevista, ela ficou assustada e não quis mais continuar falando.