COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

A CRIMINALIDADE LADO A LADO COM DROGADIÇÃO

JORNAL DO COMÉRCIO 11/11/2013

EDITORIAL


Que opção faria um adolescente vivendo nas favelas das grandes cidades brasileiras, sem respaldo familiar e educacional, caso pudesse escolher entre trabalhar dois turnos em uma empresa e receber R$ 900,00 mensais brutos, ou ser entregador avulso de drogas das quadrilhas do País no rastro do consumo em alta e receber R$ 500,00 por semana? Precisa-se de poucos segundos para chegar à triste e óbvia resposta, a segunda opção. Com as drogas, estão associados quase todos os crimes de morte praticados atualmente. Basta de discussões estéreis, quando nós mesmos não coibimos o sexo quase explícito na TV, a publicidade baseada na exposição do corpo de mulheres e aliada ao consumo de bebidas alcoólicas e aos desenhos violentos, uma cultura que é inculcada na mente das crianças.

Não temos muito tempo para mudar esse quadro, uma vez que os resultados levarão alguns anos para aparecer, da mesma forma que se passaram décadas para colhermos os frutos da licenciosidade, da impunidade, da desagregação familiar e da falta de orientação escolar e religiosa. A mediocridade tomou conta de alguns setores da vida pública e privada no Brasil, em que o que importa é exibir automóveis e roupas de marca por parte dos que têm egos para lá de inchados. Temos debates intermináveis para discutir assuntos em que o senso comum apontou soluções há anos, pois alguns não discutem o conteúdo dos problemas, apenas os seus rótulos.

Por isso, após crimes brutais, volta ao debate a questão da maioridade penal. A imputação de crimes como sendo de autoria de jovens com menos de 18 anos tornou-se um mantra. Na legislação vigente, são aplicadas penas que não ultrapassam três anos e medidas socioeducativas. Claro, o espírito da lei e do legislador foi o de não trancafiar menores nas infectas e superlotadas prisões por deslizes sem maior poder ofensivo. Mas não passou pela cabeça dos votantes das leis que elas serviriam para proteger bandos de adultos estruturados no crime. Não se conseguirá remediar os males da sociedade enquanto não se falar nem reconhecer as suas causas e origens imediatas. E é isso, justamente, que o Brasil quer discutir agora, já. Qualquer pessoa não é correta o suficiente se não tiver exemplos, caráter e probidade. Acrescentaríamos educação e trabalho.

A grande e justa inclusão social feita no País nos últimos anos não impediu a escalada de crimes. Cada vez mais desumanos e, segundo experimentados policiais, em busca de automóveis e armas, que são a forte moeda de troca por drogas, que rendem dinheiro e entram pelas nossas fronteiras das maneiras as mais diversas. Os crimes sempre existiram, em Porto Alegre, São Paulo e no Rio de Janeiro. Mas jamais se viu tamanha periodicidade e crueldade. Paris, hoje visitada por multidões de turistas brasileiros, também foi uma cidade com suas mazelas, pecados, vícios e crimes. Paris foi considerada a cidade dos amantes, místicos, viciados, prostitutas, bêbados, criminosos, desajustados e boêmios. A palavra boemia surgiu em Paris, em torno de 1830, citada pelo poeta Baudelaire. Em 1500, as prostitutas faziam ponto em frente às mais famosas igrejas parisienses. Era quando o Brasil recém fora descoberto. Temos 500 anos de atraso, então.