COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

LEGALIZAR O TRÁFICO DE DROGAS ADIANTA?


ZERO HORA 21 de janeiro de 2014 | N° 17680

ARTIGOS

Rafael Vitola Brodbeck*




Virou moda nos círculos intelectuais desconectados da realidade propugnar a legalização do comércio de entorpecentes. Acadêmicos, pesquisadores, muitos daqueles não vivem o cotidiano sobre o qual tantas palestras ministram, tantos artigos rascunham, tantas opiniões vociferam nos meios de comunicação.

Quando a ideologia toma conta – e ela é justamente prevalecer a ideia em detrimento do objeto –, os falsos argumentos são rapidamente sacados e entrecortados com críticas ao capitalismo, às elites, aos opressores e a todos os inimigos que a esquerda adora denunciar. O tema das drogas se insere nesse panorama, pois a regularização de sua venda por parte do Estado muito interessa aos lucros das Farc, amigas de certos partidos que lhes são irmãos no Foro de São Paulo, organização que muitos fingem que não existe, mas que, para espanto de todos, possui atas de suas reuniões publicadas e deseja retomar na América Latina o que se perdeu no Leste Europeu com a ruína da União Soviética.

Transformar o traficante em comerciante não vai diminuir a venda de drogas. A facilidade da mercancia de narcóticos fará com que a oferta aumente, e muitos daqueles que só os consomem nas sombras das bocas sairão à luz do dia, sem vergonha de comprar algo que se tornará lícito como a cerveja. Ademais, é provável que os traficantes não queiram se legalizar para não pagar impostos e assim a venda irregular continuará a ser combatida pela polícia.

Fala-se em legalização apenas da maconha. Qual o impeditivo de se legalizar a cocaína? Se os tais defensores da “erva natural que não pode te prejudicar” não pretendem que drogas pesadas tenham sua venda permitida, trata-se de uma hipocrisia descomunal. Já, se querem liberação de todo entorpecente, não estaria sua tese em descompasso com o que pensa a sociedade? Ou a vontade do povo, nada afeito a ver maconheiros e cheiradores por aí, só vale na hora de eleger políticos muitas vezes ligados ideologicamente aos mesmos intelectuais? Parte da academia quer impor seus desejos com prejuízo do que crê o brasileiro médio?

Legalizando-se só a maconha, é verossímil acreditar que os seus vendedores, para continuar no tráfico, migrem para a cocaína, e os de cocaína permaneçam traficando. E não sendo mais crime nenhum tipo de venda de droga, poderão partir para outras modalidades como o roubo, pondo suas quadrilhas a serviço dos mais desconcertantes ataques à ordem. Traficante vende drogas porque dá dinheiro fácil. Fosse só pelo dinheiro, seria empreendedor em busca de ganho lícito. Escolhe o tráfico para não dar satisfações a ninguém e lucrar com eliminação da concorrência pelo homicídio dos rivais. Com a droga lícita, ou continuarão a vendê-la em concorrência com os legalizados, ou adotarão outras formas de delinquir.


*DELEGADO DE POLÍCIA EM SANTA VITÓRIA DO PALMAR