COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A CULTURA DA PREVENÇÃO

EDITORIAL ZERO HORA 05/02/2012

O Ministério da Saúde publicou esta semana uma portaria com as regras para o repasse de verba extra para a criação de 3.508 leitos em enfermarias especializadas no atendimento de dependentes químicos, como viciados em crack, álcool e outras drogas. Amplia-se, assim, o incentivo oficial aos hospitais do SUS para que abram mais espaços para os dependentes. A iniciativa integra o plano de combate ao crack lançado pela presidente Dilma Rousseff em dezembro do ano passado. Atualmente, a rede pública tem 1,6 mil vagas em enfermarias especializadas. Os números ainda são insignificantes, diante da demanda. Mas a providência é bem-vinda, pois existe inegável carência de vagas para o tratamento de dependentes. Falta, porém, uma estratégia clara de prevenção por parte do governo, com o envolvimento efetivo da sociedade. Infelizmente, continuamos tentando combater o mal pelos seus efeitos.

Boas intenções não faltam. Agora mesmo, o governo federal está implementando o programa denominado “Crack, é possível vencer”, que prevê a aplicação de R$ 4 bilhões em ações integradas de combate ao uso da droga. De acordo com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o programa terá três eixos: cuidado, autoridade e prevenção. O aumento da oferta de tratamento de saúde e atenção aos usuários já começou. Na questão da autoridade, o governo federal pretende evitar ações repressivas semelhantes à utilizada pela polícia paulista para desmontar a chamada Cracolândia, mas não desconsidera a internação compulsória para viciados resistentes ao tratamento.

A propósito das polêmicas operações da Polícia Militar de São Paulo, que utilizou até mesmo balas de borracha contra os frequentadores da área dominada pelo tráfico, recente pesquisa do instituto Datafolha mostrou que 82% dos moradores da cidade aprovaram a medida. Ainda assim, não pode haver dúvida de que é desumano tratar doentes como se fossem criminosos. A repressão e o amedrontamento só servem para estigmatizar os usuários – e têm pouco ou nenhum efeito dissuasivo.

Por isso, o país tem que investir mais na prevenção, que deve incluir não apenas os governos e as instituições públicas, mas também as famílias e outros setores da sociedade que pouco se envolvem com a questão das drogas. Não se está aqui falando apenas de campanhas educativas, com informações objetivas sobre os danos físicos e psicológicos dos tóxicos, embora tanto as famílias quanto as escolas devam ser capacitadas para tratar desses conteúdos com segurança.

O que não se percebe nem nos programas oficiais nem nas iniciativas da sociedade civil é a oferta de oportunidades reais para que os jovens substituam a cultura do prazer momentâneo pelo envolvimento em atividades sadias, como a prática de esportes, o desenvolvimento artístico, a participação em eventos culturais, a iniciação para o trabalho e outros segmentos prazerosos da vida que têm potencial para formatar a armadura da autoestima.


O editorial ao lado foi publicado antecipadamente no site e no Facebook de Zero Hora, na sexta-feira. Os comentários selecionados para a edição impressa mantêm a proporcionalidade de aprovações e discordâncias. A questão proposta aos leitores foi a seguinte: Combate ao crack: editorial diz que governos e segmentos sociais deveriam investir mais na prevenção. Você concorda?


O leitor concorda

Certamente, o único jeito de acabarmos com o maldito crack é a prevenção, pois não adianta apenas tratar os dependentes, mas, sim, assegurar que não haverá novos.

Renan Camboim Pereira Porto Alegre (RS)

Concordo. Se o investimento na prevenção fosse maior, mais efetivo e célere, o Estado não estaria investindo tantos recursos na criação de leitos. É necessário não olvidar, porém, que a mais importante prevenção ao uso de entorpecentes começa na família. Nesse sentido, a permissividade em alto grau, como muito se verifica hoje em dia entre os jovens, é um péssimo negócio.

Lino Abel Nunes Porto Alegre (RS)

Concordo, com certeza será bem-vinda a criação de novos leitos para dependentes químicos na rede pública, mas isso não mudará em nada a situação dos viciados no nosso país, sem que haja primeiramente a prevenção da sociedade. Não podemos tratar um dependente como criminoso, e sim como alguém que precisa da nossa ajuda!

Henrique Veit Três de Maio (RS)

Prevenir não é melhor do que remediar? Por que seria diferente com as drogas. Mas não sejamos hipócritas, dar a informação correta vale muito mais do que campanhas enganosas, pois cada droga é diferente da outra.

Leonardo Tomé Porto Alegre (RS)

Concordo que devemos investir mais. Porém, com políticas públicas mais eficazes. Para a elaboração de políticas públicas mais eficientes, entretanto, precisamos da contribuição de todos os segmentos, poderes públicos, sociedade civil, profissionais da saúde e pesquisadores, visando assim discutir, livre de preconceitos, o tema, com finalidade de traçarmos estratégias mais eficazes do que as atuais.

Danilo Brum de Magalhães Júnior – São Leopoldo (RS)


O leitor discorda

E lá vai o governo investir em tentativas de recuperar os famigerados viciados em crack, quando poderia fazer investimentos úteis em escolas, estradas e outros benefícios à população. Os viciados em droga sabiam no que estavam se metendo. Arrumem-se sozinhos, ou melhor, morram e morrerá de fome o traficante também, porque ele não terá para quem vender esta porcaria. Está na hora de parar de tratar o drogado como coitadinho.

Milton Ubiratan Rodrigues Jardim – Torres (RS)