COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A GUERRA DOS R$ 42 MILHÕES

WANDERLEY SOARES, O SUL
Porto Alegre, Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012.


Questões paralelas antigas e não de menor gravidade estarão sempre em banho-maria enquanto o crack estiver bombando na mídia

Num prédio de vinte pavimentos seria possível trabalhar nas colunas mestras do décimo andar, com sobradas verbas, sem uma análise primeira em suas fundações e sobre a repercussão que teria a tarefa em todo o seu complexo? Sabemos todos, sem entender de engenharia nem de arquitetura, que há dezenas de mortos restantes de episódio recente que testemunham que tal medida seria no mínimo temerária.

Assim, como um humilde marquês, aqui da minha torre, visualizo o projeto do governo gaúcho que, com o pálio de R$ 42 milhões do governo federal, pretende desencadear no Estado a guerra midiática contra o crack. Antes de resolver o caos da Fase (ex-eterna Febem) o governo fará esta guerra; antes de equacionar plenamente a questão do sistema penitenciário, os R$ 42 milhões invadirão a Capital e, gradativamente, todo o Estado com médicos, ambulatórios, psicólogos, psiquiatras, técnicos num cerco ao crack semelhante ao dos gregos contra troianos. Serão mobilizados nesta guerra os profissionais da segurança pública com efetivos defasados e com os mais baixos salários do País. E o magistério, regiamente tratado, não deixará de ser convocado. Sigam-me

Municípios

Nessa guerra dos R$ 42 milhões contra o crack o governo assegura que terá, entre outros, o apoio dos municípios. Pois em Porto Alegre, sem abordar a questão do crack, o secretário de Direitos Humanos e Segurança Urbana, Nereu D'Ávila, considera o efetivo da Guarda Municipal insuficiente para dar conta das demandas solicitadas. Segundo D'Ávila, há falta pessoal para atuação em todas as escolas e postos de saúde. Há a necessidade de pelo menos mais 100 servidores imediatamente, mas as contratações podem ficar apenas para o ano que vem. Aponto eu que as guardas municipais são da maior importância no combate ao tráfico de crack, pois as escolas são cercadas por quadrilheiros. Haverá uma fatia dos R$ 42 milhões para as guardas municipais do Estado?

Lembro ainda que Juan Carlos Ramires Abadia, capo da máfia colombiana, ao ser preso, registrou a mídia internacional, ofereceu 60 milhões de dólares pela sua liberdade e 40 milhões pela liberdade da sua mulher, ou seja, cerca de 184 milhões de reais que não lhes fariam falta. Mais ainda: há cerca de cinco anos, sumiram R$ 40 milhões do Detran gaúcho e até hoje ninguém sabe em que gaveta pararam. Este dinheiro poderia ter estancado o crack no RS sem ajuda do governo federal