COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

CANNABIS




BEATRIZ FAGUNDES, REDE PAMPA, O SUL

Porto Alegre, Quarta-feira, 27 de Junho de 2012.



O governo do Uruguai pretende começar a plantar maconha em setembro, depois da aprovação da lei que regularizará a produção e a venda da planta.

Maconha regulamentada e comercializada oficialmente pelo governo do Uruguai é a grande novidade na questão das drogas, pelo menos, aqui no Cone Sul. O governo vizinho pretende começar a plantar maconha em setembro, depois da aprovação da lei que regularizará a produção e a venda da planta. A experiência do Uruguai responderá a questões importantes quanto, por exemplo, o que e como fazer para combater os narcotraficantes, afinal ninguém discute que o modelo policial vigente faliu em todo o planeta. Os usuários terão de se cadastrar, para ter acesso ao consumo máximo permitido. As famílias tradicionais permitirão que seus filhos se apresentem como dependentes? Os profissionais liberais, funcionários públicos, médicos, professores terão coragem de assumir o consumo? Os usuários que costumam consumir mais de 40 cigarros ao mês continuarão buscando os traficantes? E, se o modelo for reprovado pelos próximos governos? A colheita da cannabis é feita seis meses depois do plantio, o que permitiria o início da lavoura no começo do próximo ano.

O anúncio de legalizar a comercialização de maconha faz parte de um plano de 15 medidas para combater o aumento da criminalidade nos últimos meses. "Com a regulamentação do mercado da maconha da forma que estamos propondo, vamos conseguir minar o desenvolvimento do mercado de outras drogas", disse o secretário-geral da Junta Nacional de Drogas, Júlio Calzada. A legislação deverá ser aprovada pelo Congresso, onde a governista Frente Ampla tem maioria nas duas Casas. O Uruguai estuda impor um consumo máximo de 30 gramas mensais por pessoa, por meio de um registro que buscará evitar o "narcoturismo" e o mercado negro. "A ideia é só vender aos cidadãos nacionais. A Holanda teve de alterar parte de sua estratégia, depois de muitos anos de dificuldades com países de sua região", afirmou Calzada. O governo, nega que montará uma rede de comercialização da droga e disse que centralizará a distribuição por meio de lojas privadas controladas.

O consumo humano da cannabis teve início no terceiro milênio a.C. Era utilizada em algumas cerimônias religiosas, onde era chamada qunubu (que significa "caminho para a produção de fumo"), provável origem da palavra moderna cannabis. Foi introduzida pelos arianos aos cítios e trácios/dácios, e os xamanes queimavam flores da cannabis para induzir um estado de transe. Os membros do culto de Dionísio, também inalavam maconha durante as missas. Em 2003, uma cesta cheia de couro com folhas e sementes de cannabis foi encontrada no Noroeste da região Autónoma de Xinjiang Uygur, na China. Datava de próximo a 2.500 anos a 2.800 anos. Nos tempos modernos, a droga tem sido utilizada para fins recreativos, religiosos ou espirituais, ou para efeitos medicinais. As Nações Unidas estimam que cerca de 4% da população mundial (162 milhões de pessoas) usam maconha pelo menos uma vez ao ano e cerca de 0,6% (22,5 milhões) consomem diariamente. A posse, uso ou venda da maconha se tornou ilegal na maioria dos países do mundo no início do século XX; O uso regular está associado com o dobro de risco de surto psicótico e esquizofrenia, transtornos de ansiedade e transtornos do humor como depressão maior, distimia, apatia, transtorno do pânico, paranoia, alucinação, delírio e confusão mental. Alguns estudos associam o uso prolongado da cannabis com o desenvolvimento de cânceres, pois, sua fumaça possui de 50% a 70% a mais de hidrocarbonos cancerígenos que o tabaco. Qual a sua opinião?