COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

domingo, 15 de julho de 2012

DOUTOR JEKYLL POR AÍ

CORREIO DO POVO, 15/07/2012

 

Oscar Bessi Filho


Não é preciso ser genial ou iluminado para resolver certas questões. Ou, pelo menos, amenizá-las. Agora, quando algo fica cada vez pior, apavora e ameaça a coletividade - como a questão das drogas e da violência -, aí é preciso ter interesses no mínimo escusos para se manter este problema. O que é o tráfico de drogas ilícitas? Um filão inescrupuloso de verbas e propinas? O que motiva uns e outros a alimentar o monstro?

Quem lê o Correio do Povo, viu as ações realizadas pela Polícia Civil contra o tráfico de drogas no Litoral e em São Sepé. Leu sobre o adolescente pego traficando na Capital. Tem lido, todos os dias, as prisões da Brigada nas ruas do RS. Lá no meu batalhão, em dez dias, estouramos quatro pontos de tráfico. Numa cidade com pouco mais de 20 mil habitantes. Na última delas, eu e meus companheiros entramos numa casa abandonada, à noite, onde dois homens vendiam crack. Na hora, uma menina vendia seu corpo em troca de pedra. Flagrante realizado pela incansável Delegada Cleusa e sua equipe. Dois dias depois, por determinação judicial, com base na lei vigente, o traficante - que já era para estar curtindo sua segunda pena pelo mesmo crime - passou tranquilamente na rua por nós. Livre, leve e solto. Fazendo o quê da vida? Hein? Hein?

A ONG Brasil sem Grades, ícone na luta por um país melhor para seus cidadãos, entrou na luta contra a descriminalização das drogas, proposta pelos doutores de Brasília. Onde isso acontece, o consumo de drogas e violência só acelera. Nossa política contra as drogas tem sido um fiasco, um desperdício de dinheiro público nos últimos anos. A causa? Falta de seriedade. Talvez proposital. Um combate às drogas eficiente atua, forte, no mínimo em quatro frentes simultâneas: educação forte para impedir o ingresso (e aí artistas famosos apareceriam em campanha pregando outras verdades), ação social verdadeira (não esmolas) para mudar as realidades que estimulam consumismo, frustração, violência e drogadição, recuperação responsável dos usuários como um interesse público e, claro, repressão forte. Policial e legal. Que esta farra que está aí é desenho do Papa-léguas: a Polícia corre atrás, o traficante está sempre livre para fugir e isso se repete todo dia. As comunidades estão pagando um preço alto demais nesta brincadeira. Estão perdendo as suas vidas.

Stevenson escreveu "O Médico e o Monstro". Um livro maravilhoso. O bem e o mal em cada um, nos testes do Dr Jekyll que, em si mesmo, criou e alimentou o pavoroso Mr. Hyde. E perdeu o controle. Fiquem atentos. Quando o assunto é combate às drogas, está cheio de Dr. Jekyll por aí. Alimentando monstros, dominados pelo seu lado obscuro. E nos