COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

domingo, 9 de setembro de 2012

BRASIL DE HERÓIS E FANTASMAS


CORREIO DO POVO 09/09/2012

Oscar Bessi Filho


Na Semana da Pátria, o orgulho de ser brasileiro vem dos atletas paralímpicos. Do show de superação que eles estão dando em Londres. Espie o quadro de medalhas. Eis o Brasil entre os grandes, como deveria ser sempre na rotina deste país rico, diverso e continental. De emocionar. E talvez venha daí a explicação para a diferença de desempenho aos atletas ditos normais. Estes homens e mulheres são forjados na sobrevivência a cada passo de suas vidas. Superam, diariamente, a todo instante, preconceitos, descasos e desrespeitos. Oficiais e não. Falta de incentivo? Tiram de letra. Pois sua superação precisa estar na pele, no coração, no respirar da necessidade. Infelizmente.

Na contrapartida, a manchete do Correio do Povo da última quinta provoca calafrios. Somos o maior mercado de crack do planeta. E o segundo de cocaína. Mais uma sombria medalha de ouro e um belo alerta aos que, fingindo não ver a tragédia, erguem a bandeira da legalização irresponsável das drogas. Digo irresponsável porque está se pensando apenas em permitir, sem pensar na necessidade educacional que deve vir muito antes, preparando terreno. Sem base de consciência, sem preparar o cidadão para suas escolhas, é estimular apenas o descontrole. E condenar mais crianças à morte.

O Brasil perde oportunidades ao alcance da mão. Às vésperas de sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas, liderar esse ranking nefasto de destruição do futuro, me desculpem, é um atestado de incompetência. Temos no esporte um dos grandes remédios contra as drogas. Querem um teste? Percorram qualquer periferia nossa. A meninada está lá, jogada nas esquinas, à mercê da ditadura velada do crime e da violência. Aprendendo a crescer com sonhos distorcidos. Convoquem essa meninada para bater uma bola. Ou correr, saltar, competir. É só ter onde, como, com quem e um quando que se repita com seriedade e vão ver se as esquinas não se esvaziam. Se a Polícia não terá menos trabalho e os traficantes menos mão de obra barata à disposição. Os fantasmas em procissão aos pontos de crack começarão a desaparecer. Podem apostar. Mais barato que inchar clínicas e inventar leitos onde não há mais vagas nem para um aposentado encerrar seus dias com dignidade.

Enfim. Deve ser difícil. Como é difícil entender o verdadeiro sentido do patriotismo. Aliás, dia desses, num desfile escolar do Interior, ouvi a banda marcial de uma escola tocar Michel Teló em frente ao palanque oficial. Será que Dom Pedro gritou "Ai, se eu te pego" às margens do Ipiranga? Ih. Fantasmas.