COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

CHACINA FOI DEMONSTRAÇÃO DE PODER DE TRAFICANTES

10 de setembro de 2012 | 18h 56

Chacina no Rio foi demonstração de poder de traficantes, diz delegada . Operação realizada para tentar encontrar os assassinos dos adolescentes prendeu dois homens com drogas em Mesquita


Clarissa Thomé - Agência Estado




RIO DE JANEIRO - A Polícia Civil acredita que a chacina dos seis jovens em Mesquita, na Baixada Fluminense, foi cometida como uma "demonstração de força" de traficantes que atuam na Favela da Chatuba, próxima ao Parque de Gericinó. Os corpos de seis adolescentes foram encontrados na manhã desta segunda-feira, 10, num canteiro de obras da duplicação da Rodovia Presidente Dutra.

Os jovens não tinham envolvimento com o tráfico de drogas e estavam desaparecidos desde sábado, quando saíram de casa para tomar um banho de cachoeira no parque. Para a delegada Sandra Ornelas, da Delegacia de Nilópolis, os jovens estavam "no lugar errado na hora errada". "Eles não têm passagens pela polícia. Foi uma demonstração de poder dos traficantes para demarcar território", disse a delegada, que classificou o crime como uma "barbárie injustificável".

Amigos de infância e moradores de Nilópolis, cidade da Baixada Fluminense, os adolescentes costumavam ir ao parque nos fins de semana. No sábado, com a demora dos rapazes, o pai de um deles tentou fazer contato pelo celular. O telefone foi atendido por um homem que disse estar "cumprindo uma missão". Em outra ligação, o criminoso disse que ele "deveria fazer outros filhos", porque "aquele já era".

O desaparecimento dos seis jovens - Christian Vieira, de 19 anos; Victor Hugo Costa, Douglas Ribeiro e Glauber Siqueira, de 17; e Josias Searles e Patrick Machado, de 16 - foi registrado na 57.ª Delegacia de Polícia (Nilópolis). Na manhã desta segunda, os corpos foram encontrados por operários que trabalham na duplicação da Dutra. Os jovens foram colocados lado a lado. Estavam nus, amarrados e amordaçados, enrolados em lençóis. Os corpos têm marcas de facadas e tiros.


Operação.

Nesta segunda, policiais militares do Batalhão de Choque (BPChoque) prenderam dois homens com drogas, na operação realizada no Parque de Gericinó para tentar encontrar os assassinos dos adolescentes e checar a informação de que haveria outros corpos no local. Os presos foram Romário Aguiar Vieira, de 18 anos, e Henrique José de Oliveira, de 32 anos. Não foi confirmada a participação da dupla nos assassinatos.

Outros assassinatos.

Na mesma região em que os jovens foram mortos, outras duas pessoas foram assassinadas no fim de semana.  Com marcas de tortura, o corpo do cadete da PM Jorge Augusto de Souza Alves Júnior, de 34 anos, foi encontrado no porta-malas do seu Fox, na manhã de sábado. Ele foi morto a tiros. O cadete havia participado de um baile no Clube Lisboa e foi levar uma moça em casa, na Favela da Chatuba. A polícia acredita que ele tenha sido identificado como policial - a farda estava no carro. O pastor evangélico Alexandro Lima, de 37 anos, também foi morto na mesma manhã. Ele estaria fazendo uma caminhada, quando foi atacado. A polícia trabalha com a hipótese de o pastor ter testemunhado as agressões ao cadete.


10 de setembro de 2012 | 18h 17

Coordenador de projeto diz que jovens mortos não tinham relação com o tráfico. Treinador acredita que o grupo tenha sido assassinado por estar num território controlado por uma facção rival a da área a que eles moravam

estadão.com.br

SÃO PAULO - O coordenador de projeto 'Segundo Tempo', que mantinha contato com os adolescentes encontrados mortos nesta na manhã desta segunda-feira, 10, em Mesquita, região metropolitana do Rio de Janeiro, disse em entrevista à Rádio CBN que as vítimas tinham comportamento exemplar e sem registro de envolvimento com o tráfico de drogas.

O treinador, que não quis ser identificado, acredita que o grupo tenha sido abordado por bandidos por estar no território controlado por uma facção rival a da área a que eles moram. Ele manteve contato com os jovens na última sexta-feira em Cabral, no município de Nilópolis. Os corpos dos jovens desaparecidos no último sábado, 8, têm marcas de tiros e facas. Eles foram localizados nas proximidades da Rodovia Presidente Dutra, no bairro de Jacutinga.

A Polícia Civil investiga a possibilidade de existirem mais corpos no terreno dentro do Parque Municipal Mesquita, onde os jovens foram encontrados. Os seis corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) do centro do Rio no final da manhã desta segunda. O órgão, até as 14h, não havia identificado os jovens. A polícia, no entanto, confirmou que as vítimas encontradas assassinadas são os seis adolescentes desaparecidos no sábado.