COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

GRAVIDEZ VIRA ARMA PARA AFASTAR MULHERES DO CRACK

ZERO HORA 14 de setembro de 2012 | N° 17192

GUERRA À PEDRA. Serviço montado no Hospital de Clínicas aproveita elo entre mãe e filho para enfrentar vício da droga

ITAMAR MELO

O vínculo entre mãe e bebê está sendo usado em Porto Alegre como estratégia para afastar da droga mulheres com histórico de consumo de crack – e, como consequência, para proteger seus filhos da pedra. Desde 2011, um serviço montado no Hospital de Clínicas oferece assistência e grupo de apoio a gestantes que enfrentaram problemas de dependência.

Coordenada pelo Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas (Cpad) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a iniciativa envolve um projeto de pesquisa sobre como a chegada de um filho pode significar um momento de virada para mulheres assoladas pelo vício.

– Não sabemos o resultado do nosso trabalho, porque ele é mais complexo do que se imagina, mas a maior motivação para a mulher parar de usar o crack é a maternidade – afirma a psiquiatra Maria Lucrécia Zavaschi, coordenadora do projeto no Clínicas.

Uma das principais dificuldades do projeto é atrair as gestantes para os encontros semanais nas manhãs de quinta, realizados no Centro de Atenção Psicossocial do hospital. Apesar de contar com uma rede de contatos que ajuda a encaminhar grávidas ao serviço, só 14 foram acompanhadas até o momento. Desses casos, três são considerados exitosos por Maria Lucrécia.

– São pessoas desamparadas, de lares caóticos, desfeitos pela bebida, que na maioria das vezes já chegam com traumas infantis graves. Muitas relatam que o cheiro da fumaça do ônibus já é suficiente para provocar a fissura. Não é fácil para elas sair do vício, porque o crack é avassalador, mas representamos uma esperança de ajudá-las – afirma a psiquiatra.

O projeto oferece às gestantes atendimento psiquiátrico, psicológico e de assistência social. Na primeira visita, as mulheres são avaliadas. Depois de duas ou três semanas, passam a participar de grupos formados também por voluntárias que viveram o mesmo problema e que conseguiram abandonar a droga com a chegada de um bebê. Também há o estímulo para a participação de parentes.

– Procuramos estimular a criação de vínculo com o bebê desde a gestação, para motivar as mães a parar de usar a droga. Também percebemos que as mulheres que recaíram são aquelas que não tinham suporte familiar, por isso a participação das famílias é importante – diz a psiquiatra Flaviana Dartora, integrante da equipe.

O acompanhamento das gestantes continua após o parto. As mulheres seguem participando, e com frequência trazem seus bebês. O trabalho inclui avaliações da criança, para identificar se ela sofreu prejuízo associado ao uso da droga pela mãe. Flaviana observa que, além de beneficiar a mulher, o projeto também protege os seus filhos:

– No caso de usuárias, muitas vezes a criança é afastada da mãe, o que é pior para os dois. A criança vai para um abrigo, e a mãe, para as drogas.

As pesquisas do Cpad sobre a importância do vínculo entre mãe e filho para superar a dependência também têm um braço no Hospital Presidente Vargas, onde há um grupo que apoia mães usuárias há mais tempo.


Informações
- Profissionais de saúde, parentes ou gestantes interessados no serviço podem fazer contato pelo (51) 9576-9764