COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

INTERNAÇÃO VOLUNTÁRIA: UMA LUTA SOCIAL

ZERO HORA 24 de abril de 2013 | N° 17412 ARTIGOS


Jair Escobar*



Em meados dos anos 90, começaram a surgir notícias sobre o consumo de uma nova droga ilícita. As características aterrorizantes dessa nova substância eram o elevado grau de dependência física e psíquica que provocava, além das graves lesões neurofisiológicas no cérebro de seus usuários. A terrível droga que estava surgindo era o crack.

Com o passar dos anos, ela foi se alastrando e seus prejuízos sociais têm sido devastadores. Nas grandes capitais e em cidades de médio porte, temos algumas regiões isoladas e à margem da sociedade, as chamadas cracolândias, onde se concentram populações de dependentes do crack.

São populações predominantemente jovens vivendo em condições sub-humanas e com elevada promiscuidade. Com isso, sujeitas a variadas e graves patologias infectocontagiosas, bem como a gravidez precoce e indesejada.

As transformações físicas e psíquicas provocadas nos usuários são chocantes. Nas sinaleiras e ruas das cidades, vemos jovens pedintes esquálidos, emagrecidos, com olhar distante como se fossem zumbis. Algumas medidas estão sendo tomadas, como aumento de vagas hospitalares, centros de atendimento psicossocial e campanhas educativas. Contudo, muitos não se beneficiam dessas ofertas, porque a ação do crack em nível cerebral traz sérios prejuízos à capacidade de pensar e cognitiva. Como conse- quência, temos a perda da capacidade de juízo crítico. Contudo, parecem não estar sendo suficientes.

Tentando preencher esta lacuna, surge a proposição do projeto de internação involuntária do deputado Osmar Terra. Trata-se de uma tentativa válida, pois pode propiciar a essas pessoas e às suas famílias a esperança de uma vida mais digna. O projeto permite discussões e questionamentos e, assim, amplia as chances de chegar às melhores soluções, pois entendemos que a medida também deva vir acompanhada de outras condições assistenciais.

Devemos valorizar a assistência biopsicossocial, tanto no atendimento hospitalar quanto no atendimento ambulatorial, em que a sustentação e o suporte dos usuários e seus familiares seja a meta principal a ser atingida pelas equipes multidisciplinares envolvidas neste processo. É a melhor solução? Provavelmente ainda não tenhamos a resposta, mas quem sabe seja o possível para o momento e nos sirva de incentivo para continuarmos investindo no melhor.

*PSIQUIATRA PSICANALISTA, DIRETOR DA AMRIGS