COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

MACONHA - GOVERNADOR DO RS DEFENDE MAIOR TOLERÂNCIA


AULA MAGNA. Tarso defende maior tolerância à maconha. Governador ponderou que seriam necessários estudos antes de liberação - ZERO HORA 07/04/2011

Diante de um Salão de Atos lotado de alunos e professores, o governador Tarso Genro defendeu ontem, em aula magna na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), uma maior tolerância em relação ao uso da maconha, mas afirmou que uma eventual liberação deve ser precedida de estudos científicos. Também reconheceu que não foi por “falta de vontade” que ele não experimentou maconha na juventude.

– Na minha época, a gente não fumava não porque não tivesse vontade. Era porque as condições que a gente vivia, trabalhando na clandestinidade, não permitiam adicionar mais uma questão de segurança. Apenas por isso. Mas dizem que é muito saboroso – afirmou Tarso.

Surpresa, a plateia, que incluía o reitor, Carlos Alexandre Netto, e o vice-reitor, Rui Vicente Oppermann, respondeu com gargalhadas e aplausos. No final, o governador foi novamente aplaudido quando, emocionado, chorou ao lembrar de Nelson Mandela, o líder da luta contra o apartheid na África do Sul que disse que, além de libertar os negros da opressão, queria também libertar os brancos do medo.

– Desculpem, sempre que eu falo no Mandela, faço fiasco – justificou.

O choro e as declarações sobre drogas acabaram sendo o ponto alto da palestra A Universidade e Futuro da República, em que não faltaram citações e referências a pensadores como Karl Marx, Immanuel Kant e Martin Heidegger. Respondendo a uma pergunta sobre o tráfico, Tarso primeiro explicou que o dinheiro da droga se imiscui em todas as esferas da sociedade, transformando-se em capital industrial, financeiro e até obras de benemerência.

– Se não fosse o componente econômico, eu não veria problema para liberar as drogas em circunstâncias muito específicas. Agora, na situação atual, a legalização não ajudaria a combater essa transformação da droga em dinheiro, de dinheiro em poder, do poder em política e assim por diante. É um elemento de crise civilizatória, não sei sinceramente qual é a melhor saída – afirmou.

Tarso reforça diferenças entre maconha e as outras drogas

O governador disse também que uma regulação do uso de drogas deve ser precedida de estudos científicos que avaliem os riscos para a saúde.

– A Cannabis sativa (nome científico da planta da maconha) é diferente da heroína. Muitos especialistas dizem fazer menos mal do que o cigarro. Dizem. Eu nunca vi uma pessoa matar por ter fumado um cigarro de maconha.