COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

DROGA QUE ACORRENTA E FERE


14 de agosto de 2012 | N° 17161

DOR EM FAMÍLIA. A droga que acorrenta e fere

Ele já levou tudo o que podia de dentro de casa. Xinga, bate e ameaça de morte a própria mãe. Pela vida do filho, a mulher de 62 anos chegou a vender a casa e entregar todo o dinheiro a traficantes. Agora não sabe mais o que fazer. Depois que o jovem de 25 anos, usuário de crack, perdeu o controle e passou a roubar na rua, a família decidiu acorrentá-lo em casa.

Afamília pediu para ter os nomes preservados. Teme os traficantes, mas quer contar seu drama, porque não sabe mais o que fazer. Depois de passar dois meses no Presídio Central, preso por assalto, o jovem voltou para casa no dia 25. O tempo recluso não resolveu o problema. A cada nova fissura pela droga vem o desespero.

– Eu estou me sentindo humilhado. O que custa me dar R$ 10 para eu fumar e ficar tranquilo? – perguntou o jovem.

Ameaçada de morte, a família não vê alternativa a não ser acorrentá-lo. Desde sábado ele está com a perna esquerda presa a uma corrente cadeada junto a uma grade, em uma peça nos fundos da casa. Descontrolado, ele bate com a cabeça na parede, quebrou a vidraça de uma janela e tentou cortar os pulsos. Nem ele suporta mais viver assim.

– Eu nunca fiz nada para ninguém. Estou me sentindo acabado, sem recurso algum – desabafou o jovem que trabalhava como gari.

O rapaz já passou por dois períodos de desintoxicação, consegue passar meses longe das drogas, mas recai.

– O que adianta ele ir preso e sair pior? Tem de fazer esse presídio novo de uma vez, todos nós estamos correndo perigo – implora a mãe.

O presídio novo a que a família se refere é o projeto anunciado pelos governo: uma casa prisional na qual detentos dependentes químicos passariam por tratamento.

Casa que valia R$ 30 mil foi vendida por R$ 6 mil

A casa de dois pisos, três quartos, mobiliada na zona sul da Capital valia cerca de R$ 30 mil. Mas a urgência para pagar traficantes fez a mãe do jovem se desfazer dela por R$ 6 mil. A casa alugada agora, na Lomba do Pinheiro, já não tem mais móveis. Nada para em casa. Nem as roupas da sobrinha de cinco anos o jovem conseguiu manter intactas.

– Chega a encostar um carro aqui para vir buscar as coisas que ele troca por droga – contou a mãe.

Na semana passada, havia vaga no Hospital Parque Belém, mas o jovem entrou por uma porta e saiu pela outra. A mãe liga para a Brigada Militar, para o Samu, grita por socorro, mas ninguém pode fazer nada.

– Já pensamos em ir embora, abandonar ele, mas não conseguimos. E ainda querem liberar as drogas, né? – ironiza a irmã.

O Estado planeja ter, ainda em 2013, a primeira prisão destinada para detentos dependentes de drogas. Essa é a expectativa do secretário da Segurança Pública, Airton Michels. O projeto foi apresentado na semana passada com a intenção de dar mais eficácia à recuperação de presos viciados, combinando segurança com tratamento.

LETÍCIA BARBIERI