COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

terça-feira, 26 de julho de 2011

OVERDOSE DE MEDOS OU VISÃO REALISTA?


Susana Espíndola,jornalista, Zero Hora 26/07/2011

Sabe aquelas recomendações que pais e mães repetem à exaustão todos os dias e em especial todos os finais de semana? “Meu filho, te cuida, presta atenção nas companhias, te afasta do álcool, usa camisinha, as drogas são um caminho escuro e irreversível em direção ao nada”. São cuidados emitidos pela voz da precaução e recebidos pelos ouvidos do descrédito. Tiram o sono dos progenitores e detonam a paciência dos adolescentes. A morte de Amy Winehouse no último sábado – não por acaso um sábado – mostrou que o “não dá nada” é, lamentavelmente, uma presunção equivocada. Comprovou que o organismo humano é uma máquina frágil que exige cuidado permanente.

Foram os excessos de anos e anos que mutilaram o corpo frágil da cantora inglesa e levaram à sua morte aos 27 anos, idade em que as pessoas gozam, normalmente, de perfeita saúde e funcionamento pleno de todos os seus órgãos e sistemas. Até o mais cético dos jovens precisa render-se à evidência de que consequências existem, são graves. Aliás, fatais. A prepotência típica da faixa etária leva à crença de que sempre há um retorno possível, basta querer e a gente faz retroceder os malefícios, ideia comprometida quando se revê as fotos dramáticas desta jovem martirizada diante de microfones, holofotes, multidões e câmeras e televisão. Foi uma morte anunciada, mas ainda assim não deixa de chocar.

Álcool demais, drogas de todos os tipos, noites sem sono e dias de sono agitado, vestidos curtos demais, decotados demais, justos demais, companhias que magneticamente conduziam às profundezas do vício, toda esta desastrosa combinação acabou por desviar a atenção do inegável talento e por matar uma das mais belas vozes de algo que poderíamos classificar como um jazz do novo milênio. Não é o primeiro caso desta natureza e lamentavelmente não será o último. Nos anos 50, James Dean desafiou a velocidade e morreu aos 24 anos. Nos anos 70 e 80 tivemos os exemplos trágicos de Janis Joplin, Kurt Cobain e Jimi Hendrix. Mais recentemente, a morte de Michael Jackson evidenciou que a busca de outro corpo, do sucesso e de uma paz utópica cobram o seu preço.

Para os pais e fãs de Amy Winehouse, fica a lembrança de sua carreira. Para os jovens fica o ensinamento, tomara que redentor, de que uma vida desregrada é um caminho perigoso e muito possivelmente sem volta, não uma preocupação absurda de pais e mães superprotetoras.

A mensagem é que, pelo menos, sirva como um alerta: o perigo que se associa a este mundo marginal não é assombração, é concreto e precisa ser evitado. “Não dá nada?” Infelizmente, a verdade é que dá, sim. Talvez a própria morte.