COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

domingo, 13 de novembro de 2011

A SUBVERSÃO DO CRACK


ROGÉRIO MENDELSKI, CORREIO DO POVO 13/11/2011


Assim como nos chamados "anos de chumbo", subversivo era quem atentava contra as instituições nacionais, hoje a subversão do crack parece ter vencido a sua luta contra o Brasil decente. Estamos perdendo a batalha, e a cracolândia não pode mais ser definida como local determinado para o consumo da droga, e sim ter a sua dimensão territorial do tamanho do Brasil. Uma pesquisa divulgada na última segunda-feira, sob responsabilidade da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), aponta a presença do crack em 89,4% dos 4,4 mil municípios pesquisados - o Brasil tem 5.564 municípios.

Nestes 89,4% houve a constatação de circulação da droga, mas o caso fica mais grave quando nos 4,4 mil municípios o consumo chega a 93,4%. São dados assustadores, pois se o consumo do crack atinge a 93,4% é o sintoma de que "está tudo dominado" e que falhamos definitivamente, ao mesmo tempo em que os traficantes podem comemorar o controle nacional do consumo dessa droga que mata mais que o trânsito e qualquer outra guerra existente no planeta. Diante da impotência oficial para o combate, eis que surge em Brasília uma "solução" mágica, cortesia da Secretaria de Saúde do Governo do Distrito Federal: o kit para viciados. Para as autoridades sanitárias de Brasília, a "política de redução dos danos" das drogas (crack e similares) pretende distribuir cachimbos feitos da casca do coco, protetores labiais, seringas e preservativos para as "vítimas" das drogas. Como sempre, tem uma ONG contratada pelo Ministério da Saúde (por nós contribuintes) que irá cuidar dos viciados, dando-lhes protetores labiais e retirando deles as latas onde o crack é queimado e aspirado.

"A lata machuca, provoca sangramentos capazes de transmitir doenças", e com os cachimbos de casca de coco, seguramente, o usuário estará mais protegido para curtir o seu barato.

O jornalista Francisco Vieira, num artigo sobre o mesmo tema, mostra toda a sua indignação, que é igual à de milhões de brasileiros quando o assunto é a proteção dos usuários de crack: "Quanta preocupação com a saúde de quem vive assaltando mulheres e idosos na rodoviária do Plano Piloto. Por que não se institui logo a Bolsa-Crack, na qual o drogado receberia uma quantia mensal para não praticar assaltos, furtos e homicídios para manter o vício?".

O exemplo não serve para o resto do país? É a subversão vencendo a guerra.

Na Holanda

O jornalista Francisco Vieira não aceita o exemplo dado pelas autoridades de Brasília que citam o modelo holandês, no qual o governo distribui canudos aos usuários de cocaína para evitar o compartilhamento do material. Distribuir material higiênico para drogados não é um "incentivo ao uso de drogas", diz o governo do Distrito Federal.

Cingapura

Se é para imitar algum país, por que não imitamos e copiamos as leis de Cingapura, onde o traficante de drogas é punido com a pena de morte, por enforcamento? O viciado, se pego pela Polícia, cumpre penas duríssimas. Se alguém contar a uma autoridade daquele país que no Brasil se distribuem kits para viciados, ela vai interpretar como um incentivo ao consumo, um crime gravíssimo pelas leis locais.

A pergunta

"O que temos em comum com a Holanda, senhores? Seriam os serviços públicos de saúde, educação e segurança? O nível de renda? Os olhos azuis? A honestidade dos políticos? A taxa de pessoas alfabetizadas? As estradas e rodovias? Temos que imitar o Primeiro Mundo logo (e unicamente) no que ele tem de pior?", perguntou o jornalista.

Arrogância

A prisão do traficante Nem mostrou como os chefões da droga sentem-se impunes. Em momento algum Nem procurou esconder o rosto das câmeras, mas, pelo contrário, encarava-as com arrogância. Chefões gostam de olhar nos olhos dos telespectadores. Só a chinelagem põe capuz e se esconde da imprensa. Capo quando é preso conta ponto no seu território. Mais um pouco e se transforma em preso político.