COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

domingo, 1 de maio de 2011

COM LIMITES

O filme Sem Limites, projetado recentemente em Porto Alegre, é uma brutal propaganda das drogas pesadas. Sua mensagem é a seguinte: “O sucesso, a capacidade de defender-se, a prática da inteligência que leva à felicidade, dependem do uso adequado de substâncias químicas que geram dependências cruéis. Mas vale a pena”. Essa é a mensagem principal.

Na noite em que assisti ao filme, enganado pela propaganda do seu conteúdo (que me pareceu interessante), o cinema estava cheio de jovens de várias idades. Pensei: “Esta semana teremos protestos pela imprensa, porque isto aqui passou todos os limites”. O filme não era uma conversa franca com jovens num final de aula, na qual alguém dizia que certas drogas são mais nocivas que as outras, embora não fosse apropriado legalizar nenhuma. O filme era simplesmente propaganda explícita da drogadição. Esperei os protestos em vão.

Esperei, também, alguma manchete tipo: “Filme em tal lugar defende explicitamente o uso de drogas”. Foi em vão. Decerto porque uma coisa é o mercado, no qual aparentemente vale tudo, e outra é o final de uma aula magna que não afeta o mercado. Nesta, no final, é verdade que se mostrou uma certa tolerância – não concordância – com centenas de jovens, que em diversas universidades do mundo já experimentaram ou às vezes fumam um “baseado”.

Depois do filme, na sequência da semana, li várias críticas iradas e injuriosas às opi-niões que NÃO manifestei sobre a Cannabis, embora o jornal Zero Hora, que divulgou o evento, fizesse, de forma clara, a ressalva de que sequer eu defendera a legalização da maconha.

Só posso tomar, portanto, as críticas que recebi (a uma posição que não sustentei) como uma defesa da criminalização dos jovens que fumam “baseados”, posição que efetivamente não defendo. Criminalizar os jovens porque eles fumam maconha é lançá-los na clandestinidade e, logo, torná-los mais próximos dos traficantes. Seria como prender, internar compulsoriamente, os fumantes porque não se pode, em função do mercado, fechar as fumageiras.

Combater duramente a produção e o tráfico de qualquer droga, inclusive da maconha, é a posição que tenho como correta e que pratiquei fortemente como ministro da Justiça. Não defendo, porém, punir os usuários eventuais da Cannabis e aqueles jovens que são instrumentalizados pelos traficantes. Atacar nas fontes – o produtor e o traficante – é o que pode reduzir o uso das drogas para minimizar esse mercado infernal. Um mercado que gera outros delitos e também os modismos que estimulam o falso astral que encanta os jovens para a experimentação.

TARSO GENRO, Governador do Estado - ZERO HORA 01/05/2011