COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

FINANCIAMENTO PÚBLICO PARA TRATAR A DEPENDÊNCIA QUÍMICA


Terapias alternativas. Governo vai financiar tratamento de dependentes químicos - o globo, 22/06/2011 às 18h37m - Luiza Damé


BRASÍLIA - Em reunião com representantes das comunidades terapêuticas, nesta quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff anunciou que o governo vai financiar o tratamento de dependentes químicos nessas entidades, a maioria mantida por instituições religiosas. No encontro, a presidente criou um grupo de trabalho para revisar a resolução da Anvisa que estabelece as normas mínimas para funcionamento das comunidades terapêuticas.

Fomos reconhecidos como um serviço de atendimento à dependência química no Brasil
- As comunidades se constituem importante recurso comunitário de apoio ao tratamento da dependência química no Brasil. Elas têm da presidente o reconhecimento e interesse de que façam parte de uma ampla rede de apoio à rede pública de saúde e assistência social, no tratamento e reinserção social dos dependentes químicos - disse a secretária Paulina Duarte, da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), do Ministério da Justiça.

A secretária participou da reunião, que contou ainda com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O grupo de trabalho será coordenado pela ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, com a participação da Senad e dos ministérios da Educação, Saúde e Desenvolvimento Social. A secretária não informou quanto será destinado às comunidades terapêuticas.

- Como é uma resolução de 2002, deve ser revista para que possa atender essa nova perspectiva de acolhimento das comunidades terapêuticas como rede de apoio à rede pública de tratamento. A resolução existe, muitas das comunidades atendem plenamente as exigências da resolução, mas outras têm dificuldades, especialmente no que se refere à infraestrutura e equipe técnica. A decisão da presidente de colocar essa resolução em revisão é para acolher todas as comunidades - afirmou.

Representante das federações de comunidades terapêuticas no Brasil, o pastor Wellington Vieira, disse que há hoje no país 3.000 comunidades terapêuticas, atendendo cerca de 60 mil dependentes químicos, especialmente de álcool, crack e drogas. Boa parte, segundo ele, é ligada a instituições católicas, evangélicas e espíritas.

- Fomos reconhecidos como um serviço de atendimento à dependência química no Brasil. A presidente nos tirou da clandestinidade, nos legitimou. São 3.000 comunidades no Brasil que fazem tratamento de recuperação por iniciativa própria. A presidente reconheceu o serviço que prestamos no Brasil desde 1969. Fomos incluídos na rede para receber financiamento, receber custeio, receber reforma e capacitação dos nossos profissionais - disse o pastor.

Segundo Vieira, o governo vai lançar um programa incluindo as comunidades no sistema de atendimento e criando vagas gratuitas para internação de dependentes químicos. O pastor afirmou que é feita uma avaliação das condições sociais e econômicas do dependente, e as famílias colaboram no tratamento, mas alguns estados, como Alagoas, Minas Gerais e Piauí, financiam o atendimento nas comunidades terapêuticas.

- Temos amor e compaixão por essas pessoas que têm esse problema. É feita uma avaliação sócioeconômica, e a família participa do tratamento. São ligadas (a religiões) e têm o despertar espiritual - afirmou.

Também participou da reunião com Dilma, o prefeito Cachoeirinha (RS), Vicente Pires, ex-usuário de drogas, que trabalha há 10 anos com comunidade terapêutica e implantou na cidade o projeto Cara Limpa, para tratamento e ressocialização de dependentes. A prefeitura financia 50 internações em comunidades terapêuticas.

- É o melhor caminho para trabalharmos e combatermos a grande chaga social que é o álcool e as drogas - disse.


COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Parabéns. Presidente Dilma. Finalmente o Governo Federal acorda para as questões das drogas focando num dos vértices principais que é o tratamento público das dependências. A minha sugestão é que usem estes investimentos para criar Centros de Tratamento de Dependências Químicas em municípios sedes de micro-regiões dos Estados de federação, aportando médicos e psicólogos para assistir tanto as pessoas dependentes como seus familiares para criar uma corrente de defesa contra o retorno ao vício, amizades nocivas e aliciamento pelo tráfico.