COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

sábado, 21 de janeiro de 2012

DOR E SOFRIMENTO NA CRACOLÂNDIA

VÂNIA MELLO, CONSELHEIRA VICE-PRESIDENTE DO CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA DO RIO GRANDE DO SUL - ZERO HORA 21/01/2012

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) e o Conselho Regional de Psicologia do Rio Grande do Sul (CRPRS) repudiam a ostensiva ocupação militar realizada no centro antigo de São Paulo, a chamada cracolândia, como forma de enfretamento ao uso de crack e outras drogas. A ação militar, com o pretexto de eliminação do tráfico, violência e demais problemas sociais decorrentes do uso de crack e outras drogas, reprime violentamente a população pobre, sendo, portanto, mais uma forma velada de preconceito e racismo social: uma limpeza urbana. Diante disso, nos perguntamos: por que as ações governamentais se dão a partir de repressão e violação de direitos e não através de práticas que invistam em melhores condições de vida para essas pessoas?

Os métodos adotados na chamada “Ação Integrada Centro Legal”, que vem sendo executada na cracolândia, não só não resolve o problema dos usuários de crack e outras drogas como provoca a violação dos direitos humanos dessas pessoas já fragilizadas por problemas oriundos da exclusão social. O CRPRS defende uma política de álcool e outras drogas baseada no fortalecimento da rede pública de saúde, com a ampliação de Consultórios de Rua e dos Centros de Atenção Psicossocial, que realizam atendimento de forma intersetorial, envolvendo psicólogos, psiquiatras, enfermeiros, assistentes sociais e outros profissionais da saúde. Defende ainda a criação de estratégias de promoção de autonomia do usuário com relação a sua saúde, sendo contrário, também, à internação compulsória.

Diante de ações como essa na cracolândia, fica o questionamento: qual é a perspectiva ideal de tratamento que deve ser oferecido aos usuários de álcool e outras drogas? Responder a esta pergunta tem sido um grande desafio.

Problemas como o uso de álcool e drogas não estão relacionados apenas com a saúde, mas com outras áreas como educação, trabalho, justiça e demais políticas públicas, já que se trata de um complexo problema social. Por isso, ações intersetoriais são fundamentais no seu enfrentamento. Defendemos, ainda, a criação e ampliação dos espaços de lazer, qualidade de vida, esporte e cultura como estratégia de promoção de saúde, uma vez que a ausência de tais espaços tem implicações diretas no aumento do consumo de álcool e outras drogas entre crianças e jovens.

Como psicólogos, acreditamos que uma política adequada aos usuários de álcool e outras drogas deva contemplar a inclusão do usuário na construção de seu projeto de vida/terapêutico. Qualquer violação aos direitos humanos identificada em ações de combate ao crack, álcool e outras drogas precisa conti- nuar sendo repudiada.