COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

POLÍTICA DE DROGAS E ÁLCOOL

PAULO JB LEAL, PRESIDENTE DA OAB, SUBSEÇÃO DE SANTO ÂNGELO - ZERO HORA 24/01/2012

Estudos que vêm sendo divulgados entre nós dão conta de que a bebida alcoólica é responsável por cerca de 3,8% de todas as mortes registradas no mundo, aproximadamente 2,5 milhões de pessoas, entre as quais 320 mil jovens entre 15 e 29 anos.

No Brasil, em torno de 70% dos acidentes com mortes nas estradas ocorrem sob o efeito do álcool e custam ao país, conforme estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de R$ 25 bilhões, que são pagos por toda a sociedade (além de provocar o aumento no valor dos seguros de automóveis e graves problemas nas emergências hospitalares).

Em Santo Ângelo, segundo relatos feitos em debate público pelo delegado responsável pela 13ª Delegacia Regional de Polícia, o consumo exagerado de bebidas provoca brigas, homicídios, arruaças, desavenças familiares, havendo envolvimento do álcool em mais de 80% das ocorrências policiais.

Examinando-se esses dados, parece não haver dúvida alguma de que entre todas as drogas, lícitas e ilícitas, o álcool é a que causa maior mal à sociedade. Não obstante, conforme estudo feito em matéria veiculada pelo Sinpro – Sindicato dos Professores no Estado do Rio Grande do Sul –, em setembro de 2011, foi constatado que crianças e adolescentes estão na mira da indústria de bebidas, havendo uma clara política de promoção do consumo do álcool entre a população mais jovem do nosso país.

Em face de tudo isso, o Conselho Municipal Antidrogas de Santo Ângelo (Comad), depois de discutir e debater o assunto, entendeu não haver um único argumento que possa justificar a presença de pessoas públicas e atletas (como Mano Menezes, Dunga, Sandy, entre outros) promovendo o consumo de bebidas alcoólicas. Menos ainda associá-las à alegria e ao esporte, onde se situa a base sagrada da nossa sociedade: a juventude.

Essas são as razões pelas quais entendeu-se que devemos promover debates sobre a política de drogas do Estado brasileiro e o álcool, tendo como foco a propaganda, pois não há argumentos de natureza econômica que possam justificar o sacrifício da vida dos nossos filhos com uma prática perversa como essa.

Bem que a presidenta Dilma poderia ter coragem e aproveitar a realização da Copa do Mundo em nosso país para cobrar explicações dos dirigentes esportivos sobre as razões que os levaram a associar-se aos fabricantes de bebidas, deixando de lado a promoção da saúde e esporte para incentivar o vício.