COMPROMETIMENTO DOS PODERES

As políticas de combate às drogas devem ser focadas em três objetivos específicos: preventivo (educação e comportamento); de tratamento e assistência das dependências (saúde pública) e de contenção (policial e judicial). Para aplicar estas políticas, defendemos campanhas educativas, políticas de prevenção, criação de Centros de Tratamento e Assistência da Dependência Química, e a integração dos aparatos de contenção e judiciais. A instalação de Conselhos Municipais de Entorpecentes estruturados em três comissões independentes (prevenção, tratamento e contenção) pode facilitar as unidades federativas na aplicação de políticas defensivas e de contenção ao consumo de tráfico de drogas.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

MEDIDAS EXTREMAS CONTRA AS DROGAS


Famílias apelam a medidas extremas contra as drogas - 01/08/2011

O flagelo das drogas levou duas famílias gaúchas a agir de forma desesperada. Em Canoas, na Região Metropolitana, uma mãe resolveu acorrentar o filho de 12 anos para protegê-lo de traficantes. Em Santo Ângelo, nas Missões, um pai, diante de ameaças, diz não ter tido outra alternativa senão atirar contra o próprio filho, um rapaz de 26 anos.

Acorrentado pela mãe - RENATO GAVA, ZERO HORA

Dona Marjane estava na sala preocupada com o filho de 12 anos, que estava demorando para chegar em casa. Nada que a moradora do bairro Rio Branco, em Canoas, não estivesse acostumada. Desde os sete anos, o menino causa problemas e tem envolvimento com drogas. Mas o pressentimento da auxiliar de serviços gerais, de 48 anos, dizia que, naquele dia, a situação era pior do que de costume. Até que, no início da noite, alguém bate à porta, ela atende e depara com um conhecido traficante da área. Na mão direita, arrastava o menino, machucado e visivelmente vítima de agressões. Na outra, uma pistola, apontada para a cabeça do jovem:

– Esse guri é mesmo de vocês? Se não for, mato ele agora. Se for, vou dar uma chance, mas controla ele – bradou o homem.

Com o dinheiro das faxinas, Marjane criou outros quatro filhos. Provavelmente, o traficante pensou duas vezes antes de eliminar o menino, a quem acusou de roubá-lo, para não atrair a polícia. Bruno (nome fictício, assim como o da mãe) é filho de seu irmão, mas ela o cria como filho desde bebê.

– Meu filho não admite que usa drogas, mas confessou que já ajudou um amigo a vender – conta.

Mulher usou uma corrente de cachorro e cadeado

Na sexta-feira, Marjane tomou uma medida radical: acorrentou o filho à bicama que ele divide com uma das irmãs. No quarto, Bruno deita na cama de baixo. Na parede da cabeceira, uma imagem, em papel, de Nossa Senhora Aparecida, colocada pela mãe. Nos pés, um pôster do Grêmio campeão da Copa do Brasil de 1997. As demais coisas que deveriam estar no quarto, como roupas e brinquedos, sumiram.

Marjane usou uma corrente de cachorro e um cadeado simples. A chave, carrega no bolso. Enquanto não encontra ajuda para internar o filho em uma escola especial, pretende deixá-lo acorrentado todos os dias.

– Não quero que meu filho morra, e estou vendo que é questão de tempo – analisa.

Baleado pelo pai - ADRIANO SARTORI, colaborou: Maristani Weiand

A noite do último sábado foi assustadora para uma família moradora em Santo Ângelo, no noroeste do Estado.

Conforme registro na Brigada Militar, após ser agredido pelo filho, usuário de drogas, o pintor Clayton Luís Cardoso disse que não teve outra opção senão atirar cinco vezes no rapaz de 26 anos.

Segundo a BM, por volta das 22h30min, Rafael, o filho, chegou à casa onde reside com o pai, na Rua Rodolfo Rogowski.

– Ele chegou arrombando a porta e ameaçando os avós e eu. Não tive outra opção, senão atirar. Há 10 anos, ele é usuário de álcool e drogas como cocaína e crack. Internei ele várias vezes – conta o pai.

O rapaz foi atingido no peito e no braço. Ele está internado no Hospital de Santo Ângelo, e seu estado de saúde era regular ontem. A Polícia Civil de Santo Ângelo investigará o caso.

– Eu não tenho arma, é do meu pai. Eu não aprovo a minha atitude, mas num ato extremo tinha de me defender. Eu fiquei apavorado, ele se transforma quando está nesse estado. Ele já agrediu a mãe dele, foi preso por isso – contou Clayton.

Rapaz deverá ser internado novamente

Segundo o pai, o filho já foi internado em várias clínicas de reabilitação. Na última vez, foi encaminhado, em abril deste ano, para Pelotas. Após três meses, foi levado a Novo Hamburgo para visitar a mãe, que é divorciada de Clayton. Depois voltou para Santo Ângelo.

– Eu sempre avisei para ele que esse caminho era errado. Os pais precisam prestar atenção nas primeiras saídas. Meu filho começou assim – disse o pai.

Clayton diz que pretende internar o filho novamente:

– Apesar de tudo, eu estou torcendo para que ele se recupere. A minha vida está estacionada. Mas eu vou continuar tentando, o que eu posso fazer, não tenho saída.